Docentes do campus Guarulhos da Unifesp aderem greve nacional das federais.

Em assembleia docente realizada hoje, 25/05/2012, os docentes do campus Guarulhos da Unifesp decidiram por paralização por tempo indeterminado.

40 votos a favor, 3 contra e 6 abstenções.

Greve discente, docente, nacional. Greve geral!

Comando de Greve com Ocupação – Guarulhos.

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22 respostas para Docentes do campus Guarulhos da Unifesp aderem greve nacional das federais.

  1. Daniel disse:

    Agora sim, tudo muda de figura!!!!

  2. CLARA disse:

    Repito: vamos ver eles aprovando sindicância contra eles mesmos??? Ai ai…. repressores querem greve agora, provem do próprio veneno um pouquinho!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  3. Colegas, quanto ao comunicado da reitoria e direção acadêmica dirigido aos estudantes:

    item “1” – A construção do prédio da Unifesp é tratado no Processo administrativo nº 38.107/2011, protocolado em 14/07/2012, atualmente tramitando na Seção Técnica de Diretrizes Viárias – STT03.03.02 (Secretaria de Transporte e Trânsito de Guarulhos). Se o esclarecimento trata do processo em questão, observo que o projeto ainda não recebeu aprovação da unidade competente. Mas se estão falando do processo licitatório, é um absurdo, já que isso não competi a Prefeitura de Guarulhos, pior, o citado Processo de aprovação do projeto ficou arquivado por 3 meses(23/11/2011 – 17/02/2012 – comunique-se 38375/2011), por falta de interesse.

    Link para consulta:http://servicos.guarulhos.sp.gov.br:8080/portalGuarulhos/pesquisa/ProcessosAdministrativos.do

    “Data entrada: 14/07/2011
    Requerente UNIVERSIDADE FEDERAL DE SAO PAULO
    Assunto: CONSTRUCAO
    Complemento assunto: E REGULARIZACAO EDIFICIO P/UNIDADE EDUCACIONAL ESTRADA CAMINHO VELHO 333 BAIRRO DOS PIMENTAS

    Unidade Destino Data de Recebimento Informações do Andamento
    SECAO TECNICA DE DIRETRIZES VIARIAS 20/04/2012 SEGUE PARA PROVIDÊNC…
    DEPARTAMENTO DE PLANEJAMENTO E PROJETOS 20/04/2012 PARA CONTINUIDADE.
    SECAO TECNICA DE LICENCIAMENTO DE PROJETOS E OBRAS 04/04/2012 EXPEDIMOS A DIRETRIZ…
    SECAO TECNICA DE DIRETRIZES PARA EMPREENDIMENTOS 04/04/2012 Segue para ATendimen…
    DEPARTAMENTO DE GESTAO URBANA 06/03/2012 ENCAMINHAMOS PARA PR…
    + Mais”

    Através do Comunique-se nº21178/2012( 24/05/2012), a prefeitura pede para Unifesp sanar os problemas relacionados abaixo no projeto.

    “Art: 29§ 1° X do Decreto 23.202/05-(área de acumulação).
    Indicar portão de acesso, deixando livre á área de acumulação, em projeto;
    Art: 29§ 2° I do Decreto 23.202/05-(vagas ) de acordo com o anexo I, em projeto;
    Art: 29§ 2° II do Decreto 23.202/05-(em projetos);
    Art: 29§ 2°III do Decreto 23.202/05-(deficiente físico, conforme a ABNT.NBR: 9050/04, em projeto);
    Art: 29§ 3° II do Decreto 23.202/05-(em projetos);
    Deverá apresentar o RIT(relatório de impacto no tráfego), conforme solicitado nas Diretrizes Urbanísticas de nº782/2012 PGT.”

  4. CORNORÈ disse:

    Afinação

    Como a palavra já indica, AFINAÇÃO, para nós, quer dizer “estar afim com a ação”. Ou seja, meu canto – minha ação de cantar – está em afinidade com minha natureza.

    Eu, quando canto, expresso afinidade com minha essência. O fazer, o sentir e o ser estão amalgamados e sincronizados, estão afinados. A voz nasce do momento vivo, dos sentidos acesos, da consciência acordada.

    Uma flor é esteticamente ‘bonita’ não porque ela quer ser ‘bonita’. É que sua afinação interna a faz exatamente como ela é, a torna inteira, afinada com o Todo e com sua natureza única. A sua consciência está viva.

