Ato na Paulista – Nota dos estudantes da Unifesp Guarulhos

Nota sobre a intervenção policial no Campus Guarulhos:

Perante a contínua desfaçatez que as instâncias competentes tem mantido com a educação Pública e especificamente na Unifesp, nós – Estudantes do Campus Guarulhos – há oitenta e sete dias estamos em estado de mobilização. Durante este período tentamos por meio de várias maneiras estabelecermos o diálogo para resolução de problemas que, pela sua peculiaridade e urgência, acreditávamos rapidamente ser resolvidos na comunidade acadêmica. Nunca poderíamos, porém, prever que o termo escolhido pelos órgãos competentes, especificamente no Campus Guarulhos e na escolha de seu diretor, fosse o tom policialesco e repressor na utilização de forças que estão aquém dos problemas por nós enfrentados.

O que queremos são condições dignas para as aulas – não existem salas adequadas ao número de alunos – algo comum em qualquer Universidade que se diz basear-se no tripé Ensino, Pesquisa, e Extensão. Queremos moradias para uma Universidade Federal que não é capaz de abrigar estudantes de outros Estados, queremos Restaurante Universitário digno e limpo, e não o barracão que nos é oferecido entre outras coisas. Entretanto, na conjuntura histórica que vivemos, as forças representativas nas Universidades Públicas como um todo esqueceram o diálogo tão caro conquistado democraticamente e adotaram a mesma postura, a saber: Tratar o problema da educação como caso de polícia. Foi assim na USP. É assim na Unifesp.

Chamamos a atenção dos cidadãos: O vandalismo de que nos acusam é na verdade o que eles cometem com o dinheiro público e com a burocracia, ao não democratizar o ensino superior, e oferecer um projeto de expansão de Universidades que não cumpre seu papel minímo.

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14 respostas para Ato na Paulista – Nota dos estudantes da Unifesp Guarulhos

  1. Misael Filosofia Noturno disse:

    A despeito dos ditos pacifistas, que agora, contraditoriamente, vociferam violentamente e espumam pela boca por verem seus diplomas postergados, nós só dispomos do restaurante, em companhia de ratos e baratas, ao custo de muita luta: greve, ocupação e pancadaria desde 2007. Não se iludam que conseguiremos melhorar a estrutura sem luta. Há interesses particulares da cúpula da UNIFESP a serem atendidos antes e em detrimento dos interesses coletivos da comunidade acadêmica. Seria mais eficaz se todos os estudantes, professores e trabalhadores estivessem engajados nas reivindicações, caso em que, provavelmente, não teria sido necessário chegarmos onde chegamos. Contudo, com tal engajamento ou sem ele, no futuro teremos melhores condições do que temos atualmente, pois continuaremos lutando com as armas que dispomos e sofrendo as consequências que elas trazem inevitavelmente. Aos colegas em plena luta: não desistam nunca, apenas estejam cientes e preparados para a reação da ORDEM. Aos colegas que, em meio às suas demonstrações públicas e ódio e sede de vingança, vislumbram outros meios, mais pacíficos: entrem no debate, visto que afirmam ser maioria, ou façam bom uso do “jus esperneandi”.

  2. Arlindo disse:

    Então, quando vão voltar a negociar?

    Não sei se perceberam… Mas o calor do movimento, após o pico, tende a esfriar.

    Como estão as negociações?
    Onde está parada a pauta de greve?

  3. desanimada disse:

    Nao sei se estou desinformada, mas nao to mais perdendo o meu tempo vendo os posts do blog
    hj entrei na intranet da unifesp e vi esta reportagem:

    Reitor concede entrevista ao jornal Folha de S.Paulo
    Leia, na íntegra, a entrevista que o reitor Walter Manna Albertoni concedeu ao jornal Folha de S.Paulo, na tarde desta segunda-feira, 18, durante visita do jornalista Fabio Takahashi ao Campus Guarulhos
    Reitor promete punição a alunos por protesto na Unifesp

