O que é a universidade pública, a quem é destinada e qual sua função dentro da sociedade brasileira?

A universidade:

A universidade de ensino é assim chamada por abarcar diversas áreas do conhecimento; neste sentido, seu surgimento é anterior mesmo às práticas e noções políticas modernas. Acompanhando o desenvolvimento do pensamento humano, a universidade foi responsável por transformar não apenas o caráter político social, como também a noção de ciência engendrada na sociedade através de seu percurso histórico.

A coisa pública:

Como se sabe, desde a Revolução Francesa de 1789, a carta constitucional que se refere aos direitos do homem, independentemente de cor, credo ou raça, resgatou o conceito grego da coisa pública, entendido como parte constituída e constituinte de todo cidadão.

O financiamento:

É sabido que no Estado brasileiro moderno, as verbas para criação e manutenção das universidades públicas tem sua origem na arrecadação de impostos do contribuinte brasileiro. Entretanto, ainda que todos paguem, para a maioria da população, o acesso à universidade pública é negado.

O vestibular:

É sabido que o ingresso na universidade pública é permitido apenas para aqueles que conseguem ser aprovados no vestibular. Ser aprovado no exame vestibular implica ter sido preparado para tal, contudo, sabemos que a precariedade da escola pública não oferece condições mínimas ao ingresso na universidade, o que denota que o problema do Ensino Público em nosso país é estrutural.

Breve histórico:

O sucateamento do Ensino Público: o abandono do Ensino Público no país se iniciou na década de 60, período marcado pela falta de liberdade política devido à Ditadura Militar instaurada em 01/04/1964. Uma das primeiras medidas da Junta Militar foi reorganizar o currículo pedagógico das diversas escolas espalhadas pelo país, com o estreitamento das liberdades individuais a partir Ato Institucional número 5 (AI-5). A dinâmica opressora ultrapassou os muros da Escola Pública, atingindo as universidades. Centenas de professores universitários foram aposentados compulsoriamente, cassados e perseguidos. A partir daí, as políticas públicas para educação voltaram-se amplamente para a tendência neoliberalizante mundial, ou seja, a ideia da coisa pública cada vez mais deixada de lado, em detrimento das relações meramente voltadas à geração de lucro. Algumas escolas foram criadas exclusivamente para seguir este “novo” padrão, a saber: SENAI, SENAC, SESI, SENAT etc. Aqui começa a mercantilização do ensino em nosso país, culminando também na criação de escolas e universidades privadas.

Público X Privado: o conhecimento, ao ser atrelado a uma lógica de mercado, perde em sua essência, pois sua apreensão necessita de liberdade. Em linhas gerais: conhecer algo está além da atividade prática que esse algo pode proporcionar. Na lógica de mercado, o que se perde é o conhecimento de base humana em favor do conhecimento técnico, voltado e restrito para o mercado. As atuais empresas, ligadas ao sistema econômico vigente, diferentemente das antigas indústrias, lucram mais com a mão de obra especializada; enquanto no passado o trabalhador operário estava frente à máquina, hoje, com o processo de automação da indústria, um único operário especializado realiza o trabalho de dezenas de trabalhadores, gerando lucro apenas para as empresas, uma vez que o salário deste trabalhador, mesmo aumentado, não chega na proporção das dezenas de operários que ele substitui.

Vê-se daí que a Educação Pública tem sido rebaixada à negócio, já que as instituições privadas de ensino garantem à classe pobre somente o conhecimento necessário para exercerem determinada função apenas. Em contrapartida, o Ensino Superior Público tem a maior parte de sua verba redirecionada para cursos ditos altamente rentáveis, como medicina, direito e engenharia.

Conclusão: a universidade pública, portanto, na história brasileira, sofre um dilema. Como vimos, o acesso à universidade deveria ser destinado à maioria da população, o que não acontece, pois criou-se mecanismos baseados no discurso  do mérito, ou seja, o vestibular figura como a única porta de acesso à universidade num país onde há muito a escola deixou de cumprir sua função social, que é educar. Para a maioria da população que passa pelos bancos da precária escola pública brasileira, resta apenas o ensino pago, que é pautado primordialmente num ensino superficial e técnico, voltado apenas para a conquista de um emprego. A universidade pública que deveria favorecer verdadeiramente a democracia, na forma de acesso a todos, atualmente sofre o mesmo processo de precarização porque passou a escola pública, legitimando cada vez mais o ensino voltado exclusivamente para o mercado. Não é a toa que os médicos, advogados, engenheiros etc., desumanizaram seu trabalho, visando o ganho em contraposição à humanidade.

assinam essa carta um coletivo de alunos do comande de greve EM OCUPAÇÃO. 

