Carta sobre o dia 28 de maio de 2012 – primeira segunda feira de ocupação

Escrevo apenas para deixar registrado, porém, acredito que assim que possível, irei verbalizar as mesmas palavras na plenaria da greve.

Gostaria de entender como vai funcionar o movimento, porque não foi tirado uma agenda do movimento de greve como vinha sendo feito ?

Ha diferença entre os estudantes mobilizados na greve e os estudantes da ocupação?

Porque agora a agenda é a “Agenda da ocupação” e não mais agenda do comando de greve?
O Comando de greve será suprimido das questões do movimento agora? uestões que vinham sendo construídas por todos? não haverá mais agenda de mobilização do comando de greve?

Quem é o comando de greve hoje ? quem chegar e lutar pelas pautas construídas coletivamente e pelo movimento construído coletivamente (como foi decidido em assembléia geral e como era feito), ou por quem esta na ocupação somente?

Como vai funcionar quem não esta na ocupação (independente que concorde com a ocupação ou não ) quem não esta por determinado motivo nao pode mais participar do que vinha a 70 dias sendo construido ?

ontem estive no campus, cheguei as 7:30 e sai do campus as 22:00, ninguém da ocupação ou fora dela sabia dizer se haveria plenária do comando de greve, alguns disseram que seria as 21:00 outro estudante disse que seria as 22:00. Questionei porque do horário tão tarde, um estudante respondeu que as reuniões de comissão estariam acontecendo e por esse motivo deveríamos esperar o termino dessas reuniões pra começar a plenária do comando de greve. Acontece que da hora que entrei no campus ate a hora que sai não vi reunião acontecendo, nem dentro da ocupação e nem fora, procurei por todo o campus junto de outro camarada estudante e não vi. Mesmo com uma proposta do reitor em realizar a audiência publica na quinta feira mediante desocupação na quarta feira próxima. O que vamos fazer?, o que vamos decidir pode ser deixado pra depois? Não era essa nossa luta a semanas, trazer o reitor no campus?, temos de orelha é claro, nada oficial nem documentado desta data por parte deles, mais podemos exigir que ele se comprometa para não dar pra trás depois da desocupação, e ai camaradas o que faremos ?

Felipe Valentim – CAPED – gestao “É Agora José!”

Resposta do ME a carta do companheiro:

Caro Companheiro Felipe Valentim 

A bem da verdade, a ocupação deliberada em Assembléia tem por objetivo pressionar a burocracia Acadêmica com a clara intenção a abrir um canal de comunicação, almejando um futuro comprometimento sobre a realização e efetivação da pauta.

Nós da ocupação entendemos que não há distinção entre a mobilização da greve e da ocupação, porque na prática somos o mesmo Comando de Greve executando as determinações da nossa Assembléia Deliberativa, que decidiu, pela maioria dos votos, a ocupação de todos os setores possíveis do campus.

Em hipótese alguma o Comando de greve deverá ser suprimido porque é parte efetiva de um mesmo movimento de luta. As questões que outrora eram coletivas continuam do mesmo modo. Na prática, a agenda do comando de greve tem se fundido com a da ocupação, embora com alguns imprevistos.

O Comando de Greve e Ocupação continua sendo formado por todas as pessoas que se apresentam para discussão e que estejam comprometidas com o desenvolvimento de nosso processo político. Todos são bem vindos e procuramos sempre respeitar a pluralidade de pensamentos. O Comando de Greve, agora unificado com a ocupação, continua a funcionar como no início do processo político, isto é, por todos aqueles que, do seu modo, sempre se apresentaram para as discussões, seja participando da greve ou da ocupação.

Aquele que, por motivos particulares, não estiver disposto a participar da ocupação, mas que se interessa pelo processo político, tem total liberdade de circular pela área ocupada, seja no bandejão ou na diretoria acadêmica, que participando de modo direto ou indireto, tem absolutamente, todo o direito de presenciar e participar das nossas reuniões.

Felipe, ontem foi um dia difícil. Com esse papo de Universidade Popular e Autogestão do RUt45 estamos tendo alguns problemas com as crianças, que literalmente, aprontam todo tipo de molecagem. Ontem por exemplo, fecharam o registro de água e tivemos um problema momentâneo relativo ao abastecimento que foi resolvido; agora dependemos apenas da vazão para o enchimento do nosso reservatório. Tal fato inviabilizou a nossa reunião.

