Comunicado da ocupação aos estudantes da Unifesp e à sociedade

No dia 31 de maio, quinta-feira, recebemos uma ligação de uma pessoa ligada diretamente à presidência da República que nos informou que iria intervir junto à reitoria para que fossem abertas negociações entre os estudantes e a universidade.

Esta situação mostra a que ponto chegou a intransigência  de Walter Manna Albertoni, reitor da Unifesp, que desde o dia 22 de março, início da greve estudantil, se nega a vir até o campus de Guarulhos negociar com o movimento estudantil. Ao invés disso,  a direção da instituição ameaçou em diversas oportunidades os grevistas e ocupantes, seja por meio de punições e até mesmo com a intervenção policial contra nossas ações políticas, desrespeitando direitos democráticos elementares como a liberdade dos cidadãos de fazer greve e expressar suas opiniões.

A própria Justiça negou o pedido de reintegração de posse, afirmando que o uso da repressão policial não solucionaria os problemas da Universidade. E, além disso, exigiram que a Unifesp comprovasse quais foram as melhorias realizadas na instituição.

Diante deste fato, reafirmamos que sempre estivemos abertos às negociações e, neste sentido, aguardamos um contato oficial sobre o tema. Por isso, continuamos em greve e com ocupação do campus até o atendimento de nossas reivindicações em defesa de um ensino superior público, gratuito e para todos. Portanto, em defesa da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH-Unifesp).

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3 respostas para Comunicado da ocupação aos estudantes da Unifesp e à sociedade