    Quando o cantor ‘pensa que é afinado’ – aí reside o maior perigo: o de parar de ouvir, de se renovar a cada ar inspirado (o ar é a inspiração renovada a cada momento). Assim, a afinação não é fixa, é ação. O cantor se afina a cada movimento…por isso o canto é vivo.

    O som é sempre fiel ao corpo, ele sempre denuncia o que acontece desde a estrutura óssea até as camadas mais sutis. A voz nunca mente. Ela se desdobra nessa conexão e nessa continuidade que há entre nosso organismo e os elementos do mundo físico:

    Ossatura – terra

    Temperatura – fogo

    Musculatura – água

    Deslocamento melódico – ar

    Borda – éter

    A falta ou o excesso de qualquer um destes elementos gera uma desafinação que, muitas vezes, pode ser mascarada por uma aparente “afinação”. Contudo, é explícito quando uma verdadeira afinação ocorre: todo o corpo ressoa e “algo” acontece.

    Pode se dar vários nomes a isto – poética, força-áurica, voz-viva, voz-habitada – enfim, o fato é que quando toda a natureza interior é mobilizada e acordada no ato criativo do cantor, o que se vê é uma expressão da verdadeira afinação, que é nitidamente percebida por qualquer pessoa.

    E o resultado desse canto não é simplesmente estético. Nem feio nem bonito, nem forte, nem fraco, alto ou baixo…ele apenas É. Ele existe porque vem da natureza do ser. E a natureza É. Este canto retira um quantum dos elementos da natureza e isto é sentido por todos, porque cada ser contém em si estes elementos. Eles fazem vibrar a natureza de quem canta e de quem ouve. Então esse canto também me contém, também me permeia, me penetra, me pertence: aí está o religare.

    A afinação real é uma conquista a cada nota, a cada deslocamento, palavra, etc. O cantor tem que estar o tempo inteiro presente percebendo a natureza viva do seu canto, caso contrário ele é seduzido pelo bel-canto, a forma pré-estabelecida e “aprovada como certa” – a voz de 1 milhão de cópias. A voz-cópia. A voz que copia.

    compartilhar:

    De canto em canto

    Andava de canto em canto, pois simplesmente não sabia qual era mesmo o seu próprio canto.

    Isso fazia com que andasse na rabeira do que vinha. De movimentos que não eram seus.

    Copiava para estar. Para poder ser. E acabava não sendo.

    Nada.

    Mas que fazer?

    Se pra ele esse era o caminho.

    Que fazer?

    Se o caminho pra ele era esse! Mesmo que torto se mostrasse esse rumo.

    Por isso, andava meio sem prumo. Desafinado. Desanimado. A fim de nada. Nublado de consciência.

    Triste.

    É.

    É triste, mas acontece!

    Mas acontece que um dia, dia desses como se é, decidiu pra si agregar o medo e mergulhar. Ir em busca de outro caminho. Em busca de outro canto. Em busca de um canto de si. De quem canta em ti.

    (Quem canta em ti?)

    Ele ia como que atrás de um canto que não quer ser. Mas que apenas é, pois por ser, ser que é.

    E era como se fosse.

    A partir dessa escolha, o tratado passou a ser de essências. Coisa de internos. De coluna. De fundamento. De base.

    E não poderia ser se não fosse essencial.

    E não poderia ser se não fosse fundamental.

    Foi aí que começou a afinar. Afinar a sua ação. Afina-ação. Sua Percepção se tornou viva. E ele começou a se renovar. Renovava-se a cada instante.

    A cada momento.

    A cada movimento.

    A cada vento.

    À moda cata-vento.

    Não estagnava em nada. Não se fixava. Estava desanuviando. Aos poucos. Afim de encontrar o seu canto.

    Aquecia-se de alegria cada vez mais.

    E mais.

    E mais.

    E mais.

    Sua ossatura começou a virar terra. Seus músculos se tornaram água e ele se deslocava pelo ar.

    Etéro.

    Aterrado.

    Aquoso.

    Aéreo.

    Apoiava-se nas bordas e ia.

    Cada vez mais.

    E mais.

    E mais.

    E mais.

    E como era bom ser. E como era bom estar. E como era bom re-soar.

    No aqui.

    No agora.

    No presente de estar presente.

    Ele sabia que algo acontecia. Por isso, começou a ter princípios de se manter em harmonia – uma espécie de mania de estar no ar e flutuar.

