Educação é a chave para o futuro do país: Uma análise do movimento grevista das Universidades Federais

Não podemos acreditar que haja governos capazes de pensarem que sem educação haja a ascensão de um povo. O Brasil é um país em crescimento econômico e social contínuo, agora alcançando o nível de nação que compete com outros, já considerados grandes no cenário mundial. Não é à toa que faz parte do mais novo bloco econômico do planeta, o BRIC–Brasil, Rússia, Índia e China. Entretanto, neste país territorial, alguns setores que atendem diretamente o público estão sempre em defasagem em relação a outros, mesmo na América Latina. É o caso da educação, doente desde as séries iniciais do ensino fundamental até os cursos de pós-graduação.

Se um dia os funcionários públicos foram o bode expiatório de um candidato a presidente da República, que os chamava de “marajás”, e conseguiu se eleger a partir de mentiras sobre profissionais que sempre tentaram dar o melhor de si para o atendimento público (digamos, a princípio, que alguns em Brasília de fato o eram), continuamos hoje a julgar os mesmos profissionais como herdeiros de salários imensos e capazes de tornarem toda uma classe como privilegiada: é mentira. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ao congelar o salário desses servidores, desestruturou economias diversas, criando desequilíbrios até hoje mantidos em nossa sociedade.

Professores e técnico-administrativos das universidades públicas estão entre as classes que sofrem mais sanções do governo federal. Talvez este governo não considere que cidadãos graduados e pós-graduados possam tornar o Brasil melhor. De certa forma, os últimos presidentes, considerando os dois governos de Lula, conseguiram seus objetivos: um cidadão bem formado academicamente, prefere trabalhar em empresa privada a se tornar professor competente em universidade pública, não porque não queira ser professores, mas porque precisa sobreviver em um mundo onde a educação parece ter caído em descrédito. Alguém pode questionar: mas a Universidade não cresce ano após ano? O número de cursos e de alunos não aumenta consideravelmente de semestre para semestre? A realidade é outra, meu amigo… O REUNI – Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais – ampliou o número de cursos e, consequentemente, também o número de alunos, mas não estruturou as universidades com laboratórios, bibliotecas, outros espaços físicos e professores com salários satisfatórios, já que a contratação de novos professores, em grande parte não é consolidada. Se no passado, um professor era responsável por uma disciplina, hoje pode o ser por quatro, ganhando o mesmo salário, a saber, bem menor do que o que ganharia se aplicasse seus conhecimentos em outras empresas, muitas das quais sequer pensariam em preparar indivíduos para o amanhã.
Em movimento nesta tarde, dia 17 de maio, primeiro dia da greve nacional dos docentes das universidades federais, que foi deflagrada no último dia 15, a Praça Tiradentes, nosso querido espaço que há mais de 300 anos assiste impávido a tantos eventos, pôde abrigar centenas de alunos e professores da UFOP e de outras instituições, em luta por seus direitos constitucionais. Sem aumento salarial há mais de dois anos, ansiosos por desejarem mais recursos para a pesquisa e para a extensão, insistindo em querer transformar nosso país em uma nação melhor para todos, ali se reuniram alunos de todos os cursos, alguns dos quais de outras instituições, professores com mestrado, doutorado e pós-doutorado com o mesmo objetivo e pessoas vinculadas à educação, com o objetivo de tornar público o nível de insatisfação com o tratamento recebido pela nossa presidente e por outras autoridades responsáveis pela gestão de recursos públicos.
Alunos com nariz de palhaço e fantasiados de todos os tipos, batiam latas e bradavam pelo direito de terem uma universidade melhor. Matheus, aluno do curso de artes cênicas, vestido completamente de palhaço, disse à nossa equipe que assim se travestia porque a educação brasileira é de fato um grande circo, um palhaçada. O sociólogo e professor da UFOP, Ubiratan Vieira, lotado no Instituto de Ciências Sociais e Aplicadas, nos informou da perplexidade que se sente quando se vê um governo ondese gastam milhões em estádios de futebol, oferecer 4% para professores e funcionários que há mais de dois anos não sabem o que é ter um centavo a mais no salário. Segundo ele, a postura da presidente é absolutamente inadmissível. A professora e psicóloga Margareth, do Departamento de Educação do ICHS, estava visivelmente abalada e nos informou que é muito triste ver a educação tomando este rumo no Brasil.
Os gritos de guerra e os cartazes erguidos por todos os presentes eram bastante atraentes quanto ao aspecto de como a educação vem sendo tratada pelas autoridades brasileiras:“educação não é migalha”, “ é ou não é piada de salão, ter dinheiro para a copa e não ter para a educação”, “eu sou estudante, eu quero estudar, mas o governo não uer deixar”, entre outros brados.
O professor Luís Antônio Rosa Seixas, ex-presidente da ADUFOP, uma vez que houve nova posse de diretoria no último dia 15, nos expôs a real situação das universidades federais no Brasil: inchamento pelo REUNI, professores estressados e doentes, insatisfação de professores, alunos e técnico-administrativos quanto às políticas de progressão de carreira e de reajuste salarial, entre outros fatores, contribuem muito para a queda de produção e desmotivação de trabalho na UFOP bem como em todas as universidades federais. Ainda segundo ele, houve um pequeno reajuste em 2010 e ficou negociado que até 31 de agosto de ano passado haveria proposta de ascensão profissional e incentivo na carreira, promessa não cumprida pelo governo federal. A greve é importante agora, porque se ela não existir, os profissionais terão que esperar até 31 de agosto para a definição das mesmas propostas sugeridas no ano passado, que podem ser abortadas pelo governo federal inclusive no próprio dia 31. É preciso haver colaboração de todos os acadêmicos para que a UFOP consiga seus objetivos. Em seu lugar, tomou posseo professor David Pinheiro, que também estava presente no movimento. Eles nos sugerem que a população pode acompanhar o movimento através do site http://www.adufop.com.br.
Após o evento na Praça Tiradentes, os grevistas, acompanhados de seus alunos, atravessaram o centro da cidade, inclusive a Rua São José, e se direcionaram à Reitoria, onde houve ocupação pacífica e quando o vice-reitor, em substituição ao reitor que se achava ausente, pronunciou seu discurso de apoio ao movimento. Novos encontros foram agendados em Mariana, na Praça Tiradentes e no Morro do Cruzeiro, para os próximos dias. O comando de greve local continua trabalhando em prol de toda a comunidade acadêmica e solicitou aos presentes que se mantivessem em equipe.
Policiais que acompanharam o evento afirmaram ter sido ele lícito e totalmente pacífico.