  1. OS ESTUDANTES E O CRITÉRIO DA VERDADE COMO CATEGORIA CONTRA O OPORTUNISMO!

    Diferentemente da carta assinada pelo Reitor Walter Manna Albertoni e o Diretor Acadêmico Marcos Cezar, oportunidade em que solicitaram retratação por parte da Folha de São Paulo, envolvendo inclusive as condições do local antes denominado “BANDEJÃO” (26/05/2012), atual SOLANO TRINDADE – o reitor publica sua contestação na seção OPINIÃO DA FOLHA DE SÃO PAULO, página A3 de 01 de junho de 2012.
    Nesta resposta à FSP a Reitoria apenas cita outro FACTÓIDE da burocracia do Campus Guarulhos, a tal queima dos TAPUMES, sabidamente apodrecidos e derrubados por uma forte chuva e que acabaram caindo sobre os veículos públicos, ou seja: era apenas LIXO!
    Esta linha de CRIMINALIZAÇÃO DO MOVIMENTO ESTUDANTIL vem sendo sistematicamente sustentada pelos DOCENTES ESCOLÁSTICOS (Currículo LATTES do SABER FOSSILIZADO). Em tempo: fazemos questão de não ABSOLUTIZAR, até porque existem DOCENTES que pensam e agem diferentemente daqueles reacionários e seu tutor que exerce a função pública de DIRETOR ACADÊMICO.
    Cabe ressaltar que o referido Diretor Acadêmico e seus FALCÕES DA CONGREGAÇÃO (OS ESCOLÁSTICOS), impuseram a tática de CRIAR FACTÓIDES com a evidente intenção de CRIMINALIZAR o movimento grevista. O que eles não contavam é que o tiro sairia pela CULATRA, muito semelhante ao CASO RIOCENTRO – FACTÓIDE GRAVÍSSIMO, articulado no período da DITADURA MILITAR.
    Relembramos o episódio em que mais de 30 estudantes e o Pró-Reitor Professor Leduíno fizeram longa reunião (mais de 4 horas de duração). Enquanto isto os FALCÕES ESCOLÁSTICOS E O DIRETOR ACADÊMICO aprovaram a ABERTURA DE SINDICÂNCIA CONTRA OS ESTUDANTES GREVISTAS.
    Nesta mesma linha um dos FALCÕES ACADÊMICOR utilizando a ESTRUTURA DA UNIFESP, articulou nova moção pedindo a punição de estudantes, sendo assinada por quase 90 DOCENTES (muitos desavisados). Este episódio acabou sendo o estopim da SEGUNDA OCUPAÇÃO, DESTA VEZ DE TODO O CAMPUS, aprovada por quase 100% dos ESTUDANTES EM ASSEMBLÉIA GERAL.
    Evidentemente não foram somente estes os motivos. Seria REBAIXAR A LUTA ao nível destes BUROCRATAS DO SABER ENGESSADO.
    A luta dos ESTUDANTES DA UNIFESP Guarulhos na sua própria pauta, construída inicialmente nas assembleias dos cursos (Ciências Sociais, Filosofia, História da Arte, História, Letras e Pedagogia) e posteriormente UNIFICADA em ASSEMBLÉIA GERAL DOS ESTUDANTES, tem outros fundamentos que foram base concreta para a EXPRESSIVA VOTAÇÃO DA GREVE GERAL EM GUARULHOS.
    Voltando às NEGOCIAÇÕES DE 2010: quem ainda tiver alguma dúvida quanto ao descumprimento do acordo que finalizou com a GREVE DE 2010, faça uma pesquisa e veja o fiasco daquela negociação.
    É impressionante a forma desdenhosa que estes burocratas trataram os estudantes; docentes (exceção dos FALCÕES ESCOLÁSTICOS) e técnicos. Na reunião de negociações de 2010 que durou mais de 5 (cinco) horas, todos os principais pontos não foram cumpridos, destacando a construção do prédio novo, programada para inicio de 2011.
    Muita gente ainda acredita no “MITO DA LICITAÇÃO” e não tem sentido. Basta pesquisar e teremos MILHARES DE LICITAÇÕES neste país entre 2007 E 2012, inclusive milhares de obras estão sendo realizadas do OIAPOQUE AO CHUI.
    Não precisa ir muito longe. A SUNTUOSA SEDE DA UNIFESP, próxima ao IBIRAPUERA, saiu neste mesmo período.
    Pensemos mais um pouco, o que esperar de uma REITORIA que publicamente, carregado de ironia em cima da questão da falta de estrutura adequada, que inclui o prédio, soltou uma pérola que ficou famosa na Unifesp Campus Guarulhos:
    “Se tiver DOCENTES capacitados e alunos com disposição de aprender, poderia ter aula até debaixo de árvores”.
    O mais incrível é que os agrupamentos oportunistas, fortemente apoiados pela Diretoria Acadêmica e Falcões Escolásticos, representados pelos ALPHACETES (ANALPHABETOS) e parte da Atlética e CONTRAPONTO, verdadeiros PRÁTICO-UTILITÁRIOS defendem outros MÉTODOS DE LUTA. Temos um nome para este outro método: ESPERANDO GODOT.
    Muitos acreditaram nesta lorota. Mas em 2012, finalmente, caiu a ficha do sonho da EXPANSÃO DO REUNI e como estrutura cada vez mais temos a PRECARIZAÇÃO DO CAMPUS, prejudicando o ensino de boa qualidade, meta de todos os estudantes.
    Após novo processo da Reitoria visando a reintegração de posse, deparamos com a surpreendente, mas coerente decisão da 1. Vara da Justiça Federal de Guarulhos: o MM. Juiz não concedeu a LIMINAR e ainda exigiu que a BUROCRACIA UNIFESPIANA em 5 (cinco) dias se manifeste no processo promovido pelos próprios, explicando o que fizeram entre 2010 e 2012 para atenuar este estado de coisas.
    Fica a pergunta: cabeças vão rolar desta burocracia no mínimo incompetente e teremos efetivas TRANSFORMAÇÕES ou vamos acabar em PIZZA – o caso “CACHOEIRA” aponta esta percepção, punindo aqueles (ESTUDANTES) que LUTAM CONTRA este estado de coisas!
    Que fique bem registrado: quem perpetua este estado de coisa tem nome e são representados pelos OS DOCENTES ESCOLÁSTICOS PRÁTICO-UTILITÁRIOS, SUJEITOS QUE DETERMINAM O PADRÃO IDEOLÓGICO DAS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS e consideram os ESTUDANTES como simples OBJETOS DEPOSITÁRIOS DO SABER, perpetuando o PRATICISMO UTILITÁRIO.
    Depois de todo este ESTADO DE COISA, ainda temos de passar por outra “marcha da família com Deus pela liberdade”, materializada no evento convocado pela REITORIA denominado:
    “ATO EM DEFESA DA ESCOLA DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS PELO DIÁLOGO ENTRE OS SEGMENTOS DA UNIVERSIDADE E PELO ENCAMINHAMENTO DAS REIVINDICAÇÕES COMUNS”.
    Agora estamos aguardando quem vai assumir as negociações, uma vez que fomos ludibriados, inclusive pelo órgão máximo da Unifesp (CONSU)!
    Confiar em quem nesta instituição?
    Sabemos que nos ESTATUDOS DA UNIFESP, acima do CONSU temos o MEC e a PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, verdadeiros responsáveis no encaminhamento das verbas para a UNIFESP.
    É o momento dos estudantes ocupados, independentes ou não, fazerem uma ANÁLISE DE CONJUNTURA, contrapondo o CAMPO DO DESEJO COM A REALIDADE, sem falar ainda de uma análise precisa das CORRELAÇÕES DE FORÇAS.
    Não podemos abrir espaço para amadorismo ou oportunismos, reforçando a proposta de OCUPAÇÃO POLÍTICA, bem diferente de uma república de estudantes. Temos de ser precisos no QUE FAZER?
    Como pontos centrais e de acordo com os OBJETIVOS DESTA GREVE GERAL E OCUPAÇÃO, devemos centrar nos principais eixos constantes na PAUTA DE REIVINDICÇÕES DE 2012:

    1. Contra a repressão e criminalização do movimento estudantil, materializado nos processos movidos contra os 48 ESTUDANTES em 2008 e as novas sindicâncias e processos em 2012.

    2. Democratização da UNIFESP

    3. Infraestrutura

    Os DOCENTES ESTÃO EM GREVE e devemos discutir uma pauta em comum, uma vez que o ANDES NÃO TRAZ NA SUA PAUTA OS 2 (DOIS) PRINCIPAIS PONTOS QUE GARANTEM QUALQUER LUTA: 1. CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DO MOVIMENTO DE ESTUDANTES, DOCENTES E TÉCNICOS e, a 2. DEMOCRATIZAÇÃO. Itens que dependem apenas de VONTADE POLÍTICA!
    Caso contrário MEIA DÚZIA DE OPORTUNISTAS, ENTREGUISTAS e outras entidades externas CONCILIADORAS E OPORTUNISTAS acordem o MASSACRE daqueles que lutaram desde 22 de marços por uma UNIVERSIDADE PÚBLICA, GRATUITA, UNIVERSAL E DE BOA QUALIDADE.
    Coletivo Filosofia da Práxis
    Campus Guarulhos

  2. 11aa22bb disse:

    “Criminalização” depende de considerar o que seja crime. Gostaria de solicitar aos administradores deste blog que coloquem à disposição de seus leitores a queixa-crime por meio da qual os “48 estudantes” estão sendo processados. Primeiro, para que conheçamos as pessoas envolvidas; segundo, para que conheçamos os delitos que os acusam. Considerando a atual greve, se um aluno for processado posteriormente por pichar um muro da universidade, não está sendo criminalizado o “movimento estudantil”: está criminalizada a atitude desta pessoa, e esta atitude, fatalmente ilícita, não representa um movimento estudantil. Por exemplo, o reitor, se ele pichasse a sede da reitoria com os dizeres “FIM DA CRIMINALIZAÇÃO DO MOVIMENTO REITORISTA”, não estaríamos criminalizando todos os funcionários da reitoria, apenas o reitor, que pichou o muro. De modo que é preciso coibir também dentro do movimento estudantil os excessos, já que não é correta a luta democrática que se valha de ações de ilicitude. E luta, neste caso, não é enfrentamento físico; então também não deve depredação.

    “Confiar em quem nesta instituição?”. De fato, esta frase resume tudo. Confiar naqueles que estão ocupando a universidade? Naqueles que são contra a greve? Nos que são a favor? Na reitoria? Um dos problemas desta greve é o fato de que cada ala da discussão parece querer se colocar mais verossímil do que as outras, mais verdadeiro. Nenhum lado é dono da verdade. Todos temos um teor de erro e acerto no discurso. Justamente causado porque a greve é uma forma de romper com a hierarquia da universidade. De certa forma, negociando através da greve todos se colocam no mesmo patamar de importância. De certa forma, aluno, professor e administração estão lançados na mesma confusão, conversando como se todos estivessem na mesma escala hierárquica. Isso é bom. Cada um cobra a responsabilidade do outro. Os alunos cobram responsabilidade da reitoria; os alunos cobram responsabilidade do professor; professor cobra responsabilidade da reitoria. A reitoria cobra do professor.