Nós precisamos nos reunir com todos os interessados para uma resolução coletiva desta problemática da pauta com a reitoria. Sentimos bastante a ausência do Centro Acadêmico de Pedagogia nesta reta final, e aproveitando o ensejo, nos convidamos o CAPED para nos ajudarem na construção de um Projeto Pedagógico, para que neste momento seja possível uma experiência estudantil sobre Universidade Popular.

O ideal é que nada fique para depois, mas a realidade às vezes escapa ao que é planejado. Nesta reta final, pensamos que o movimento estudantil precisa de toda a força para o golpe final na serpente da reitoria e o CAPED poderá nos impulsionar muito neste momento decisivo. Gostaríamos muito de tê-los novamente caminhando ombro a ombro neste momento histórico que, sem dúvida, pertence a todo estudante consciente.

Chega mais companheiro, é tudo nosso. Certo de vossa compreensão, aguardamos ansiosamente o seu retorno e se possível sua presença. Abraços libertários!

 Comando de Greve e Ocupação

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9 respostas para Carta sobre o dia 28 de maio de 2012 – primeira segunda feira de ocupação

  1. CAPED e Comando de Greve-Ocupação em pé de guerra é muito patético. Eu estou rindo à toa. Cadê as companheiras Renata Rezende, Danila, Aninha, Roberta, Christian, Valéria, Jéssica, Ariane, Débora, Gabriela Rampazzo, Diego, Luis, Rildo, Felipe, Rotadi? Vocês já foram mais unidos e menos vaidosos. Já criaram menos intriguinhas pessoais. Mas enfim… Todos estão engajadíssimos em um comando que só menospreza vocês. Bem feito.

    O poder chega à cabeça e como a Pedagogia não é chegada dos manos, então danou-se tudo. Quer dizer, as moças são bem vindas, mas por outras razões que não convém explicitar. Mas a Pedagogia sempre será patinho feio para os iluminados da Unifesp. Chega de eufemismo, eles querem vocês para retaguarda e levar a bucha juntos. Afinal estão lutando pela educação pública e de qualidade, pelo 10% do PIB e contra o REUNI, é claro.

    Isso só demonstra que a ocupação pertence a um grupinho que permite ou não qualquer outro estudante participar ou “circular”, pasmem! E isso é encarado com naturalidade. Parabéns!

    • Jess Lice disse:

      A pedagogia tem participado ativamente, seja com críticas, seja ajudando na construção. E quase todos os nomes citados acima estão ativamente no processo.

      Seu comentário é ridículo e denota um preconceito de cunho machista extremamente ridículo.

      não vou me alongar porque com covardes que não mostram a cara, eu não desgasto meu coeficiente intelectual.

  2. chrisgaevytyb disse:

    Um momento, primeiro, gostaria de deixar claro que apesar de concordar em alguns pontos com o Felipe, aqui ele fala por ele e não pelo CAPed.
    Outra coisa é que não vi pé de guerra algum por aqui e patético é deixar um comentário cheio de veneno com nossos nomes, sem colocar o seu… bem coisa de gente sensata mesmo.
    Gostaria tbm que a resposta do “ME” fosse assinada pois apesar de ter uma ideia de quem seja, não acredito que todo movimento esteja de acordo com sua fala, pois o CAPed tem se esforçado para reunir os alunos de pedagogia nas reuniões do curso, realizadas com frequência e demais responsabilidades pertinentes à gestão. (Se for assim, não vejo tbm os outros CAs no comando de greve e nem por isso foram citados em sua resposta,) Estamos sempre no campus, tentando construir juntos no ME. Tem gente de todos os cursos, vamos parar com esse discursinho de tal curso não participa… blablabla…

    Abraços

    Chris

    • Jess Lice disse:

      Chris, essa carta foi escrito em resposta ao Felipe, pela comissão de comunicação formada na ocupação. Concordo que nessa parte:

      “Sentimos bastante a ausência do Centro Acadêmico de Pedagogia NESTA RETA FINAL, e aproveitando o ensejo, nos convidamos o CAPED para nos ajudarem na construção de um Projeto Pedagógico, para que neste momento seja possível uma experiência estudantil sobre Universidade Popular.”

      Parece que estamos ignorando a presença do caped, mas não foi nesse sentido que foi escrita a reposta. Até destaquei o “nesta reta final” pra deixar bem claro é que sentimos falta do caped como instituição mesmo, o que não quer dizer que as pessoas que compõem p C.A. não estejam participando, até porque na gestão, tem favoráveis e contrários a ocupação.

      E sim, o que vc colocou é válido, falta a presença de TODOS os C.A.s na construção da ocupação e muito anterior a isso, até na construção da própria greve. O caped dento dessa perspectiva é um dos mais ativos e todos reconhecem isso.