Elisabeth Camilo

Fonte: http://jornalvozativa.com/noticias/?p=13900

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8 respostas para Educação é a chave para o futuro do país: Uma análise do movimento grevista das Universidades Federais

  1. J disse:

    Ninguém nesse planeta me convence que não existe uma tremenda manipulação política por trás disso. Ok, o ensino público em geral, seja no nivel fundamental, médio ou superior está precário em termos de estrutura? Claro, ninguém nega isso e ninguém é contra se reinvidicar isso (De forma coerente, planejada, que não prejudique os estudantes, essas greves não vão levar a lugar nenhum, acreditem e não falo isso porque desejo que fosse assim, mas a REAL motivação por trás delas claramente já não abre espaço para resultados concretos do que a classe exige).

    Mas me diga, sinceramente, do que os professoras do nivel superior tem que reclamar em relação a seus salários? Meus professores do ensino básico chegavam ganhar SETE VEZES (e meio) MENOS do que eles e tinham que trabalhar em três períodos diferentes!

  2. Bertold Brecht: Nada é impossível de mudar Desconfiai do…

    Nada é impossível de mudar

    Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
    E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
    Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.
    Bertold Brecht

    ESTUDANTES DO CAMPUS PIMENTAS GUARULHOS

    Hora da luta, hora da reflexão, hora de ELIMINAR FOGO AMIGO!

    Refrescar a memória é algo salutar, ajuda o cara a decidir melhor – tanto na sua vida particular como e, PRINCIPALMENTE, nas ações coletivas onde UM DEPENDE DO OUTRO, portanto, FOGO AMIGO deve ser combatido de forma FEROZ:

    1) DIA 15/05/2012 – EPISÓDIO “A FALECIDA”: implodida por dentro e por fora reunião da CONGREGAÇÃO DESLIGITIMADA TANTO PELA PRÓPRIA INSTITUIÇÃO pela falta de CONVOCAÇÃO DA REPRESENTAÇÃO ESTUDANTIL, motivo do ATO DOS ESTUDANTES contra mais uma tentativa de GOLPE, afinal, iriam discutir o SEMESTRE e SINDICÂNCIAS!

    2) DIA 16/05/2012 – PLENÁRIA DO COMANDO DE GREVE: INTENSA DISCUSSÃO, QUASE 2 (DUAS HORAS), decisão: NÃO É O MOMENTO PARA SENTAR NEM COM A APRAE ou CONGREGAÇÃO, SENDO CONSENSUADO LEVAR CARTA DOS ESTUDANTES APROVADA EM PLENÁRIA DO COMANDO DE GREVE À ASSEMBLÉIA DOS DOCENTES e, caso esta assembléia aceitasse, estaríamos prontos a iniciar DIÁLOGO NECESSÁRIO com os DOCENTES. Não vamos nem entrar em detalhes do porque das negativas!

    3) DIA 17/05/2012 – ASSEMBLÉIA DOS DOCENTES: lida a carta, proposta aprovada em assembléia!

    O BARATO É LOUCO E O PROCESSO É LENTO, portanto, para contribuir, vamos fazer o “movimento de descenso” e voltar novamente o poema de Bertolt Brecht, excelente para uma PROFUNDA REFLEXÃO do momento que vivemos!

