Uma carta aos estudantes

Em 2007, quando o campus Guarulhos da Unifesp foi inaugurado, centenas de pessoas – estudantes, professores, funcionários, seus familiares, gestores públicos, políticos – começaram a se envolver na construção física e humana de mais um espaço destinado à formação das Humanidades no Brasil. Nesse espaço, que começava do zero, muitas vidas, sonhos, traumas e dores se cruzaram e sabíamos que continuariam a encontrar outras tantas. Os estudantes, quando não da comunidade, que deixam suas famílias, seus espaços conhecidos para viver no Pimentas e assim ficarem mais próximos da faculdade para investir na sua formação conheceram como ninguém a realidade cotidiana de existir numa comunidade da periferia e num campus sempre roto. Passei minha infância num bairro vizinho do Pimentas, Santo Afonso, cresci em São Mateus e vivi no Pimentas durante minha graduação. Já estava acostumada com o ambiente da periferia. Mas todos nós, que nos tornamos moradores, que circulamos por diversos ambientes, conhecemos as doses extra de esforço que temos de fazer para existir em locais marcados pelo descaso, pelo crime, pelos preconceitos.
Esse vídeo é uma visão crua do absurdo, do abismo em que temos de nos equilibrar para não cair – na insanidade, na cadeia, nos rótulos horríveis, na corrupção do caráter humano, na sensação física e existencial de impotência. Ele mostra, em 3 minutos, não somente a situação extrema em que o jogo da política nacional em articulação com outras instâncias de poder pode chegar. Mas explicita cruamente muitas das relações e situações em que estamos engajados num mundo em que brincar com vaidades é mais interessante, em que todos possuem ótimas opiniões sobre tudo, em que falamos, escrevemos, contamos e ninguém realmente se deixa compreender.

Espero que aqueles que ensinam, que tem mais experiência de vida, que fizeram mais coisas, que tem mais idade, não pisem mais nas feridas desses jovens que sentiram mais e viveram mais a realidade do nosso campus, das comunidades e de ter que gritar até perder a voz para conseguir sua formação com mais dignidade e mais estrutura. Se, como dizem por aí, estudar é um privilégio no Brasil, a liberdade de lutar pelos nossos sonhos está se tornando um privilégio maior ainda.”

Laís Miwa Higa

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9 respostas para Uma carta aos estudantes

  1. Morador da Lapa disse:

    Mudando de assunto: ainda vai rolar a Festa Junina no campus?
    Pergunto isso porque de Formação de Quadrilha vcs entendem.KKKKKKKKKKKKKKKK

  2. Estudante de Curitiba disse:

    Na filmagem os estudantes ofendiam os policiais, pois eu queria ver algum “não-covarde” que aguentaria ouvir umas pessoas lhe atentando com músicas e batendo palmas sem reagir. No fim, quem apanhou foram os estudantes como sempre. Que tipo de policiais vocês querem? Um robô sem emoção que não reage? O pior é o orgulho tosco que alguns estudantes sentem ao apanhar. O governo financia o estudo de vocês e vocês só enxergam o que não receberam. Geração tosca: peguem seus cartazes e saiam berrando caoticamente como sempre, sonhem que isso é fazer política, meu consolo é que na maioria das vezes a polícia vai dispersar suas macaquices com violência.

  3. spirituarise disse:

    Mas gente… Questiono-me onde está o espírito de justiça social de vocês? Quanta falta de senso de justiça social, que não somente assola nossos dias, como também nos leva a avareza do coração…

    O graúdo sociólogo Marcuse, da Escola de Frankfurt, já nos articulava que a Tolerância Libertadora incide em ser consecutivamente complacente para com os abalos de Esquerda (afinal, como todos nós, eles são seres humanos – melindrosos de cometer erros – e por isso carecemos estar sempre de braços abertos para com suas atitudes, por exemplo, os milhares de mortos na China comunista, foram equívocos) e intolerante para com os movimentos da Direita (esses sim merecem algemas e censura).

    Por fim, a legenda da Direita é “dividir para conquistar”. Por isso, faço aqui um agravo para que você não se deixe levar pelas emboscadas dos fascistas neoliberais e de todo apoio a luta, a nossa luta, principalmente depois de ler o relato quase que pessoal dessa mulher guerreira e brava (Laís Miwa Higa) que falou com o coração, não deixe o mundo consumista dominar vossos corações, vossos sentimentos, quanto a vocês direitistas malditos, vocês sempre foram o que há de mais agourento nas aparições políticas, a fisionomia arrepiante da Extrema Direita reacionária, que quer exterminar as pessoas despojadas abolindo com os programas sociais e sucateando os serviços públicos em nome da “eficácia” (aventar as pessoas como produtos). Felizmente, estamos na luta, por nós e por vocês direitistas. Lutemos para um mundo melhor, igualitário, sem gêneros, sem classes, sem raças, um mundo habitado não por homens e mulheres, mas por seres humanos.

  4. spirituarise disse:

    Laís Miwa Higa, seu texto nada mais é do que a premissa básica de quase todos os discursos revolucionários (Os mesmo usados por todos os maiores genocidas de nossa história) Quando você será capaz de entender que tudo de praticamente complacente que deve ser aprendido já o foi há centenas ou milhares de anos e que o que cabe a vocês é somente arriscar reaprender estas verdades unânimes para que os baldrames culturais da civilização não degenerem e entrem em total decadência?

    Eu sempre mantive um respeito incondicional para com os Japoneses e seus descendentes, porém ler sua matéria deixou-me até enojado.

    “Jesus nos alertava sobre esses charlatães e nos dizia que a régua com que devemos medi-los é: como ele vive? Quem ele é? Que frutos ele gera? Quais os frutos produzidos nos círculos dele? Faça esse teste e você já saberá de quem se trata. Embora isso seja suficiente no nível prático, devemos nos voltar também para a perspectiva histórica. Pense em todos aqueles salvadores da humanidade do século passado. Quer seja Hitler,quer seja aqueles pregadores marxistas, todos eles nos prometeram a justiça; todos eles pareciam ovelhas inocentes e, no final, foram os grandes destruidores”. (RATZINGER, Joseph. Gott und die Welt: Glauben und Leben in unserer Zeit. 2. ed. (München: Knaur, 2005, p. 271.)

    • Marcos disse:

      Não consigo ler as baboseiras repetitivas que você tira de compêndios, mas aparentemente há algo bom que ainda sobrevive em meio a imundice de contemplar superficialmente o escroto.

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