Manifesto dos estudantes da Unifesp aos moradores do bairro dos Pimentas

Nós, estudantes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), estamos em greve há quase setenta dias e, mais recentemente, ocupamos a diretoria de nossa faculdade. Estamos lutando por melhores condições de ensino, pois a universidade não possui um prédio para abrigar todos os alunos e tem instalações precárias. A biblioteca, por exemplo, não comporta os livros que foram comprados pela instituição.

O problema que vivenciamos não é algo isolado. A situação de calamidade das instituições de ensino superior não se diferencia das escolas públicas, onde faltam condições mínimas para que as atividades sejam realizadas. Pior do que isso, este estado de coisas é o reflexo na educação pública de uma política dos diferentes governos, sejam os governos locais ou federal, que agem em defesa de um pequeno grupo de exploradores que ganham dinheiro à custa da exploração da população.

Além disso, na Unifesp há uma política ineficiente para ajudar os estudantes a se manterem na universidade. O que acarreta na desistência de uma parcela significativa de alunos e quem mais sofre com isso são os estudantes mais pobres. Justamente aqueles que mais têm dificuldade de entrar na universidade, uma vez que o vestibular funciona como um mecanismo de elitização do ensino superior público.

Nós, neste sentido, não lutamos apenas por melhores condições de ensino para os que já estão dentro da universidade.  Lutamos, entre outras coisas, para que a universidade seja aberta a toda população. Foi por este motivo que surgiu a ideia da Universidade Popular do Pimentas. Uma universidade gerida pelos próprios estudantes em aliança com os trabalhadores e a comunidade local.

Desta forma, a universidade passaria a cumprir sua verdadeira função social, ou seja, ajudaria a difundir o conhecimento e servir para desenvolver o País. Algo que ela não cumpre atualmente, seja porque atende os interesses de grandes empresários e banqueiros ou por excluir a população das mais diferentes formas.

Ao lutar contra a política do governo e dos empresários para o ensino, os estudantes se unem a classe operária e têm como objetivo colocar a universidade a serviço da luta pelo fim da exploração. Tudo seria transformado nesta nova universidade: do conteúdo ensinado à relação com os moradores do bairro, que passariam a poder frequentar e, mais do que isso, a estudar na Unifesp, renomeada como Universidade Popular dos Pimentas. Este é o nosso objetivo e chamamos todos os moradores do bairro dos Pimentas a conhecer e tomar parte deste movimento que estamos realizando.

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