Diário da Ocupação – Última Edição

Considerações críticas de um desobediente[1]

Hoje, 13 de junho faz uma semana de desocupação da Diretoria Acadêmica e de todo o campus. Os estudantes grevistas realizaram a ocupação como forma de ato político para atendimento da pauta de reivindicação.

Esta é a última ediçaõ deste Diário da Ocupação. Queremos agradecer, independente das divergências políticas, aos camaradas que acompanharam lendo os textos, dando sugestões e apoiando a luta.

Bem, são muitos os testemunhos do dia 06 de junho, sem dúvida, muitas experiências ficaram. Já ouvi muito o termo político-pedagógico, e a cada acontecimento aprendo mais neste processo, entendi com clareza o significado deste termo.

Ontem, 12 de junho no ato conjunto dos docentes e estudantes da UFABC, UFSCAR e UNIFESP, ouvi de duas professoras da Escola Paulista de Medicina, palavras de solidariedade aos presos políticos, dizendo que a ocupação cumpriu o seu papel. Ouvi também delas relatos que na vila Clementino existem salas com goteiras, situação que vivenciaram durante o seu trabalho.

Apesar de tudo o que dizem de contrário ao movimento estudantil, me convenço mais de que estamos no caminho certo e de que a convicção das posições e da postura militante não se abalaram e não se abalam com o desrespeito deliberado que escondem por trás de si uma posição política.

Não tem como nesta edição do Diário narrar as diferentes percepções daquele dia em que presenciamos a Tropa de Choque e a Polícia Federal invadirem o Campus da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Paulo para reprimir a luta política em defesa do ensino público.

O reitor Albertoni, até aquele momento (76 dias de greve) se negou a vir a Guarulhos para negociar com os estudantes. O uso da força armada e invasão policial do campus demonstraram como a Reitoria trata os discentes. A autonomia universitária, bandeira histórica do movimento estudantil, mais uma vez foi violentada.

Na reunião de hoje do CONSU, Conselho Universitário da UNIFESP, os estudantes apresentaram uma carta exigindo a destituição de Marcos Cezar, Diretor Acadêmico da EFLCH. Ele é um dos principais responsáveis pela criminalização do movimento estudantil. Como podemos verificar, o movimento grevista questiona a estrutura de poder da universidade. Para quê precisamos ter um diretor? Outro dia escutei de um estudante: imagine um mundo sem Reitoria.

Resta a curiosidade de saber o porquê da maioria dos nossos docentes não se posicionar publicamente referente aos processos do ano de 2008 contra os 48 estudantes e a recente prisão de 46 estudantes. Não faltam meios de comunicação para expressarem suas opiniões e não se trata de unificação de pontos em comum, apenas um questionamento.

Encerramos esta edição, acreditando que amanhã vai ser maior[2] e que o movimento pela transformação da universidade ganhará mais força com a adesão de outros setores da UNIFESP. Por último deixo uma citação:

Sobre o limite das ideias

“Ideias nunca podem levar além de um antigo estado de coisas. Apenas podem levar além das ideias do antigo estado de coisas. De resto, ideias nada podem realizar. Para a realização de ideias são necessários homens que ponham em jogo uma força prática”.

Marx, Karl e Engels, Friedrich- A Sagrada Família, Oeuvres, t. III, p.194, Mega.


[1] Os presos políticos responderão por desobediência a uma ordem judicial.

[2] Grito de guerra do movimento estudantil.

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7 respostas para Diário da Ocupação – Última Edição

  1. LArs Cameschi disse:

    Resistência pacífica, mas não passiva contra as injustiças.
    Gandhi

  2. Alpha disse:

    Fico aqui na expectativa de quando é que esse movimento soltará qualquer tipo de texto cujo objetivo seja a autocrítica, pois mesmo essa invasão se dando da forma como se deu, ou seja, sem apoio discente e fomentada por um grupo que simplesmente tomou o campus para si, ainda assim muitos insistem em colocar o mundo tão somente sob a óptica dos próprios termos, recusando qualquer tipo de ponto-de-vista que seja alheio ao seu. O meu comentário se refere a alguns pontos que julgo pertinentes a uma interpretação mais circunstanciada desse texto.

    Para começar, quem viu o vídeo com a audiência realizada em 08/05 entre o reitor e um grupo representante dos alunos, notou que ele se prontificou ao campus na semana seguinte ao fim da greve, sem contar que depois houve uma nota da reitoria em que ele continuava a se dispor a ir, no entanto, esse grupo que se diz “representante discente” deixou-se tomar pela vaidade e simplesmente resolveram fazer queda de braço. Lembro bem que na assembleia do dia 10, quem pegou o microfone para falar sobre a vinda do reitor ao campus, negou categoricamente e dizia em alto e bom som que ele havia se recusado, mas quem via o vídeo notava que se tratava de uma interpretação tendenciosa.

