O “Muro de Berlim” da Unifesp

Quem em plena consciência inutilizaria uma área dentro de sua residência? A medida pareceria ainda mais absurda se a casa em questão fosse pequena e sofresse com a falta de espaço. Este absurdo, no entanto, acontece na Unifesp.

Poucos alunos devem conhecer uma área situada atrás do prédio do campus. Quem sobe a Rua Estrada do Caminho Velho logo irá se deparar com um muro alto com cerca elétrica e arame farpado logo após passar a portaria que dá acesso a Escola de Filosofia Letras e Ciências Humanas (EFLCH). A área que estamos citando fica situada atrás deste muro.

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Uma área muito agradável, diga-se de passagem. Durante as atividades do calendário de greve do último domingo, o local chamou a atenção das crianças que foram até o campus e de alguns estudantes.

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Por que esta área permanece desconhecida e, pior ainda, inutilizada pela Unifesp? Qual o motivo de haver um muro com cerca elétrica e arame farpado quando há espaço suficiente para, inclusive, se

construir uma bela entrada que poderia contar tranquilamente com uma praça? O excesso de espaços de convivência em nosso campus certamente não é a explicação.

A inutilização da área, feita por meio destes muros com cercas, tem como objetivo isolar a Unifesp de parte da população do bairro. É evidente que se busca isolar a universidade de casas simples de trabalhadores que moram ao lado. As cercas e arames farpados naquele
muro são, por si só, algo repressor e ofensivo contra os moradores do Pimentas. A universidade deveria se integrar ao bairro e não se defender dos moradores do local. Até porque a própria experiência mostrou que há motivos para os moradores se defenderem das atitudes da Unifesp, mas não existem razões para a Unifesp precisar se defender das atitudes dos moradores.

Este tipo de política não é nova. Está sendo colocada em prática por diversos governos, em particular pela administração direitista de Gilberto Kassab, em São Paulo. Trata-se de uma política de defender o “cidadão de bem” da “gente diferenciada”, termo utilizado por uma
moradora de Higienópolis ao se referir a ambulantes e demais trabalhadores que frequentariam o “bairro nobre” caso fosse inaugurada uma estação de metrô no local. O
problema deste tipo de ideologia é que ela procura ocultar que o “cidadão de bem” é, via de regra, responsável ou cúmplice pelas grandes chagas sociais.

Na USP, por exemplo, a reitoria da universidade impediu que uma das estações da linha amarela fosse na Praça do Relógio, local de grande circulação dentro da Cidade Universitária. Ou seja, cria-se um transtorno para a população para garantir a segregação social.

Na Unifesp, esta segregação é uma das marcas registradas da instituição. Não por acaso, uma das palavras-de-ordem mais entoadas desde o dia 22 de março é “Derruba o
muro, a Unifesp é de todo mundo”. O ato de derrubar o muro tem, pelo menos, até a presente data a um sentido simbólico. Significava romper com a distância que existe
entre a Unifesp e o bairro do Pimentas. Mas não seria o caso de dar um sentido concreto a esta palavra-de-ordem e exigir a derrubada deste muro e a construção de uma
praça como um dos meios de diminuir as distâncias entre a instituição e os moradores?

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25 respostas para O “Muro de Berlim” da Unifesp

  1. Anti-greve até o fim! disse:

    E realmente muito comovente!

  2. Alpha disse:

    A falta de apoio por parte é tão grande que agora estão usando o recurso da “caridade”. Ahhh gente… para de caçar assunto para disfarçar a própria falência moral. Propagam a ideia de que a aproximação com a população local deu-se através da greve, pura falácia! Pois deixam subtendido que tal coisa só é possível a partir da paralisação do campus, algo completamente absurdo de se pensar. Agora querem ganhar a simpatia utilizando-se da hipocrisia do assistencialismo. E sinceramente, o muro que precisa ser derrubado é o das fantasias desses que ainda insistem ser “indispensáveis ao mundo”, quem sabe assim a relação desses com a “realidade” fica mais estreita.

  3. Grevista babaca, esquerda ridícula disse:

    Que post ridículo… agora é obrigação de faculdade construir praça?

  4. Jeferson disse:

    Não tenho nem palavras para descrever quanta bobagem foi divulgada em um único artigo.

  5. Jéssica Cruz disse:

    Caros,

    Sou produtora do Jornal da Gazeta e gostaria dos contatos de quem está no comando de greve do campus de Guarulhos.

    Aguardo retorno e muito obrigado,

    • Zildjian disse:

      Não esqueça de ouvir o “outro lado”, dos estudantes que são vítimas da precarização do campus e da truculência abjeta deste comando de greve.

      Muitos estudantes estão organizados para tentar construir algo diferente do que manda a cartilha grevista de repressão, coação e violência.

      (Apesar de que nenhuma jornalistA terminaria um texto com “obrigadO”, sem bem que tem gente no nível superior escrevendo “fação parte do movimento” no grupo “Unifesp- Guarulhos” no Facebook, então tudo é possível, né?).

    • Jéssica, por favor, entre em contato com a Comissão de Comunicação pelo e-mail greveunifep@gmail.com.