    (Sem perder a fundamental).

    Estava, então, permeado de canto. Do seu canto. Conectado com o que era. Penetrado de si.

    De fato.

    E por este ato, já não pegava mais rabeiras em outros cantos. Já não entrava mais em fluxo de movimentos que não eram seus.

    Re-ligado estava a sua essência.

    Com-ciência.

    Coisa que sempre é.

    Que sempre foi.

    E que sempre será.

    Será?

    Bom…

    Se ser, há, então há.

    Ora.

    Pois.

    Simples assim.

    Thiago Fernandes de Freitas

  5. CORNORÈ disse:

    “A afinação do mundo”, de R. Murray Shafer

    “Som fundamental é um termo musical. É a nota que identifica a escala ou tonalidade de uma determinada composição. É a âncora ou som básico, e, embora o material possa modular à sua volta, obscurecendo a sua importância, é em referência a esse ponto que tudo o mais assume o seu significado especial. (…)

    O psicólogo da percepção visual fala de ‘figura’ e ‘fundo’. A figura é vista, enquanto o fundo só existe para dar à figura seu contorno e sua massa. Mas a figura não pode existir sem o fundo; subtraia-se o fundo, e a figura se tornará sem forma, inexistente. Assim, ainda que os sons fundamentais nem sempre possam ser ouvidos conscientemente, o fato de eles estarem ubiquamente ali sugere a possibilidade de uma influência profunda e penetrante em nosso comportamento e estados de espírito. Os sons fundamentais de um determinado espaço são importantes porque nos ajudam a delinear o caráter dos homens que vivem no meio deles.”

  6. Mario santos disse:

    Dos 40, pelo menos 30 eram do curso de sociais. Valeu companheiro Javier, falou que ia dar um jeitinho e deu. Valeu novos companheiros de comando: Javier Christina e Melvina.

    • Anti-greve até o fim! disse:

      Vagabundo! Tu e mulher de malandro! Só vai ficar feliz e acabar com essa palhaçada quando levar uma boa surra da PM!

      • Antuérpio disse:

        Pelo visto você deve saber como se faz para ser feliz nesse país. E aí, foi na calada da noite que a PM te fez feliz?

      • spirituarise disse:

        Com todo respeito, mas acho que o senhor Mario fez uma colocação excelente, não há motivos para difamá-lo, quero dizer, acho que ele também é contra a greve. Apesar de que só o fato de alunos quererem “estudar” Ciências Sociais, já deveria dar cadeia e punições severas para esses indivíduos. Não há estudo de Ciências Sociais em universidades públicas, há militância e terrorismo, peço perdão aos Alunos que estão começando a estudar Ciências Sociais e não compactuam com a violência coletiva, porém é certo de que cedo ou tarde, vocês estarão fazendo a mesma coisa que esses criminosos estão fazendo agora na Universidade, ou seja, brigar por regalias para alguns indivíduos (Usando a suposta “luta pelo coletivo” para desmascarar as reais intenções) usando-se do terrorismo e violência para conseguir o que almejam.

      • spirituarise disse:

        Exijo mais respeito para com nossos militares e o usuário Anti-greve, senhor Antuérpio, Seu ignorante.

    • Anti-greve até o fim! disse:

      Mulherzinha! Teu sonho e a rola de um PM de dois metros, safado! Seu ódio contra a policia nada mais e do que ambivalência do desejo! Arrombado du caralho! Doença de feio!

  7. É claro que, como não poderia deixar de ser, vocês já tiveram a ousadia de comparar um movimento sério com a palhacada desses 60 dias… Como somos sensatos, apoiaremos os professores em greve, sobretudo se estes puderem jogar uma luz nesse teatrinho ocorrrido debaixo de nossas barbas…. Ética e hombridade realmente não fazem mal a ninguém…

    • Antuérpio disse:

      Adriano, você não teme dar seu “apoio” a esse docentes grevistas? Isso poderá redundar em processos. Pense em seu futuro, tome cuidado!