    Mas e A RESPONSABILIDADE DOS ALUNOS? QUEM COBRA?

    Os alunos não têm que se imaginar como um lado da questão que só tem direitos a cobrar e não tem deveres a cumprir. No funcionamento da universidade, o aluno também tem o seu papel. Por que desconsiderar isso? Por que pensar que podemos, nós alunos, falar o que quisermos, quebrar o que quisermos, pichar o que quisermos, enfim, porque não reconhecer que o ato de exigir é paritário ao ato de sermos exigidos?

    Por que os alunos, entre si, não pode exigir responsabilidade de si mesmos? Isto é o que boa parte dos não-grevistas querem: querem uma ação coletiva com responsabilidade. Isso é possível e os resultados são/serão os mesmos. Já nem é mais o caso de entrar nessa discussão de “a favor vs. contra” a greve. Os professores estão de greve também, é uma greve geral. A discussão deve ser trabalhada no plano da responsabilização: só tem direito a exigir aquele que cumpre quando lhe é exigido. SÓ TEM DIREITO A EXIGIR DEMOCRACIA QUEM A PRATICA. Eu reconheço, por exemplo, o direito daqueles que não querem se identificar, porque eu mesmo não me identifico. Se o voto em assembleia é anônimo, por que me identificar aqui? (esta é a minha explicação).

    E não é viável à discussão os comentários deste blog que costumam sempre rotular as pessoas. E isso vai desde “falcões escolásticos” a “capivaras”. Por favor, procuremos nos manter tratando de ideias, sem adjetivar os colegas.

    Incitar o ódio só vai proporcionar que um lado queira ver a sua opinião vitoriosa, quando numa universidade todos os envolvidos deveriam sair vencedores. Todos se beneficiam com uma boa instituição. Creio que o termo “universidade” esteja relacionado a esse “universo”, essa “totalidade”.

  3. Sou aluno de graduação em LPC do campus Diadema. Estamos em greve tambem e apoiamos todos os movimentos estudantis e docentes que privam pela qualidade do ensino superior e, principalmente pela valorização da educação. Se hoje estamos vivendo uma falencia do ensino é porque os interesses da classe dominante vem prevalecendo sobre todos os demais interesses coletivos. Acho que é preciso mudanças e, mudar requer lutar, dialogar e conquistar. Não vejo na história, recente ou não, conquistas apenas com promessas, mas com lutas, lutas pela verdade, pela justiça. Já passou a hora de nos mobilizarmos e mobilizar tambem toda a população em prol de uma educação melhor para seus e nossos filhos. Vou me formar em professor e, confesso, tenho me desanimado e decepcionado bastante pelo que vejo. É vergonhoso sermos a sexta economia mundial e termos uma classe politica tão pobre, tão mesquinha, cancerosa, uma categoria atrasada no tempo. Talvez seja ai o seu ponto fraco e onde devemos atacar : a sua ignorancia, sua falta de visão. Sua estrutura podre está em frangalhos, vejam pelo mundo todos os problemas causados por suas atitudes pequenas. Somos cientistas, não donos da verdade absoluta, mas seres que se prestam ao desenvolvimento da sociedade, da natureza, da politica. Temos a cultura, o estudo, o conhecimento ao nosso lado, errar, claro que erramos mas temos o dom, o objetivo firme em nossas convicções e procuramos consertar, as vezes voltando atras, mas ainda assim firmes no proposito de transformar visando sempre o homem como o bem maior e suas relações com a natureza, com o mundo e expandindo um pouco mais, com o universo que nos cerca e não enxergando nosso planeta e nosso pais como fonte apenas de uma exploração desenfreada como gafanhotos em uma plantação devastando tudo sem pensar no amanha. Acho que temos que ter amanha ou preparar o caminho para que outras gerações tenham, pelo menos um presente. Por isso estamos em greve, pelo direito ao crescimento intelectual, isso claro, é uma afronta sabemos, por isso temos que ter coragem e no embate cara a cara a educação é sempre superior a esses elitistas ignorantes e presunçosos, não vamos recuar. abraços a todos.

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