      Agradecemos.

    • Atrasado... disse:

      Sei que já passou e o contato já foi feito, mas é só pra esclarecer que todo aluno da Unifesp pode fazer parte do comando, logo o comando é qualquer aluno. Confere, produção?

  6. Vinícius de Oliveira Bessi disse:

    Só uma questão de esclarecimento, se o prédio da Universidade era de uma empresa que foi cedido para se tornar uma Fatec na região e pela não concretização desta foi por sua vez cedido para a Unifesp porque foi justamente uma política da instituição que faz essa “segregação”? Creio que pelo perfil da descrição de tal muro e indisponibilização do espaço já existia antes da própria Unifesp ganhar o espaço, ou a universidade o contruiu quando foi para o pimentas?
    Gostaria de sugerir que além das recreações promovessem algumas atividades de elucidação crítica, como aulas e palestras para a comunidade, será que tem como fornecer isso também?

    • Zildjian disse:

      Eles querem construir “espaços de convivência” em um terreno em declive e claramente impróprio para uso e edificações… Incrível.

      Esse pessoal nunca entrou em uma escola estadual na vida. Não é possível!

    • Faça-me o favor disse:

      Nunca ouviram falar de chuva? Aquela merda é daquele jeito pra água da chuva escoar e não ocorrer o famigerado desbarrancamento. A topografia da área pede isso, porque a Unifesp fica no meio de um morro e o barranco precisa ter uma caída leve. Se fizer uma praça ali, vai rachar em 3 dias e desmoronar tudo. Povo mais burro!

  7. Engenheiro Civil (de verdade). disse:

    Alguém já ouviu falar que existe algo chamado “Muro de Arrimo”? Caramba que ignorância né! Vai ser sensacionalista assim lá no Iraque…. Se não fosse o “muro de Berlim”, quando chovesse o terreno do lado desabaria sobre nossas cabeças… Se quiserem tentar, aproveitem a invasão e já retirem a terra pra confirmar…ai realmente precisaremos de um novo predio, pq esse ai vai ser soterrado…

  8. Também não acho legal colocar cerca elétrica e arame farpado nos arredores do campus. Preservar a segurança de um estabelecimento com algo que pode causar mortes, inclusive de crianças, é algo a que devemos nos opor. Já a respeito do muro, acho que é uma coisa pra ser discutida.

    Quanto ao outro muro, o de Berlim, não foi a maior atrocidade do século XX o terem construído, e a meu ver teve razões políticas e socio-econômicas legítimas. A mídia de direita costuma tratar a questão de modo sensacionalista.

  9. ALF disse:

    ATENÇÃO!!!!
    ACABARAM DE DERRUBAR O MURO!!!!!
    ESTÃO QUERENDO INCENDIAR O ÔNIBUS O CLIMA ESTA TENSO!!!!!

  10. Amnésia disse:

    TÃO CENSURANDO MEUS COMENTÁRIO PÔ… SÔ GREVISTA, LIBERA AEH!

  11. Amnésia disse:

    TÃO ME CENSURANDO… CADÊ MEUS COMENTÁRIO?! SÔ GREVISTA, PÔ!!!

  12. Jota disse:

    Guilherme Guedes, se uma criança subir num muro de 3 metros, só falta ela morrer mesmo.

    Tem que ter o muro e o arame farpado mesmo, se quiser entrar no campus, que entre pelo portão, como deve ser. Artigo ridículo. Vai um morador da comunidade cair nesse barranco que vocês chamam de área agradável e vai chover de aluno fazendo manifestação culpando a reitoria. Entre pelo portão. Usando o mesmo exemplo da “residência” no início do artigo, derrube os muros de sua casa, automaticamente seu quarto vira boca de fumo (se já não for).

    Lamentável.

  13. sou o capivara disse:

    artigo ridículo!

    ESPERO DE VERDADE QUE INVADAM ESSA BIROSCA E ROUBEM TODOS OS COMPUTADORES! AI IA SER BACANA!

  14. Macabea disse:

    Movimento estudantil, pra ser revolucionário de verdade leiam o tio Marx barbudo que vcs gostam tanto, e as publicações sobre ele. (aliás ele se fosse vivo não seria marxista vendo isso). Eu duvido que algum de vcs tenham passado do Manifesto Comunista! Greve é greve de trabalhador, o intuito é parar a PRODUÇÃO. Greve de aluno sustentado pelo papai não é legítima. E ouçam os outros na assembleia, não cortem a voz do fulano ou sicrano só por que este demonstra ter uma posição contrária a de vocês. Não lembram do outro tio, o Voltaire? “Não concordo com uma palavra do que foi dito mas defendo até o fim o direito de dize-las”? Não percam tempo com tanta bosta, leiam os clássicos, afinal não é humanas que vcs fazem caramba?! Quando tiverem embasamento teórico pra discutir, aí sim o façam. Que nem a questão do muro de arrimo kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk ai gente, se vcs tiverem na ocupação e chover só desejo boa sorte! rsrs

  15. Macabea disse:

    ah, não me censurem senão o tio Voltaire vem puxar o pé de vcs a noite!!! DEMOCRACIA!!!!!

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