  8. spirituarise disse:

    Tristemente, é realmente triste saber que partidos políticos de ideologias assassinas não somente manuseiam movimentos sociais de meros trabalhadores de suas simples funções, assim como também em períodos de eleições definham suas garras em setores tidos como por excelência de pessoas com o intuito de educar, não há crime maior contra a educação do que vendê-la por uma simples veemência partidária, onde interesses oportunos ou em nome do partido gritam mais alto do que a “penúria” de ensinar, não há crime maior para a educação, e a desonestidade latente por parte destes docentes impostores que sequer dão valor ao contribuinte (Sim, o burguês, que não só alimenta esses chantagistas da sociedade, como também lhes dá todo apoio quando necessitam) e ainda se utiliza da alcunha de “Paralisação por uma educação melhor” qual seria o nível moral destes “doutores”? Quer dizer que ganhar mais, seria um impulso para realizar um melhor trabalho? Onde está o prazer ou o amor por ensinar? Hipocrisia? Pergunte para esses impostores grevistas, sobre o que de acham da privatização do Ensino Superior, essa é a régua pra medirmos o nível moral e ético de cada um deles. Por agora, Manifesto minha incondicional solidariedade para com os verdadeiros professores que não aderiram a tal afronta para com a educação. Quanto aos estudantes grevistas (os não militantes) acham mesmo que uma greve feita por estudantes analfabetos e criminosos duraria tanto tempo sem milhares de partidos de extrema esquerda (em busca de votos fraudulentos), por detrás disso? Caso tenham interesse, procurem pelos devidos partidos por detrás de qualquer movimento social. Quanto aos militantes de partidos corruptos como PSOL, PC do B, PCB, PSTU, PT, Crêem mesmo que seus partidinhos vão impetrar granjear alguma “coisa” relevante nessas eleições Chantageando a sociedade por meio de “movimentos sociais”?

    MOVIMENTOS SOCIAIS – Grupos organizados que pregam desde privilégios ou até mesmo, terrorismo.
    CONQUISTAS SOCIAIS – Mamatas de empregados (sobretudo funcionários públicos), que fazem assalariados ganharem cada vez mais e trabalharem cada vez menos resultando assim em MAIS impostos, MAIS custos para produtos e serviços e MAIS oferta de empregos na China.
    TRABALHADOR – Baderneiro, grevista, sindicalista, burocrata do estado, membro do partido.
    PÚBLICO E DE QUALIDADE – Estatal e caro para o contribuinte.
    INTEGRAÇÃO E UNIÃO DOS POVOS – Vários povos “unidos” sob a ditadura de um mesmo governo.
    REVOLUÇÃO – Quando um esquerdista chega ao poder.
    GOLPE – Quando um esquerdista sai do poder.

    • mauro disse:

      Quanta “espiritualidade”. Desse jeito você compromete a querida “instituição”, afirmando que ela abriga “analfabetos”. Ou seja, transparece a ideia de que não houve rigor para os mesmos, inclusive você, adentrar a mesma.
      Quanto aos “milhares de partidos de extrema esquerda” (sic), você soube valorizá-los, afinal, sem eles, sequer seria vislumbrada a perspectiva de não ficarmos tão amontoados em salas de aula:eu tolerando o seu cheirinho, você tolerando o meu,kkkkk
      Antuérpio

      • spirituarise disse:

        Não, não houve rigor, o senhor sabe disso, Uma das leis estáveis do funcionamento das universidades – validada pelo ensaio histórico deste último século – é que, à medida que o acesso a elas se torna mais “democrático” e menos seletivo, a poluição de todo tipo de porcaria existencial (Esquerdista, feminista, Petista, comunista, Keynesianos) tornou-se mais comum, que escritores ruins na frança. É capaz de compreender por que sou favorável ao fim da universidade pública gratuita? Acha mesmo que o contribuinte tem obrigação de financiar salas e mais salas e tantas outras regalias para “estudantes” de humanas? Sendo que o dinheiro suado do contribuinte nunca será devolvido em forma de trabalho honesto? Acha mesmo que contribuinte está feliz financiando milhares de vagabundos que unicamente desejam ingressar no Setor publico? Sem devolver ao estado tudo que fora investido na formação do mesmo? Acha mesmo que o contribuinte apóia estudantes chantagistas sem mérito algum para merecer coisa alguma, onde ao invés de se fazer por merecer, simplesmente decide parar o básico do que é proposto ou esperado, unicamente em prol de seus desejos imediatistas, a chantagem? Ou me dão o que eu quero, ou não vou ficar em sala de aula, e vou ameaçar colegas de classe e professores, e vou aplicar minha devassidão moral como medida. E a conta no final, o senhor sabe que vai pagar (o trabalhador que a esquerda tanto diz que defende) percebe como é ilógico e imoral tudo o que o senhor disse?