    TODOS A ALESP: VAMOS CONSTRUIR MAIS JUNTOS DO QUE NUNCA ESTA CAMINHANDA, CAMINHANDO!

    • Alpha disse:

      “O BARATO É LOUCO E O PROCESSO É LENTO, portanto, para contribuir, vamos fazer o “movimento de descenso” e voltar novamente o poema de Bertolt Brecht, excelente para uma PROFUNDA REFLEXÃO do momento que vivemos!”

      em outras palavras…

      Sem mais,

      Alpha

  3. spirituarise disse:

    Esse conceito de direito de greve ao funcionário público e um dos casos mais cretinos e miseráveis que são aceitos via juízo banal. Acolher o regulamento do funcionalismo público moderno, com vastos direitos de greve e não ser a favor da restrição da capacidade do Estado. Muito pelo contrario. E dar domínios descomunais para que os interesses corporativos desses “funcionários” possam ser satisfeitos sob chantagens e ameaças contra o restante da população (leiam-se estudantes). Vocês são apenas Chantagistas da sociedade, e quero ver algum esquerdista vagabundo me contrariar. O interessante é que militares não podem entrar em greve, Professores do chamado ensino superior podem.

    Alguém ainda é capaz de atuar contra a privatização do ensino superior? Como disse anteriormente, qualquer homem com o mínimo de honestidade e caráter, pediria o fim do ensino superior público gratuito e a parte administrativa deveria ser feita por uma empresa privada, caberia ao estado financiar bolsas aos estudantes que não pudessem pagar (Estudantes, e não grevistas) Quanto a esses professores, ora, façam greve numa empresa privada. É como disse anteriormente essa esquerda maldita não respeita nem quem coloca comida na boca deles, e pior, num dos cartazes é possível ler, essa luta não é salarial, como se algum funcionário público de médio escalão estivesse se preocupando com algo mais além de si mesmo. * “A ambição universal do homem é colher o que nunca plantou.” Querem-se qualidade de ensino miseráveis, voltem a dar aulas, e parem de fazer greves, ou acham que os estudantes vão aprender vendo vocês vadiando por não querer trabalhar e pior com a certeza de que não vão ser demitidos. A priori odeio tudo que venha do estado, porém aceitar primeiramente esses estudantes acéfalos e agora esses doutores, e não ver nenhuma punição para com essa casta putrefata é simplesmente ver todo dinheiro investido pelo contribuinte indo para a imundice. Faz uma falta um Den Xiaoping no Brasil. Quanto a vocês grevistas (quer sejam professores ou alunos) Se querem mudar alguma coisa, comecem por vossas casas.

    Quanto ao senhor “J” Todos os movimentos sociais são esquematizados por partidos políticos. Caso tenha interesse, visite o site do PSTU ou PC do B, somente alguns exemplos, ambos deixam claro que esquematizam os movimentos sociais. Obvio que se você procurar mais a fundo, vai encontrar referências em qualquer partido CorruPTo.
    E que todos esses grevistas sugadores do dinheiro do contribuinte, que vão fazer greve no colo do Capeta.

    Quanto aos (Estudantes não, preguiçosos com horror à trabalho) que usaram a arruaça para brincar de Rosa Luxemburgo, Michel Foucault e a instrumentaram à custa do dinheiro sofrido do contribuinte (Sim, O burguês) – que é desapossado todos os dias pelo Estado para mantê-los dentro da sala de aula, merece uma surra tão grande, tão grande, que faria os distúrbios da paz celestial ser brincadeira. Raça miserável.

    “Uiuiuiuiui… estamos em greve! Os fascistas não passarão!” Machistas não passarão, Já disse e repito, todo cidadão de bem deveria ter o prazer de portar uma arma, para quando esses desgraçados e vagabundos começarem a baderna com um dinheiro que não é deles, o cidadão ter o direito de fazer justiça. Sim, Justiça.

    *Adam Smith

  4. spirituarise disse:

    Uma excelente solução para o ponto discutido consistiria em o acabamento da permanência para servidores públicos.

    Assim, as universidade públicas poderia dispensar os funcionários cujas exigências não partissem como “ajustados” com os interesses das universidades em questão e poderia acertar o contrato com funcionários mais coesos com sua realidade pratica ou financeira.
    Os funcionários “públicos” despedidos estariam totalmente livres para buscar novos rumos e empregos que lhes pagassem salários justos e “tudo por fora” que estão reivindicando com a greve. Se acharem um lugar que aceite pagar o valor, ótimo. Se não acharem, é devido que aumento salarial e as tais reivindicações que almejavam estarem adiante de seu real valor de mercado e precisam ser dispensados por tentar abusar da “mais-valia” dos reitores das universidades/ e do estado. Problema resolvidissimo.
    ^____^
    Algo que me anima, é a certeza de que, boa parte dos professores não apóiam essa greve. Honestidade ainda existe.

  5. Anti PT, PCO, PSTU, PCB, PCdoB, PSOL disse:

    Mas a educação do Lulão não tava perfeita?

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