Estudantes rejeitam chantagem da Reitoria

Ontem, terça-feira, dia 29 de maio, os estudantes que estão ocupando a diretoria acadêmica rejeitaram a proposta apresentada pela reitoria. Na segunda, dia 28, a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE) deu o seguinte informe aos ocupantes: o reitor Walter Manna Albertoni pode realizar uma audiência pública na próxima quinta com os estudantes de Guarulhos em troca da desocupação da diretoria acadêmica e do bandejão.

A decisão de permanecer ocupando o campus foi tomada na noite de terça-feira e, nesta reunião, foram elencados diversos motivos para justificar esta atitude. Em primeiro lugar, porque a proposta não garante o atendimento das pautas, o motivo para o estopim do movimento no dia 22 de março. Em segundo lugar, porque manter a ocupação é uma forma de pressionar a reitoria e negociar com a diretoria desocupada dificultaria a conquista de nossos objetivos (prédio, moradia, bolsas etc.). Em terceiro lugar, e o mais grave, o que a reitoria estava propondo não era uma negociação, mas uma mera audiência pública. Ou seja, o reitor viria ao campus Guarulhos apenas para expor e argumentar a favor das ações de sua administração.

Os estudantes rejeitaram a proposta, no entanto, reafirmaram que desejam a abertura de uma verdadeira negociação para que a pauta seja atendida, mas que isso seja feito com o campus ainda ocupado.  Ou seja, se Walter Albertoni quiser se dirigir até a unidade de Guarulhos para abrir negociações o movimento aceita sentar e negociar, mas não aceita a chantagem repetida inúmeras vezes pela reitoria nestes quase setenta dias de luta: “coloque fim ao movimento que eu negocio”.

Cadê a negociação, reitoria?

A intransigência da reitoria em atender as reivindicações dos estudantes que lutam por uma universidade pública apareceu em diversas oportunidades nestes últimos dois meses. Em mais de uma ocasião foi acionada a força policial para reprimir o movimento estudantil, um grupo de alunos foi ameaçado de expulsão, foi elaborado um mandado de segurança que poderia multar em R$30 mil diários o Comando de Greve e até mesmo a intervenção da Tropa de Choque foi cogitada durante a primeira ocupação da diretoria acadêmica.

Este tipo de truculência, no entanto, não foi a única forma de ataque utilizado pela burocracia universitária. Até agora não foi apresentada uma única proposta de negociação real entre as partes envolvidas neste conflito: os estudantes e a reitoria. Nos referimos a uma “negociação real” porque a única forma que a reitoria aceita ouvir os estudantes é com estes colocando fim ao movimento. Quando havia apenas a greve, a proposta de Albertoni era que este apenas negociaria quando o movimento que paralisou as aulas chegasse ao fim. Agora, com a ocupação da diretoria acadêmica, algo semelhante se repete.

Ora, os estudantes estão em luta porque suas reivindicações não são atendidas. A nossa exigência de abertura de negociações, neste sentido, não tem um fim em si mesma. A negociação é um meio para conquistar a pauta e não o nosso objetivo final. Por isso, desocupar ou encerrar a greve para obter uma negociação não faz sentido. Até porque os estudantes poderiam por fim à luta e durante a negociação o reitor simplesmente não oferecer nada.

Por isso, nos manteremos em greve e ocupados até a vitória, ou seja, até o atendimento das demandas estudantis!

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16 respostas para Estudantes rejeitam chantagem da Reitoria

  1. Paridade Já! disse:

    Desta vez a voz dos estudantes tem será ouvida nessa Universidade. Paridade já nos Conselhos!

  2. Jeferson disse:

    Vocês grevistas realmente não sabem o que querem…
    Não foram vocês que tanto queriam o Albertoni no campus e até disseram que quando ele fosse a greve encerraria por parte dos alunos ?.
    Tanto se fala em intransigência e o que é que vocês grevistas fazem?.
    O que se deve fazer com quem depreda o patrimônio público e ocupa indevidamente um prédio federal ?.

    Considerem estas questões grevistas, já que pedir para refletirem nelas é abusar demais da capacidade de vocês.

    • Alpha disse:

      Isso para você ver que terminar a paralisação não é a meta dessa gente, quando uma reivindicação for satisfeita, outra aparecerá para justificar o que fazem. Para mim, eles são os menos interessados em qualquer coisa que beneficiem os estudantes, pois são os primeiros a prejudicá-los.

    • Desanimada disse:

      Gente…agora to confusa, na audiencia publica na ALESP não foi ninguem da UNIFESP, agora não querem aceitar o reitor, virou palhaçada. Ja pixaram, derrubaram o muro, o que eles querem agora??? Tocar fogo na UNIFESP? GREVISTAS TIREM A TITICA DE GALINHA DA CABEÇA DE VCS E SEJAM MAIS RACIONAIS…ridículos

  3. PARIDADE JÁ! disse:

    Paridade nos Conselhos Já! Desta vez a voz dos estudantes será ouvida nessa Universidade.