        O senhor possui de algum senso de moralidade ou respeito para com o trabalho alheio?

        Quanto a sua mediocridade no final de sua resposta, o senhor está admitindo que haja somente interesses políticos por detrás desta greve ou qualquer movimento social, é estúpido, e por último, a inocência do senhor realmente te faz crer que vai haver ou houve alguma melhora na universidade por causa de partidos políticos que estão somente em busca de regalias e poder? Que idade o senhor tem? Dezoito anos?

      • PEDRO SOCIAIS disse:

        é o mauro rovai????? ou é algum fake???

      • spirituarise disse:

        Fictício? Eu desejo ver algum esquerdista contrapor algo do que eu digo, com argumentação minimamente séria e consistente, e o senhor, Pedro Sociais, Creio eu que só o fato de alguém fazer, ciências sociais, pedagogia, letras e, etc. já deveriam dar cadeia.

  9. Jeferson disse:

    Então galera, vejo vocês só em 2013.

    • Antuérpio disse:

      Beleza Jeferson, estaremos esperando você e seus coleguinhas em 2013. Quiçá, com um novo prédio. Quiçá, com nossa barracas. Boas férias!

  10. PEDRO SOCIAIS disse:

    DEPOIMENTO DA ALUNA HOSTILIZADA NA ASSEMBLEIA DE SEXTA
    ‎24 de maio de 2012: o machismo passou, a violência também.

    Gostaria de esclarecer sobre o lamentável acontecimento na assembleia geral dos estudantes da Universidade Federal de São Paulo campus Guarulhos no dia 24 de maio de 2012. Somente hoje, sábado, consegui parar e fazer um retrospecto.

    Primeiramente, algumas considerações sobre aquela data:

    1) No momento em que eu estava filmando, não estavam votando ocupação. Pelo menos, nenhuma pessoa estava levantando o braço e dizendo que era a favor ou contra a ocupação. Tanto que quando foi finalmente deliberada em assembleia a questão acima mencionada, eu já estava encurralada no banheiro e pude ouvir a comemoração.

    2) O campus possui diversas câmeras espalhadas principalmente no pátio. Caso quisessem total privacidade poderiam votar ocupação em âmbito privado. Se seria viável ou não, cabe aos que se sentiram de certa forma “criminalizados” refletirem.

    3)Eu não estava agindo enquanto “Contraponto”, como a nota no “blog da greve” quis deixar transparecer, mas sim enquanto Gabriela, estudante. Os demais participantes do coletivo sequer sabiam que eu ia filmar até porque foi uma decisão tomada instantaneamente e impulsivamente. O fato de eu ser desse ou daquele coletivo não vem ao caso assim como não vem ao caso se aqueles que me encurralaram tem essa ou aquela posição política. Acima de tudo, sou estudante de uma instituição pública e não quero ter medo de expressar minha opinião, de andar pelo campus, enfim, não quero ser reprimida e não vou admitir que outra brutalidade aconteça. O que ocorreu não foi uma ofensa ou agressão a um membro do “Contraponto”, ou somente a mim, Gabriela, mas sim uma agressão ao direito a individualidade, liberdade e segurança como um todo. Há pressuposto para que haja constrangimento moral seguido de ameaça a qualquer outra pessoa.

    Agora vamos ao relato propriamente dito. Ressalto inicialmente que naquela quinta-feira houve uma merecida menção o caso ocorrido na assembleia anterior com a colega Monique, que teria sido ofendida por outro estudante. As pessoas que se autodeclaram “Monique” como forma de repúdio ao machismo foram todas perto da mesa, inclusive eu. Tal acontecimento supracitado rendeu duas semanas de discussões sobre o machismo, o qual repudio veementemente.

    Logo no início da assembleia, eu e outro colega fomos juntos pedir a mesa que analisasse se realmente havia quórum mínimo para deliberação, visto que o campus estava perceptivelmente vazio comparado às assembleias anteriores e que o quórum mínimo para deliberação (instituído em assembleia no ano de 2010) seria de 300 alunos. A mesa, no entanto, respondeu nosso questionamento com essas palavras: “a mesa entende que há quórum mínimo”.

    No começo da noite, eu estava filmando com meu celular as manifestações artísticas apresentadas antes da assembleia, mas a bateria havia acabado e então parei a filmagem. Caso contrário, iria filmar todo o processo como costumo fazer em todas as assembleias e até então nunca havia sido questionada, ou melhor, repreendida.