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3 respostas para O que é a universidade pública, a quem é destinada e qual sua função dentro da sociedade brasileira?

  1. spirituarise disse:

    Não abarco a falta de habilidade para delinear os fatos históricos de forma no mínimo coerente de alguns esquerdistas, é somente eu ficar um tempo além e os incultos Foucaultianos se abocanham e começam a destilar seus delírios ao distorcer a verdade que a própria esquerda reconhece e abomina muito bem. A) A universidade não existe para formar cidadãos e sim profissionais, quer-se aprender para ser cidadão, comece por suas devidas casas. B) O Estado não tem que abonar a prosperidade de nenhuma pessoa em favor de outrem. O que ele tem de fazer é no máximo acomodar o ínfimo para que os indivíduos definam seu amanhã da maneira mais conscienciosa aceitável. C) As universidades públicas por si só, representam o sucateamento da educação, o estado não deve interferir na educação superior do individuo, pois a educação superior deve-se refletir na economia e não na cidadania, cidadania aprende-se em casa, sendo o estado mantenedor das universidades públicas, o vestibular é o caminho natural para a seleção e formação dos mais aptos ao modelo econômico, a ilusão começa ao crer que o formado irá devolver o investimento feito pelo estado, o que não acontece, a privatização é o melhor caminho para a manutenção da sociedade. D) O estado financia a formação dos melhores indivíduos, sendo assim, não se pode abrir as universidades a todo público, conhecimento em determinada função é investimento, não simplesmente educar, A coréia do norte tem um dos menores índices analfabetismos do mundo, é uma nação devastada com índice de desenvolvimento humano quase que inexistente, portanto, deve-se educar para fortalecer a economia, e não formar cidadãos do mundo ou cidadãos sociais. E) Não compreendo a distorção da realidade por meio de quem escreveu tal texto, é incoerente e medíocre, a educação durante o período militar era superior em todos os sentidos a educação que temos hoje, e educação superior somente existe para gerar lucro, quem discordar disso, por favor, apresente-me um bom argumento, pois a capacidade argumentativa de vocês é infantil e patética, novamente cidadania não precisa de curso superior sendo providenciado por toda a sociedade, o cidadão não deve financiar sua universidade, é impossível multiplicar a riqueza dividindo-a.

    Quanto aos analfabetos de humanas que escreveram esta medíocre matéria, pergunto-me, por que diabos o cidadão precisa financiar o curso superior de vocês, se este é o nível argumentativo e capacidade em humanas de vocês? Ou seja, são somente chantagistas da sociedade, pois é gasto uma fortuna e vocês não sabem nem o básico do que deveria saber, o triste é que isso é uma tendência quase que mundial de parasitas do cidadão e do estado, A principal força por trás disso é, pra variar, a influência nociva do estado. Creio eu que muitos dos que estudam em universidades públicas cursos de humanas, sequer sabem o que é a área de humanas, crêem que estão aprendendo a serem cidadãos e não profissionais.

    O estado, porém, remove a afoiteza da expedição acadêmica do indivíduo e remaneja para a sociedade por meio de financiamentos e instituições públicas. Ele institui uma excitação artificial para essa escolha.

    A seqüela é uma porção de analfabetos de vinte e cinco anos que nunca trabalhou na vida com um diploma de pedagogia, comunicação, Ciências sociais, Letras, Filosofia ou pior, direito, sem pendência alguma por seus ofícios. Nesses quatro ou cinco anos, eles poderiam estar fazendo geladeiras, costurando roupas ou fabricando/montando tablets e outros aparelhos, porém, não.

    Mas sem ansiedades ou inquietações… O Progenitor Estado tem uma solução brilhante para isso. Vão todos virar concurseiros e começar a trabalhar com trinta anos como fiscal de algum artifício pós-moderno criado pelo próprio governo.

    Enquanto isso, toda essa gente come, usa roupas, dirige carros, colocam seus filhos nas universidades, etc. A conta vocês sabem quem paga.
    Agora a pergunta que não quer calar, quanto de vocês são funcionários públicos? Almejam serem funcionários públicos, ou por que não, são sustentados por funcionários públicos?
    E por favor, o conhecimento dos guaribas que escrevem neste blog, é inferior a de uma criança de cinco anos, todos os cidadãos de bem pagam todas as suas necessidades (Da esquerda inteira), e o máximo que conseguem fazer, é isto?

    PÚBLICO – Estatal.
    PÚBLICO E DE QUALIDADE – Estatal e caro para o contribuinte.

  2. spirituarise disse:

    EDUCAÇÃO CIDADÂ – Doutrinação sofrida por crianças para que estas se transformem em novos homens de luta.

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