Sobre a postura política da Adunifesp na Assembleia Geral dos docentes da Unifesp

Qual o papel histórico e social dos sindicatos na luta dos trabalhadores e da juventude?

Qual a posição da Adunifesp frente à Greve Estudantil com Ocupação?

Pode-se não concordar com o método de luta, mas dizer que não é legítimo é no mínimo equívoco político ou pior, ser contra a luta.

Alunos integrantes do Comando de Greve com Ocupação do Campus Guarulhos, na tarde de ontem, 04 de junho, solicitaram a palavra para passar informes do movimento de greve estudantil. Primeiramente, houve a recusa da direção do Sindicato; se não fosse o pedido de alguns professores, a fala de 1 minuto dos alunos não teria sido feita. Com isso, foi impossível passar os principais informes acerca da mobilização dos estudantes, proposta de negociação, pauta de reivindicação etc.

O argumento dos diretores do sindicato, Soraya e Carlos Belo,  era o de que os estudantes presentes não faziam parte da direção de uma entidade. Muito legal esse argumento, Adunifesp! Mesmo não fazendo parte da direção de entidades, estes estudantes participam ativamente das atividades do centro acadêmico. Entendemos que devido ao tempo não daria para ler a carta e compreendemos que uma assembleia de outra categoria não é o lugar para se aprofundar o debate. Está clara a postura dos membros da Adunifesp que se pronunciaram.

Fica uma pergunta: como explicar que a ocupação do campus deliberada em uma assembleia com quórum não é legitima como afirmou Marineide, outro membro do sindicato? Pode-se não concordar com o método de luta, mas dizer que não é legítimo é no mínimo equívoco político, ou pior, ser contra a luta. A declaração pública de um dos membros da Adunifesp foi de que a ocupação do campus Guarulhos pelos estudantes é ilegítima. Vale lembrar que esta luta é em defesa do ensino público e contra o projeto mercantilista e privatista do REUNI, que precariza as condições de trabalho e o ensino público, do qual nós fazemos parte e temos o dever de defendê-lo contra as medidas governamentais.

O posicionamento do sindicato docente é muito ruim, tanto historicamente quanto socialmente. Durante estes longos dias de greve a nossa luta sofreu e sofre muitos ataques desde ameaças de punição, repressão policial e criminalização do movimento estudantil. A reitoria da universidade se nega a vir ao Campus Guarulhos negociar com os estudantes que têm uma pauta de reivindicação muito bem definida e que mesmo antes da ocupação inúmeras vezes propuseram ao reitor sua vinda ao campus para estabelecer uma mesa de negociação.

Como explicar também que uma categoria pode sair da greve sem negociar (primeira proposta da Reitoria) e agora, sair da ocupação para negociar (segunda proposta da Reitoria) ou Tropa de choque, processos políticos e criminalização do movimento estudantil (proposta e ação permanente da Reitoria). Passou da hora de definirmos os aliados contra a Reitoria e as políticas de sucateamento da nossa universidade.  Todas as vezes que fomos assembleia docente solidarizamos nosso apoio à greve e estamos buscando unidade das lutas.

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2 respostas para Sobre a postura política da Adunifesp na Assembleia Geral dos docentes da Unifesp