      Acho que era só pra esclarecer, porque ficou meio ambíguo o texto.

    • Jess Lice disse:

      Chris, essa carta foi escrito em resposta ao Felipe, pela comissão de comunicação formada na ocupação. Concordo que nessa parte:

      “Sentimos bastante a ausência do Centro Acadêmico de Pedagogia NESTA RETA FINAL, e aproveitando o ensejo, nos convidamos o CAPED para nos ajudarem na construção de um Projeto Pedagógico, para que neste momento seja possível uma experiência estudantil sobre Universidade Popular.”

      Parece que estamos ignorando a presença do caped, mas não foi nesse sentido que foi escrita a reposta. Até destaquei o “nesta reta final” pra deixar bem claro é que sentimos falta do caped como instituição mesmo, ajudando na construção do projeto de universidade popular – que vem sido debatido na ocupação.
      Isso não quer dizer que as pessoas que compõem o C.A. não estejam participando, porque a maioria está, direta ou indiretamente. Até porque na gestão, tem favoráveis e contrários a ocupação.

      E sim, o que vc colocou é válido, falta a presença de TODOS os C.A.s na construção da ocupação e muito anterior a isso, até na construção da própria greve. O caped dentro dessa perspectiva é um dos C.A.s mais ativos e que mais contribuem com a mobilização. Isso é inegável. As próprias críticas que surgem nesse cenário, são válidas e ajudam na construção.

      Acho que era só pra esclarecer, porque ficou meio ambíguo o texto.

    • Jess Lice disse:

      ah e importante frisar… Dentro da própria ocupação temos GRANDE participação do curso de pedagogia, devidamente representado por várias pessoas que estão participando ativamente do processo.Portanto não faz o menor sentido dizer que pedagogia não participa.

      E garanto Chris, nesse ano não ouvi em reuniões e plenárias nenhuma fala nesse sentido.

  3. Eis que quebro o meu silêncio virtual e ao quebra-lo me identifico, pois o anonimato, nestas condições, não beira nem a covardia. Minha intenção nessas (espero) poucas linhas, não são para refutar os comentários do Pedreiro, ou da Pedreira, mas tecer e tornar pública algumas impressões, inconclusas, sobre o nosso movimento estudantil.

    Eu costumo conceber, e posso pecar na reflexão óbvia, o movimento estudantil como uma UNIDADE extremamente HETEROGÊNEA, onde, apesar de buscarmos as mesmas finalidades, trilhamos caminhos diferentes. Muitos podem interpretar este fato como uma fragmentação das ações, mas a quem acredite que dividir e conquistar é uma ótima estratégia.

    Precisamos, antes de qualquer coisa, compreendermos o quanto essa, nossa, trama é complexa, pois não ha ingenuidade nas relações, mas sim posições e estratégias politicas! Nós nos usamos uns aos outros, numa complexa relação, nos momentos oportunos, hora impar, hora par . Divergimos e concordamos simultaneamente, mas, dentro de nossos interesses (diferentes e comuns!) nos apoiamos (mesmo que internamente em alguns pontos nos opomos), por um principio de categoria: a estudantil!

    No tocante a atuação do CAPED quero discordar da afirmação de quem escreveu pelo Comando de Greve e Ocupação, precisamos compreender que ha varias formas de agir dentro de um mesmo processo. Pessoalmente, acredito que microfone e retorica discursiva não formam um sujeito com consciência critica politizada, mas é com uma formação contínua e sistematizada, este é o compromissão desta gestão: fazer com que os estudantes, em especial os de pedagogia, participem ativamente dos rumos políticos tomados, aliais, este é um desafio para todos nós, brasileiros.

    Sobre o Projeto POLITICO Pedagógico que dará norte a este ideal de Universidade Popular,
    precisamos, antes de tudo, refletirmos sobre o nosso trabalho de base, aprender a lidar com as opiniões e ideias diferentes, enquanto houver dicotomia entre grevistas e não-grevistas nenhum Projeto de Universidade Popular se sustentara, pois este tem como eixo estruturante o COLETIVO.

    Luiz Paulo Ferreira Santiago
    Membro do Centro Acadêmico de Pedagogia Cecilia Meirelles

    • Jess Lice disse:

      Luiz, achei sue comentário pertinente. Vou falar um pouco na linha do que “debati” com Diego, membro tbm do CAPED (não sei se dessa gestão, mas membro ativo).