    A Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) punirá estudantes que participaram da invasão do campus Guarulhos semana passada, prometeu o reitor da instituição, Walter Albertoni.
    Ele criou ontem comissão disciplinar, “com direito a ampla defesa”, mas completou: “posso dizer que sem punição não vai ficar”.
    Em entrevista à Folha, Albertoni, 71, disse ontem que os docentes estão com medo e cobram uma posição dele.
    Na última quinta-feira (14) à noite, um grupo de alunos fez manifestação cobrando melhorias na unidade, inaugurada em 2007 e que até hoje usa instalações provisórias.
    A reitoria e as polícias militar e federal dizem que eles intimidaram servidores, que ficaram “acuados” no prédio, quando foram quebrados vidros e equipamentos.
    Os alunos afirmam que o ato foi pacífico.
    Vinte e dois estudantes foram presos e liberados na sexta-feira (15) à noite, mas respondem processo por dano ao patrimônio público e constrangimento ilegal.
    A Polícia Federal inicialmente citou também o crime de formação de quadrilha, mas a Justiça não aceitou este enquadramento.
    Segundo Albertoni, 71, serão chamados os alunos presos pela PF e outros quatro que foram citados por intimidações anteriores.
    Abaixo, o reitor comenta também a greve dos alunos, iniciada em março –já os docentes participam da greve nacional, iniciada há um mês, que cobram do governo Dilma um reajuste salarial e melhorias na carreira.
    O reitor concedeu a entrevista no campus de Guarulhos, que está com paredes pichadas e equipamentos e computadores danificados.

    Folha -Como o sr. avalia os protestos na unidade?
    Walter Albertoni – Como movimento estudantil e docente, é legítimo. Este campus está carente em relação a infraestrutura. As soluções ainda passam por um sistema mais provisório, mas está sendo feito. O que a gente condena é a violência. A reitoria e a diretoria do campus nunca fechou diálogo. As coisas da pauta que dava para discutir estão todas encaminhadas. Mas as reivindicações por melhoria no campus vêm desde ao menos 2008. A urgência de um prédio que deveria estar pronto em 2011 não dá mais para cumprir. Então estamos buscando outras formas, prédios alugados. E, se tudo correr bem, o prédio de 20 mil metros quadrados vai ficar pronto em 18 meses. É o mesmo projeto de São José dos Campos, que entrou em licitação simultaneamente com o daqui. Mas lá a empresa já fechou e começou. Aqui deu problema de sobrepreço e teve começar tudo de novo. Por que houve esse problema? Não sei.

    O sr disse que havia diálogo. Então, por que houve a nova invasão?
    Fui surpreendido ou fui inocente. Terminada a última ocupação, em que todos saíram sem se machucar, achei que tudo estava terminado. Marquei a audiência pública que eles queriam. Mas fui surpreendido.

    Há forças externas ao movimento estudantil?
    A gente vê blogs, partidos pequenos, a situação eleitoral em São Paulo. Alguma coisa tem junto. Mas não é só isso. As reivindicações estudantis são corretas. Mas quando mostramos as soluções para a pauta, aparecem outras demandas.
    Há críticas de membros da própria Unifesp contra a ação da polícia.
    Não é projeto de qualquer reitor ter confronto policial com estudante. Mas é a última instância. Houve três ocupações. Quando foi pacífica, mesmo quebrando coisas, teve negociação até o final. O último episódio extrapolou qualquer planejamento. O grupo saiu de assembleia que não votou isso. Dizem que era só um ato. Como? gritavam ªocupaçãoº, quebravam vidros. Nessa situação, só resta chamar a polícia, como é na casa da gente. E não tenho um senão da ação da polícia. Nestes casos com universidade, vem sempre os comandantes mais preparados. Esse grupo é um pedaço [da universidade]. Meus estudantes são outros. Dos 2.800 alunos de graduação e 200 de pós graduação, temos 50, 60 com esse tipo de atividade. O restante é muito melhor que eles.

    Como será o retorno às aulas?
    Os professores estão com medo e me cobram. O que o sr. vai fazer com esse pessoal que me ameaçou? Montei uma comissão disciplinar, que vai ouvir os lados, ampla defesa, com 60 dias de prazo.

    Os docentes estão satisfeitos?
    Não. Uns 35 disseram que não voltam enquanto esse pessoal seguir aqui. Temem pela integridade física [a unidade tem 191 docentes]. Acredito que eles vão procurar, quando voltarem as aulas, se comportar bem, para aliviar na comissão. Mas posso dizer que sem punição não vai ficar.

    Qual será?
    Há várias formas, advertência, suspensão. A expulsão é a mais drástica.

    Como o sr. avalia os prejuízos da greve?
    Mais um pouco, não dá para fazer vestibular para o ano que vem. O pessoal que entrou neste ano praticamente não teve aulas.
    Como vou ter mais 700 vagas, que vai embolar com este primeiro ano?

    Qual o limite para garantir o vestibular de 2013?
    Ainda não estipulamos. Dá para trabalhar em julho, em dezembro, entrar em janeiro [do ano que vem], atrasar o início da outra turma. Mas há um limite.