    Meus colegas próximos aos poucos iam embora. Por volta das 22h30 olhei ao redor e percebi que apenas meia dúzia deles ainda estava lá. Até aí tudo bem. Era aproximadamente 22h40 e as pessoas costumam ter outros afazeres. As propostas estavam sendo discutidas entre quem era a favor ou contra. Lembro que quando peguei o celular de um amigo A e subi no piso superior com outro amigo B, íamos dizendo no caminho: “não há quórum para votar nada mesmo, acho que a abstenção seria uma saída, visto que sequer é possível dar credibilidade a essa assembleia em especial”. Chegando lá em cima, eu filmava com uma câmera de celular de baixa qualidade e no escuro, a assembleia como um todo, mas focando principalmente nos pontos vazios do pátio, como a parte superior em frente onde eu estava e também a parte que fica perto da cantina. Lembro inclusive que meu amigo me alertava para continuar filmando de longe, de uma forma geral. Em um dado momento, durante a filmagem da “sacada” eu notei que uma estudante estava questionando algo com a mesa e inclusive pegou o microfone e disse em tom de voz exaltado alguma coisa, não lembro se era questão de ordem acho que quem esteve presente se lembra dessa parte. Quando eu vi que os ânimos estavam exaltados lá embaixo foi que me aproximei com a câmera na direção da garota que falava ao microfone, num instinto talvez, ainda lá do alto.

    Na “sacada” só estávamos meu amigo e eu. Ele então me alertou para que saíssemos de lá pois segundo ele “as pessoas estavam olhando feio para nós”. Num primeiro momento, eu brinquei com ele e disse que já estava acostumada com isso, não dei credibilidade. Ele, preocupado, foi me conduzindo para voltarmos ao pátio. Descemos pela escada que fica em frente a cantina e chegando no meio do pátio, apertei o “pause” para que a filmagem encerrasse por ali. Nesse momento, um estudante pegou o microfone e olhou em minha direção: “tem uma menina filmando e (os olhares se voltam para mim) agora ela está indo embora”. [Na verdade, eu não estava indo embora, estava simplesmente me aproximando dos meus amigos e do lugar onde eu anteriormente estava assistindo a assembleia, próximo da mesa, no canto direito dela].

    Diante da exposição a qual fui submetida sem NINGUÉM previamente ter me consultado com calma sobre a possibilidade de apagar a filmagem porque não queria que sua imagem fosse documentada e mediante os olhares e gestos os quais os demais lançavam para mim percebi que alguns colegas não estavam para brincadeira. Então, apertei novamente o REC para que a filmagem prosseguisse. Ora, fui abordada em um microfone, nenhuma pessoa me chamou de canto para explicar sobre o problema de filmar aquela assembleia em especial. Tenho vários amigos inclusive pró-greve que me conhecem e sabem que sou aberta ao diálogo e aceito críticas pois as considero construtivas, só não aceito ofensas. Eu estava praticamente sozinha e me senti fragilizada (pensem o que quiserem sobre isso, julgar é fácil, vocês não foram encurralados sozinhos e sem qualquer respaldo) e minha única arma parecia ser a gravação caso alguém me constrangesse ou até agredisse física e/ou moralmente. Fui indo para o canto onde eu estava antes de toda a confusão começar e nesse instante, um estudante completamente exaltado veio gritando com o dedo apontado no meu rosto exatamente e os olhos arregalados essas palavras: “Vou abrir sindicância contra você! Eu não quero que filme a minha imagem!” E então, eu coloquei a câmera na frente do rosto dele (não estava focando o rosto dele antes de ele colocar o dedo no meu rosto e nem o de ninguém, pois na correria o celular estava voltado para o chão fiz isso como forma de me salvaguardar). Eu não disse nada para ele nem para os outros que me cercaram, simplesmente fiquei quieta ouvindo palavras hostis e olhando para baixo, o celular na altura do meu quadril, focando o piso do pátio, mas gravando todas as coisas que eles me diziam pelo áudio. Estava encurralada na parede por cerca de 10 pessoas, não sei exatamente. Ouvia uma voz estridente no microfone e alguma garota pedindo para que eles parassem. Ouvi um deles dizendo: “fascista do contraponto” para mim e outro dizendo: “marquei sua cara”. Sem contar as inúmeras outras palavras as quais sinceramente não me recordo por estar em uma situação limítrofe e portanto não ficarei inventando coisas as quais realmente não me recordo de ter ouvido. Minha mãe me ensinou a ser honesta e a vida ensinou a não me adaptar a repressão. Reconheci a voz que me ameaçou (eu estava olhando o chão) e tenho testemunhas e o respaldo do direito, que deve superar a força física. Todos que me cercaram eram homens. Será que se as pessoas que sempre estão ao meu lado estivessem ali eu seria encurralada da maneira como fui? Será que não havia a possibilidade de qualquer colega incomodado com a filmagem me abordar cordialmente e sozinho para que pudéssemos dialogar? Será que se eu pertencesse ao sexo masculino ficaria ali feito pássaro espremido em uma gaiola apertada no estilo contrabando? É contraditório, se pensarmos que na mesma assembleia a qual fui ameaçada (sim, pois como disse ele “marcou minha cara”) coagida e constrangida moralmente é a mesma na qual repudiávamos o machismo.