  1. Estudantes,
    “O barato é louco e o processo é lento”. Estamos experimentando as contradições do Reuni e da burocracia acadêmica. A vida é louca mesmo, afinal somos obra do acaso!
    Em 2010 em torno de 150 estudantes votaram pela continuidade da greve, sendo derrotados pela maioria que acreditaram nas negociações realizadas com a Reitoria, tendo o CONSU avalizado. É verdade que, a exemplo de 2007 e demais anos algumas conquistas foram alcançadas, no entanto, foram apenas medidas para “apagar e separar as brasas”. As promessas de início das obras em janeiro de 2011 foram falácias.
    O pior o Diretor Acadêmico colocou os tais TAPUMES no final de 2011 para novamente “criar a sensação de que algo iria acontecer no início d2 2012″. Outros problemas foram surgindo, como as enormes filas para o ônibus, copiadora, biblioteca (que por falta de espaço, mantém arquivado enorme quantidade de livros), restaurante deficitário (e tem estudantes que “passara mal” após as refeições e hoje tem explicação – nexo causal) entre outros.
    O Departamento de Ciência Social leu um manifesto na CONGREGAÇÃO no final de 2011 que, embora discordamos dos encaminhamentos (locações fora de Guarulhos e que não era citada), deixava claro que em 2012 com mais de 500 calouros a corda se romperia. Vale lembrar que docentes influentes neste departamento estiveram reunidos na IGREJA NOSSA SENHORA DA PENHA, sondando um novo imóvel para transferir a UNIFESP CAMPUS PIMENTAS PARA SÃO PAULO.
    Na reunião com um dos dirigentes desta igreja, pertencente a um grupo que defende a manutenção da ARQUITETURA DO LOCAL, antigamente utilizado pelos SEMINARISTAS (tem outro que pretende vender o local para uma CONSTRUTORA). Além de repassar os dados do contato (UMA DOCENTE DE CIÊNCIAS SOCIAIS), comentou que o CONTATO DA UNIFESP esclareceu que existia uma DIVISÃO NO PT, onde alguns defendiam a MANUTENÇÃO DA UNIFESP NOS PIMENTAS E OUTROS QUERIAM SÃO PAULO.
    Tudo indica que esta questão está PACIFICADA NO PT. Agora, resta uma pergunta que não quer calar: COMO UMA LICITAÇÃO PODE DEMORAR MAIS DE 5 ANOS PARA SE CONCRETIZAR?
    Não tem sentido, até porque a própria sede da UNFESP saiu no mesmo período e, diga-se de passagem, seu custo total não deve ser coisa pequena. Será que foi realizado sem LICITAÇÃO? Na frente da UNIFESP CAMPUS GUARULHOS, mais de 500 UNIDADES DE APARTAMENTOS FORAM CONSTRUIDAS EM MENOS DE 3 ANOS. Claro, talvez por ser de iniciativa privada, não deve ter passado por LICITAÇÕES, mas a velocidade das obras foi impressionante.
    Pacificada a UNIVERSIDADE FEDERAL DO ALTO DO TIÊTE – resolve-se a questão UNIFESP x USP (se sair, uma vez que tudo que vem a tona acaba sendo desviado dos caminhos políticos carregados de intenção), agora resta ao REITOR, a Diretoria Acadêmica e parte da Congregação que sustentou esta PRECARIZAÇÃO, explicar para o MM. JUIZ o que fez desde 2010.
    Ainda em 2011 quando a assembléia geral não aprovou a greve, alguns estudantes até se “ajoelharam”, satisfeitos com a sua “vitória” pela derrota da greve, vemos que o SENSO COMUM e a alienação (alguns com interesses pessoais e que influenciam certa parte dos estudantes) ainda são forte. Vale a pena estudar a pesquisa sócio-econômica da própria UNIFESP, via APRAE com mais de 100 páginas, caracterizando a massa estudantil do Campus Guarulhos, talvez a PARCELA MAIS POBRE DE TODA A UNIFESP e entender o quanto a miséria e precarização é condicionante para massas de manobras.
    Claro, o fator da miséria é apenas uma condicionante, existem outros fatores ligados ao praticismo-utilitário que permeiam os estudantes de Guarulhos, inclusive o conceito de OPORTUNISMO INDIVIDUALISTA.
    Agora, existe outro FENOMENO além das disputas das correntes vanguardistas de esquerda ou de direita (BUROCRACIA, DOCENTES, ESTUDANTES E TÉCNICOS): o conceito de democracia operária.
    Oras, se até 2012 as reações e oportunismos foram contra a greve, que fator existe para que seguidamente – mesmo com TODOS OS ATAQUES E TENTATIVAS DE MANIPULAÇÃO DOS CONTRÁRIOS À GREVE, grande maioria dos ESTUDANTES GARANTISSEM A GREVE E A OCUPAÇÃO POLÍTICA – que a BUROCRACIA INSISTE EM CARACTERIZAR COMO ESBULHO POSSESSÓRIO?
    De um lado temos o REUNI que, fazendo uma análise simples ENCANTOU e colocou na universidade massas de estudantes que não teriam condições de entrar na USP, UNICAMP e outras universidades públicas com forte caráter elitista. Do outro lado, a CONTRADIÇÃO RESULTANTE DA PRECARIZAÇÃO do Campus Guarulhos (e não ocorre somente em Guarulhos), tirou os estudantes desta letargia e acomodação, até porque estava apontando o comprometimento dos futuros DIPLOMAS FEDERAIS, colocando em risco seu futuro acadêmico ou profissional.
    Este texto é uma pequena contribuição, claro que existem outros elementos, temos mais de 3.000 estudantes que podem e devem contribuir na construção de uma CARACTERIZAÇÃO COLETIVA e, ao saber exatamente que “UNIVERSIDADE TEMOS”, podemos dar um salto de qualidade para “QUE UNIVERSIDADE QUEREMOS”, resgatando uma discussão que vem sendo escamoteada na PRÁXIS ACADEMICISTA há séculos.
    Todos sabem, ou pelo menos devem ter ouvido falar, que as UNIVERSIDADES desde o período da ESCOLÁTICA estavam a serviço de uma ideologia e isto não é diferente nos dias atuais. Esta dualidade onde temos uma universidade para formar uma ELITE e outra para formar MÃO DE OBRA PRECARIZADA PARA DAR AULA EM ESCOLAS PÚBLICAS E PRIVADAS, reservando a POUCOS ESTUDANTES o caminho da PÓS-GRADUAÇÃO E DOUTORADO, dentro da lógica POSITIVISTA E ACADEMICISTA é um modelo que deve ser discutido e, A LUTA DA UNIFESP, traz esta oportunidade.
    A sensação é que ainda não temos idéia do que estamos “mexendo”. Mas pelas ações fortemente caracterizadas (odiosas) de alguns DOCENTES, tudo indica que estamos no caminho certo. É um momento histórico, quem viver verá!
    A luta continua, temos uma pauta – é verdade, mas o que está em nossas mãos (DOCENTES, ESTUDANTES E TÉCNICOS) é algo que pode resultar em GRANDES E EFETIVAS TRANSFORMAÇÕES NA ACADEMIA. Esta tarefa não é para MEIA DÚZIA. Tem muita gente escrevendo e lutando por uma universidade que pense em HUMANIZAR A HUMANIDADE e não dar continuidade a mais uma geração de PRÁTICO-UTILITÁRIOS.
    O filósofo Adolfo Sánchez Vázquez, falecido recentemente, deixou uma contribuição (claro, tem outros): A FILOSOFIA DA PRÁXIS. .
    É bom reforçar (provocar) que em geral o único momento REVOLUCIONÁRIO para grande parcela da humanidade é o famoso “TAPA NA BUNDA” quando nasce, viabilizando sair do meio aquático (liquido amniótico) e respirar o oxigênio, botando os pulmões para funcionar (que revolução biológica).