    No tocante à invasão, muitos dos que participaram estão atribuindo a si próprio o status de “prisioneiro político”, o que é ridículo, dado que sequer houve prisão propriamente dita, a não ser que alguém me mostre uma ordem de prisão e me explique como era possível considerar-se “preso” se eles sequer ficaram em cárcere, podiam falar livremente ao celular e até parentes levaram fast-food para lá. Acredito que 13 horas no prédio da Polícia Federal para cumprir um expediente que é consequência de uma ordem judicial não faz de ninguém um “preso político”, pelo contrário, faz de quem afirma tal coisa um “piegas de primeira linha”. Vale ressaltar que eles estão se atendo apenas à parte que lhe interessa, mesmo ela sendo ridícula e insustentável para os propósito de se tornarem “mártires estudantis”, porém, não se pode perder do horizonte que todo esse “papelão” foi arquitetado por eles mesmos ao invadirem um prédio público mesmo sabendo das consequências, mascarar isso num “ato político” é insultar até mesmo a inteligência mais vulgar. Por isso que querer a destituição do diretor do campus é tão ridículo quanto o motivo que leva aquele a propor tal coisa, pois não se está falando de um ato deliberado do diretor ou do reitor que simplesmente chamou a polícia lá, quem acompanhou isso vê que a polícia só foi lá em último caso e não foi porque o a alta direção da unifesp quis, ela foi por uma determinação judicial.

    Particularmente, não sei o que se passa na cabeça de alguém que se presta a isso. É possível que algum surto de soberba faça-o concluir que é uma pessoa indispensável ao mundo, isto é, que a realidade deva se configurar de forma que, por ele ser um estudante de humanas, a vida fique “mais fácil”. Penso haver no imaginário desse grupo que estudante é imune a qualquer tipo de lei ou regulamento, tudo sob a máscara do “ato político”, e tais palavras devem sim ficar entre aspas em relação ao que eles dizem porque quaisquer considerações que façam, elas sempre estarão sob seus termos… e como bem sabemos, é fácil ser dono da verdade quando o juiz é nossos próprios termos.

    E Se por um lado chega a ser hipocrisia desse grupo questionar acerca do posicionamento docente, já que esse mesmo grupo os desrespeitou diversas vezes no campus durante essa paralisação, por outro é uma burrice e cegueira sem tamanho, pois o silêncio docente no tocante a esses processos contra estudantes expressa sim um posicionamento, no entanto é preciso ter humildade e sensatez para interpretá-lo de modo autocrítico.

    • alphanete disse:

      Isso ocorre como resultado de um saudosismo decorrente de algum distúrbio, por ser delirante, pois se trata de um saudosismo do que não viveram.

      Finalmente essas pessoas ganharam o título de “preso político”, apesar de sabermos que não é bem assim, que ninguém ali foi preso.

      Talvez quisessem ser torturados também. Colaboraria com os argumentos coitadistas.

  3. Preso político? disse:

    Estão de brincadeira, só pode ser. Não vêem que maculam a História de verdadeiros PRESOS POLÍTICOS?
    Desonram pessoas que deram seu sangue, suor e lágrimas (inclusive suas vidas) no passado.
    Além de desrespeitarem, é claro, seus contemporâneos (do Brasil e de outras partes do mundo) que sofrem, esses sim, de uma VERDADEIRA E CRUEL PERSEGUIÇÃO POLÍTICA.
    Se aquelas pessoas – as que realmente sofreram e as que realmente sofrem perseguição – vissem sua luta e sua tão comentada “prisão política”, certamente ririam de suas caras e os mandariam pra suas casas, para que vocês pudessem continuar com sua “luta” no aconchego de seus berços.

    Vocês regrediram à infância e pensam estar brincando de “lutinha”.
    Saibam, meus caros e minhas caras, que lhes falta um senso de Justiça com o legado que os legítimos LUTADORES nos deixaram.

    Vocês têm de sobra é falta de caráter, honra e gratidão.

  4. Alpha disse:

    Oi, sou o Alpha, eu não existo, sou um personagem fictício. Como vejo a mim mesmo? Sei lá! Existo? Não sei. Tenho que me cuidar, receio perder-me de mim.

  5. Alpha disse:

    Morri!

  6. Alpha disse:

    Quem sou eu?

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