    Vale lembrar que na assembleia anterior àquela do dia 24 de maio levei uma pedrada no braço enquanto gritava “contagem” em cima do banco e alguns me disseram até que “não era pedra, pois confundi com um talo de alface” como se eu não soubesse diferenciar um talo de alface de uma pedra a qual segurei em minhas mãos. Não faço a mínima ideia de quem fez isso pois a confusão era generalizada. O fato é que não me sinto mais em segurança na universidade pública a qual escolhi estudar.

    Bem, voltemos à narração dos fatos. Eu estava cercada, celular apontado para o chão gravando apenas as ofensas e a pressão moral a qual eu estava sofrendo. Aquilo era minha única garantia. Quando vi uma brecha no canto esquerdo da “cerca humana” sai correndo rumo ao “abrigo” mais próximo, nesse caso, o banheiro que fica na frente da cantina. As pessoas foram atrás de mim. Eu entrei na cabine numa tentativa de fuga primeiramente e também contando com a chance de pensar como agiria diante da situação, pois acredito que não podemos agir racionalmente mediante pressão psicológica. Longe do muro o qual eu estava prensada (na EFLCH o muro humano e o invisível são mais evidentes e expressivos que aquele feito de tijolo e cimento), finalmente pensei que encontraria paz, mas as pessoas batiam na porta e queriam entrar mesmo eu dizendo que queria ficar sozinha por alguns instantes. Entendo a preocupação de alguns para comigo, mas eu estava querendo me isolar. Quando me dei conta, algumas colegas estavam no banheiro também e abriram a porta numa tentativa de me consolar, pois o choro era inevitável. Enquanto isso, do lado de fora eu ouvia pessoas discutindo. Sei que dois dos que me pressionaram na parede estavam lá esperando que eu saísse, pois os vi correndo atrás de mim quando estava a caminho do “abrigo” e também porque os demais me disseram porém não sei se tinha mais gente além deles e dos meus amigos porque sinceramente não vi. Lá fora, o clima parecia ser de negociação (conclusão que tirei após ouvir o que se passava antes das meninas chegarem). Era tipo assim: o vídeo apagado em troca da liberdade e/ou paz. Os opressores disseram às testemunhas que foram atrás de mim para se certificarem de que eu apagaria o vídeo. Pensemos: fui exposta no microfone. Todos se viraram na minha direção e sabiam que era eu que estava filmando, eu provavelmente não sairia dali com o vídeo salvo pois teria que enfrentar a fúria de sabe-se lá quantas pessoas exatamente. Eu queria sim que o vídeo estivesse salvo como prova da ameaça e constrangimento ilegal o qual sofri, poderia até negociar uma edição e deixar só a parte em que o cidadão aponta o dedo na minha cara e a parte em que estou contra a parede ouvindo um monte de palavras sem sequer conseguir responder ou reagir, mas não tive escolha. Abordagem covarde. Cerca de 10 rapazes formando uma cerca, eu e a parede apenas, nessa ordem.