  4. Juca disse:

    Puta que o pariu, o Juraci me convenceu de que era fundamental, maestral e primário que o Albertoni fizesse uma audiência pública na Unifesp em Guarulhos. Eu tô me sentindo um puto! comido e abandonado. Vc mentiu pra mim Juraci! Porque?…hauahauahauahaua

    • Alpha disse:

      Aliás, todos os que acreditaram que a ida do reitor ao campus fosse a solução foram feitos de marionetes, esse grupo mais extremado só dispõe de truculência para se fazer valer, e para atingir tal fim, usou a boa fé até dos que ainda acreditavam em suas decisões. Lamento pelos que foram feitos de otário, e ainda mais por aqueles que, mesmo depois de tamanho absurdo, ainda acredita nessas pessoas como instrumentos de transformação.

  5. A audiência pública no campus é uma abertura pras negociações. No entanto, só devemos aceitar a proposta da negociação a partir da audiência enquanto o campus estiver ocupado!!! Trocar a ocupação pela audiência é o mesmo que se deixar levar pelos diversos comunicados que tanto prometem (somente prometem) o atendimento de alguns poucos pontos da pauta!! quando é que foi mencionado nesses comunicados a paridade no consu?! Antes o Albertoni só iria no campus quando acabada a greve, agora quer trocar a ocupação pela audiência!! faça-me o favor!!! Albertoni não trocamos seis por meia dúzia!!!

    • Mário Medina disse:

      Grande Marcinha! Ótima fala,companheira.Vc sintetizou maravilhosamente toda a questão a respeito da proposta do Tio Toni.

  6. EXTREMA DIREITA disse:

    Vcs querem é levar borrachada, seus insanos!!! Pra terminar a graduação de pseu-revolucionários com chave de ouro, não é?!

  7. estudante disse:

    Muitas pessoas estão cientes de que os processos não podem ser retirados, não pela Unifesp, não cabe ao reitor. O que eles afirmam é que querem um apoio político por parte da instituição, mas não deixam claro na pauta, isso já foi questionado, mas ficou por isso mesmo. Qualquer estudante que tenha dúvida sobre isso, é só consultar um advogado ou alguém dessa área e tirar a dúvida.
    Numa negociação, ambas os lados tem de ceder para se chegar a um acordo, não dá pra ganhar tudo e todas, e saber recuar quando preciso, não é vergonha nenhuma , e ser transparente nas informações com a classe estudantil, estando certos ou errados, para se chegar em algo realmente justo.
    Disseram na reunião com o reitor, que no M.E não há nomes etc, que a solicitação de audiência pública no campus era para que TODOS os estudantes pudessem opinar/votar e se negam a desocupar o campus quando ele cede em ir ao campus, sem ao menos ser convocado uma assembleia urgente para que TODOS os estudantes decidissem numa votação (justa), com contagem se necessário sim, para evitar favorecimento de quaisquer lados, pois o único que não pode ser prejudicado é o ESTUDANTE. O acordo seria pela desocupação, não pelo término da greve.
    Bom senso minha gente, bom senso, por favor!

  8. Daniel disse:

    a questão é clara…venha reitor fazer a audiencia…queremos-as….mas com o campus ocupado pq ela não é o fim em si mesmo, depois dela segue as negociações até o seu desfecho…

  9. estudante disse:

    Daniel, só uma pergunta. Por que as condições para essa vinda mudam a todo momento? Por gentileza, poderia postar a carta resposta enviada à Diretoria Acadêmica, e/ Reitoria sobre esse lance de desocupação, que conste todo o detalhes dessa nova condição? Foi enviado um documento não?
    Entendo que essa vinda não é o fim, faz parte do processo. Eu fico imaginando como será/seria, pois devidos as confusões nas últimas assembleias, como isso poderia ser organizado sem tanto stress? Não quero ser pessimista, mas fica difícil imaginar que terá alguma ordem, já que entre nós estudantes, não ela tem nos faltado, e muito.
    Grat@!

  10. Júlia Rosa disse:

    O que importa para essa gente nao sao os estudantes, mas a necessidade mostrarem o quanto sao poderosos as nossas custa! Terceira lei de Newton, ou lei da ação e reação:

    “A toda ação corresponde uma reação, de mesmo módulo, mesma direção e de sentidos opostos”

    Impunidade nao passara!

  11. Júlia Rosa disse:

    O que importa para essa gente nao sao os estudantes, mas a necessidade de mostrarem o quanto sao poderosos as nossas custas! Terceira lei de Newton, ou lei da ação e reação:

    “A toda ação corresponde uma reação, de mesmo módulo, mesma direção e de sentidos opostos”

    Impunidade nao passara!

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