DIÁRIO DA OCUPAÇÃO – Edição 03

TERÇA-FEIRA

Se tem gente com fome, dá de comer[1]

Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome
Piiiiiii

Em meio a greve com ocupação do Campus e fortes questionamentos acerca da precarização e tercerização do bandejão, além da necessidade da alimentação dos estudantes, o restaurante foi ocupado e batizado com espaço Solano Trindade, porque se tem gente com fome dá de comer.

Na noite de ontem, 29 de maio aconteceu uma janta coletiva com a participação dos moradores e estudantes. Foi recitado o poema citado, como pode ser visto no vídeo.

Existe uma comissão grande de alunos que corta e cozinha os alimentos, lava louça e limpa o espaço como numa teia tênue, tecendo todo dia[2], desconstruindo a lógica individualista e reforçando e praticando a coletividade.

Roda de Capoeira: Pimenta madura que dá semente, moça madura que mata a gente…![3]

O muro derrubado, acesso aberto para rua atrás da universidade representa a intenção, e agora a prática dos estudantes de interagir com a comunidade para romper com a segregação imposta pela instituição UNIFESP Guarulhos e a sociedade.

Ainda na noite de ontem, rolou uma roda de capoeira bacana com apresentação do grupo Coquinho Baiano. Este evento fez parte de um conjunto de atividades, realizadas durante a Ocupação do Campus pelos estudantes. Sabemos que  hoje que a universidade pretende fechar a passagem de acesso à rua de trás.

Como podemos ver o discurso de extensão universitária  tão propagandeado por parte da instituição é contraditório e  deve ser cada vez mais questionado. O movimento estudantil tem relacionado suas  ações dos últimos dias com a discussão da universidade popular contra a universidade elitista, mais parecida com uma ilha do que um espaço público.


[1]  Versos do Poema Tem gente com fome, de Solano Trindade.

[2] Paráfrase do poema Tecendo a manhã, de João Cabral de Melo Neto.

[3] Verso cantado na Roda de Capoeira dia 29 de maio.

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32 respostas para DIÁRIO DA OCUPAÇÃO – Edição 03

  1. Alpha disse:

    “O muro derrubado, acesso aberto para rua atrás da universidade representa a intenção, e agora a prática dos estudantes de interagir com a comunidade para romper com a segregação imposta pela instituição UNIFESP Guarulhos e a sociedade.”

    Ué, não tinha sido a comunidadde que havia derrubado o muro de modo gratuito?

    • Du Cumando disse:

      pô, claro que foi a comunidade! cê sabe como os cara são foda, vivem quebrando os muro do bairro e tal. aí a gente acho boa a coincidência e nosso publicitário vai por no video da nossa próxima campanha partidária no próximo domingo legal. vcs não gostaram do video?? só não me lembro se foi um militante do pco ou do psol que escolheu as imagens das crianças e aquela musiquinha cafona de power point.

  2. Capivarete disse:

    Querido diário…
    Esta ocupação está uma M.E.R.D.A. Tem um cheiro muito forte no ar.
    Nem preciso falar nas M.E.R.D.A.S. que o CUMANDO tem feito. Nossa liderança tá uma M.E.R.D.A!!!
    Nosso blog idem (tb tá uma M.E.R.D.A). Sinceramente, nem parece nosso blog; tá escancarado que os CONTRÁRIOS DOMINAM! Não temos argumentos que sustentem as M.E.R.D.A.S. que fizemos. Mas não se preocupe, querido diário, nosso Publicitário tá tentando reverter a situação.
    Tô deprimida, em breve lhe escreverei novamente. tchau.

  3. Desanimada disse:

    Querido Diário!
    Ai que coisa idiota!
    O muro aqui de casa está me de e reprimindo, vou derruba-lo agora
    ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

  4. Anti-greve até o fim! disse:

    Só sei que tenho uma lagrima suspensa em meus olhos, pois nunca na historia dessa universidade vi tanto pieguismo, demagogia e mentira! E tudo tão comovente o que o “comando” faz……

  5. Confused disse:

    Afinal, quem é o tal Capivara?

  6. Lucrécia disse:

    Zezinho Trindade já sabe que o nome do pai dele está sendo usado pra essa insolência?