      Eu entendo que haja divergências em relação a ocupação e talvez até a forma como ela foi feita, até mesmo com o processo de mobilização, da greve e sobre como as coisas tem ocorrido. Natural! somos diferentes e para além disso, nos relacionamos com esse movimento de forma bem diversa, portanto cada experiência se dará de forma singular, formando uma opinião única que na maioria das vezes é divergente com todo o processo.

      Eu tbm não concordo de primeira com tudo que acontece na greve e na ocupação e garanto, ninguém lá concorda 100% tbm. A gente debate, discute, avalia, entra em consenso. E isso gera uma idéia geral do processo que é maturada através das discussões. A ausência nessas discussões nos leva a uma alienação do processo, nos impendido de entender o porque das últimas decisões daquele grupo de pessoas.

      O que eu quero dizer com isso?

      Para ser bem prática e sincera: A assembléia nunca foi um espaço de discussão. As reuniões de curso são, a plenária do comando é, as reuniões das comissões são. Os fóruns de discussões que constroe o movimento e as ações da mobilização são muito pouco frequentados, o que gera na maioria dos estudantes um estado generalizado de alienação em relação as questões discutidas nesses fóruns. Por isso, falar de construir a base e de fortalecer a união dos estudantes é um discurso (que para mim) é um pouco vazio nesse momento.

      Desde o inicio venho trabalhando ativamente na tentativa de construir essa união, esse diálogo (como pedagoga acredito demais na formação, na educação, na conscientização), no entanto, essas tentativas foram cada vez mais frustadas a medida que eu me apercebi que todo trabalho era um pouco inútil, pois as discussões políticas – e ai, sem a retórica das assembleias – que aconteciam ao longo dos dias não abarcavam a maioria dos estudantes, que nos dias não participam do processo. E pior, cada vez mais os argumentos para o fim da paralisação se pautavam em picuinhas estudantis e não em um debate politizado. Aí eu me perguntei, como resolver isso?

      Não tenho a resposta, você tem?
      acabar com a paralisação? tentar retomar o dialogo? Se sim… como?

      Vou colocar um dado concreto:
      Após declarada a greve em uma assembléia com mais de 1.000 alunos, foram feitas reuniões para compor o comando de greve. Quantas pessoas se apresentaram?

      MENOS DE 400. isso eu garanto com 100% de certeza. Olha a disparidade. Como 400 alunos conseguem construir algo que contemple POLITICAMENTE 3.000 alunos com diferente consciência e posicionamento político? Isso é inviável. Logo, é natural que cada vez mais o grupo de luta que está mais disposto a conquistar as pautas através dessa greve seja criticado por outros estudantes contrários a greve.

      não emito nisso julgamento moral. Para mim, E AI DIGO POR MIM, a greve e a ocupação se mostraram as armas mais poderosas que temos para conquistar as pautas nesse ano. Acho que os últimos acontecimentos (negação do pedido de r. de posse, contato do secretário geral da república sobre a nossa negociação) provam isso! E essa é uma analise minha, feita através de todo o debate político dessa greve e ocupação.
      (Eu que sempre fui contra tudo isso em outros anos, mas que desde o inicio desse me dispus a participar de TUDO, para construir essa greve).

      então Luiz, não crítico seu comentário não. Acho válido. Assim como disse para o Diego (que tbm falou nesse sentido), acho valida as críticas e nos ajudam a pisar um pouco no freio em algumas ações. No entanto, discordo da sua análise política do movimento e tenho divergências sobre alguns argumentos. Por isso é importante discutirmos, debatermos e construirmos esse processo, porque no fim, nesse momento, estamos com tudo a nosso favor na conquista das pautas.

  4. Jess Lice disse:

    Felipe… agora falo para você:

    Acredito que suas colocações são super válidas e são angústias que pautam boa parte dos estudantes que acreditam na greve e que defenderam ela por todo esse tempo. Por isso, faço da resposta a sua carta minhas palavras… O processo (de ocupação) é difícil e se mostra bem confuso no início. Toda a dinâmica muda e isso dificulta o cumprimento de horários. Para quem não pode estar na ocupação, isso é bem complexo.

    Dentro disso é lutar para aperfeiçoarmos nossa disciplina e organização, para que a ocupação possa EFETIVAMENTE contemplar todos os estudantes nas discussões. Agora digo, elas estão ocorrendo e os debates estão sendo feitos todos os dias, só não é feito em horários adequados, eu concordo.

    Então é toda força ao nosso movimento, com críticas SIM! Para construirmos cada vez melhor esse processo.

    estamos juntos.

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