    Enquanto estava na cabine, a questão supracitada ficou vagando na minha mente. Não tinha escolha. Estavam na porta, queriam o vídeo apagado a todo custo e meus amigos pareciam estar numa negociação com eles. Sem contar que um dos estudantes ameaçava abrir sindicância contra mim por eu estar “filmando a imagem dele”. Me senti refém. Exagero? Ninguém esteve na minha pele. Eu, Gabriela, me senti refém e não convém a ninguém julgar um sentimento pessoal meu. Então, em um dado momento, tudo que eu queria era sair dali, acabar logo com aquela situação angustiante. Dei o celular para o meu amigo que estava na porta e ele ou uma menina (não sei ao certo) apagou o vídeo na frente do estudante que solicitava incessantemente tal ação. Foi então que finalmente ele foi embora dali e eu saí porta afora. Sentei na escada, ainda chorando (não tenho vergonha de chorar, vergonha é o que fizeram comigo) cercada por amigos e pessoas as quais eu nem conhecia que se sensibilizaram com o ocorrido. Enxuguei as lágrimas e levantei, decidida. Era quase 23h, o fretado estava para partir e eu trabalharia na manhã seguinte. Fui em direção à saída cercada por colegas. No caminho, mesmo eu estando da maneira como estava, pessoas diziam palavras hostis e algumas faziam um “tchauzinho” irônico com as mãos. Derrotada? Não estou. Para a tristeza daqueles que me ironizaram. Eu e toda uma multidão de estudantes é que gostaríamos de “dizer tchau”, mas não para vocês senhores irônicos em especial, mas sim para o clima ditatorial o qual vivenciamos no campus Guarulhos atualmente.

    Quanto a nota postada no chamado “blog da greve” sobre o ocorrido naquela quinta-feira a considero como superficial e branda. Principalmente quando alegam que não sofri nenhum tipo de violência física ou moral. De fato, física eu não sofri mas estava suscetível a sofrer, quanto a moral, não preciso nem comentar pois quem estava lá viu. Eles não foram “questionar” sobre o vídeo, conforme publicaram no “blog da greve”, pois foram além de um simples questionamento cordial: primeiramente houve uma exposição pública no sentido de intimidar perante mais de 100 pessoas, depois dedos apontados no meu rosto e hostilidade, por fim o encurralamento e a parte em que tive que apagar o vídeo contra minha vontade, caso contrário não conseguiria sair da universidade normalmente.

    Especula-se ainda sobre eu ter síndrome do pânico. Interessante a forma como tentam encontrar uma solução plausível para justificar a repressão a qual sofri. Fica aqui então especuladores, minha resposta: Não tenho síndrome do pânico e mesmo se tivesse isso não justifica o constrangimento que sofri. Qualquer pessoa, tenha ela síndrome ou não, poderia entrar em pânico diante de constrangimento ilegal seguido de ameaça. Além do mais, o fato de eu ter ido chorar no banheiro é digno, pois em momento algum encurralei pessoas na parede ou apontei o dedo na cara dos outros dizendo palavras hostis e algumas até ameaçadoras. Sou livre para expressar o sentimento que eu quiser e ninguém tem nada a ver com isso, contanto que tal expressão não atinja moral ou fisicamente os demais.

    Por fim, gostaria de agradecer aqueles que me ajudaram durante o lamentável episódio e aos que não estavam presentes no momento mas se mostraram extremamente prestativos e atenciosos. Peço também desculpas por não ter conseguido responder alguns da maneira como eu gostaria, devido a quantidade de solicitações para que eu explicasse de fato da maneira como realmente foi. Pessoas amigas e até desconhecidas se sensibilizaram, recebi inúmeras mensagens de apoio e força. Eu poderia estar praticamente sozinha naquela quinta-feira, mas as respostas que recebi e a repercussão do fato mostram claramente que a indignação é geral diante desse ato de violência e de todos os outros que ocorreram e continuam ocorrendo em nosso campus, independentemente de posição política. Dessa vez o constrangimento foi comigo, poderia ser com qualquer um de nós. Ressalto que antes de prédio, precisamos restituir o diálogo em nossa universidade. Honestamente, prefiro estudar a céu aberto em um lugar onde haja respeito entre os demais, do que contar com toda a infraestrutura de um prédio lindo e maravilhoso onde não exista respeito entre as pessoas. Agora faço um apelo a todos os que se sentiram vilipendiados durante essa greve, seja na assembleia que acabou de forma anormal, seja de qualquer outra maneira e dos que de alguma forma se sensibilizaram mediante a violência sofrida por outra pessoa e já não aguentam mais viverem com receio dentro de um espaço público: não devemos nos adaptar.

    “A força do direito deve superar o direito da força”

    Gabriela Helena.

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