  7. Lucrécia disse:

    Alias quando os assaltantes e estupradores começarem a entrar pelo muro derrubado, quero ver os revolucionários dos Jardins pedindo socorro a policia…

  8. Mário Medina disse:

    Eu não comia no bandeijaão desde que tive uma infecção alimentar por causa da merda de comida que serviam lá.Tenho comido esses dias e tenho curtido.As pessoas que frequentam o R.U dizem que a qualidade do rango melhorou muito nesses dias de ocupação.Até anti-greve tem comido no bandeijão ocupado.E eles saem de lá satisfeitíssimos,falando muito bem da atual gestão e da melhora considerável da comida.
    As pessoas contribuem com quanto podem e todos podem comer,estudantes ou não.Coisa que não acontecia na gestão da empresa privada.Moradores do bairro tem comido lá,funcionários e terceiros que passam pelo campus.
    As atividades culturais são diárias e abertas,incluindo crianças da região,adolescentes e jovens.A comunidade tem entrado no campus.Gente da região,que nunca havia entrado no campus,entra e conversa com os estudantes.Nunca vi tanta interação entre comunidade e universidade. O povo do Pimentas,em geral,é um povo humilde e carente.É um povo à margem,sofrido,e que precisa do nosso apoio.
    Começo a pensar que foi providencial estarmos aqui.Sabemos que paramos no Pimentas por decisões político-partidárias da cúpula do PT,mas agora que estamos aqui temos que devolver pra comunidade do entorno o investimento social dispensado para nossa formação. O projeto de universidade pública do Pimentas é um germe daquilo que se deve,no mínimo,retornar à comunidade em forma de prestação de serviço.Os estudantes tem de perceber que estão alienados do processo criminoso de marginalização da população pobre do lugar.
    Porque de fato muitas vezes passamos alheios ao ambiente que nos cerca,e nos isolamos fechados em nossa redoma de vidro que criamos na faculdade.É PRECISO ESTOURAR A BOLHA!
    Aliás,tem uma camisa que diz isso.

    • só quero estudar! disse:

      Ah claro! Por que vc não abre a redoma de vidro da sua bela casa no Maia? Seu hipócrita, burguês safado, falso moralista do caralho!!!!! Já que são tão bons assim pq não viram nossos funcionários e passam a preparar e servir as refeições aos alunos REGULARMENTE. Sejam solidários a nós!!! Trabalhe pra gente!!!! Otário.

    • indignado!!!!!!!! disse:

      estourar a bolha do seu cu … filho da puta!!!

    • Júlia Rosa disse:

      Ai coitado! Teve uma infecção? Que azar o nosso que foi só isso!

  9. Mário Medina disse:

    São poucos os comentários politizados entre os postados acima.Penso que para uma universidade de humanas ainda estamos muito pouco reflexivos.Se a direita raivosa discorda da ação grevista,o que é totalmente legítimo,que me convença no nível da argumentação e contra-argumentação. O discurso dos colegas contrários à greve é rasteiro,incipiente. Por mim vocês poderiam ser fascistas.A vida é de vocês.A escolha é de vocês.Fato é que esse comportamento hostil e infantil não passa de xingamentos jogados no vazio,quando poderiam muito bem utilizar esse espaço pra conquistar adeptos pelo discurso elaborado e sofisticado. PENSEM nisso!

    • só quero estudar! disse:

      Xingamentos não são nada perto do que vcs fazem.

      Derrubar e atear fogo em tapumes, pixar paredes, quebrar muros, ofender colegas contrários ao movimento, impor uma ditadura disfarçada de democracia, hostilizar funcionários e professores não lhe parece pior do que xingamentos? Ou a sua memória já apagou tudo isso?

      Não estou me inocentado do fato de xingar (e xingo mesmo!!!), mas isso não é nem sombra daquilo que vcs impõem.

    • Leila disse:

      discurso elaborados como o seu ou o do Juraci? faz-me rir!!

      • Leila disse:

        olha, no dia em que eu estiver escrevendo discursos feito os seus, ou fazendo graffites como os que fizeram no campus, acho que já estarei pronta para me jogar do precipício!

  10. Leila disse:

    e se o que dizemos é tão irrelevante, por que tentaram nos censurar tantas vezes? coerência não é mesmo o forte dos grevistas

  11. Alguns alunos do campus pensam assim: O que adianta sacrificar um semestre se as melhorias só virão após minha formatura? Essa gente pensa assim, sempre em primeira pessoa, não estão nem ai para as gerações futuras, comungam do velho ditado: “se a farinha é pouca, meu pirão primeiro”. Já pensaram nessa gente formada e ministrando aulas por ai? Já pensaram no teor de suas aulas ?(apostila neles!). Já pensaram quando os professores quiserem brigar por melhorias salariais? Qual serão suas posturas? Hoje se escondem atrás de psudônimos, amanhã se esconderão atrás de suas próprias sombras. Que biografias deixarão essa gente?

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