    Depois, no geral, ficamos ANESTESIADOS a procura de um sentido para a vida (puro idealismo – sustentado inclusive pelas universidades) com tanta coisa para fazer e um UNIVERSO INTEIRO PELA FRENTE e a matéria traz tantas coisas belas – muito superior ao mero CONTO DE FADAS. Devemos nos perguntar: SE TEMOS UM BELO JARDIM PRODUZIDO PELA NATUREZA (ou pelas mãos humanas) – PORQUE INVENTAR FADAS?.

    Como indicação, sugiro o livro “A Magia da Realidade” do polêmico cientista Richard Dawkins.
    Vamos à luta e, tenho plena concordância com as diretrizes do COMANDO DE GREVE E OCUPAÇÃO: estamos abertos para sentar com os DOCENTES em greve na Unifesp Campus Guarulhos. Eles representam uma categoria e estão em luta por melhores condições de trabalho (como os TÉCNICOS lutaram em 2011), carreira e salários – afinal: é um bom caminho seguir a lógica do “produtivismo acadêmico”?
    Quanto à caracterização acima, caso esteja errada e for apenas UM DESEJO fora da REALIDADE, sem problemas, errar é humano, aliás, demasiadamente humano.
    Até a vitória!

    • oautentico disse:

      “COMO UMA LICITAÇÃO PODE DEMORAR MAIS DE 5 ANOS PARA SE CONCRETIZAR? ” Se o que você está dizendo é verdade, a situação é muito mais greve do que todos possam estar imaginando.

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