    • Misael Filosofia Noturno disse:

      Entendo seu desânimo, mas vejo que está de fato preocupada com esta situação que não se mostra boa para ninguém (ou quase ninguém, pois há partidos políticos fazendo uso das circunstâncias, o que não é novidade nem surpresa).
      Notícias e entrevistas podem ser manipuladas, como amiúde o são, mas esta é suficiente para acender um debate sobre a forma de se retomar ou de implementar de fato a negociação, onde a honestidade – que resta prejudicada – deve prevalecer. Será isso possível? Vejamos porque:
      A criminalização de movimentos sociais virou prática corriqueira, e é nela que o Reitor centra sua fala. Qualquer mobilização com mais de três indivíduos corre o risco de ser enquadrada, por um sistema duro e truculento que não admite ser questionado, como crime de formação de quadrilha. Esta mesma eficácia é o que esperamos no tocante às nossas reivindicações, mas quanto a isso não há eficácia, somente descaso.
      No mesmo período que abrange o tempo de nossas reivindicações, desde a inauguração do campus em 2007 até hoje, a duras penas e algum sangue, obtivemos investimentos ínfimos em melhoria estrutual em Guarulhos, muito aquém do mínimo aceitável. Neste mesmo período houve uma revolução infraestrutural no campus São Paulo, inclusive a construção do belo prédio verde. Isso sem adentrar na questão da absurda e estupidamente desigual distrubuição de verba entre os campi. A Escola Paulista de Medicina não tinha o menor interesse em expansão para as áreas de exatas e humanas, mas se não fizesse isso seria englobada pela UFSCar. Fez e assegurou sua autonomia, mas continua desinteressada nos novos campi, especialmente no campus Guarulhos.
      Ainda sobre as punições, é verdade que os professores cobram do Reitor rígida punição para os estudantes em evidência. Isso foi feito por meio de um documento oficial assinado por deversos professores. Cedo ou tarde esse documento aparece. Aguardem.
      O ditetor do campus Guarulhos negou em entrevista que havia chamado a polícia, mas o áudio do chamado foi publicado logo em seguida pela própria PM, pois a afirmação do diretor de que a polícia agiu por conta própria causaria problemas de invasão de jurisdição, visto que a universidade é federal. Em uma palavra, sob a vaga justificativa posterior de que temia sua integridade, o diretor mentiu e foi desmentido publicamente pela própria PM.
      Dizem que a polícia foi chamada porque os estudantes estavam quebrando vidros, mas no vídeo amplamente divulgado, e ainda disponível na internet, não havia vidros quebrados mesmo durante o notório confronto entre estudantes e os policiais. No dia seguinte, a mídia divulgou imagens desses mesmos vidros que aparecem intactos na filmagem agora quebrados, mesmo sendo do conhecimento geral que os estudantes foram presos enquanto os vidros ainda estavam intactos. Na dúvida, revejam o vídeo do confronto. Isso precisaria ser esclarecido para que haja um mínimo de seriedade.
      A abertura do diálogo foi forçada pelos estudantes ainda em 2007, todavia, desde então as promessas vêm sendo descumpridas ou, quando muito, substituidas por paliativos. Como mudar isso? Não vou prolongar mais, embora tenha muito a discutir.

    • Júlia Rosa disse:

      PUNIÇÃO PASSARÁ!!!!

  4. Jeferson disse:

    Run to the hills.

    • The last one disse:

      Eu sô ´Brasilero`e num desisto nunca!!!
      Sou paciente, vou esperar para rir (e muito) por último. Rir da cara dos(as) M.E.R.D.A.S.

  5. Michele disse:

    “Os docentes estão satisfeitos?
    Não. Uns 35 disseram que não voltam enquanto esse pessoal seguir aqui.”
    “Como o sr. avalia os prejuízos da greve?
    Mais um pouco, não dá para fazer vestibular para o ano que vem. ”
    Vocês abrem a faculdade para realizar atividades com a comunidade, enquanto quem realmente deveria estar lá (NÓS) perde um ano de estudo.
    Como é q vamos voltar lá sem professor?
    UM ANO da vida de um monte de gente EM VÃO!
    O q vcs conseguiram melhorar com tudo isso? Vcs só pioraram tudo!
    Só manisfestação em cima de manifestação.
    OS ALUNOS NÃO QUEREM MAIS ESSA GREVE E VOCÊS SABEM!
    Vocês ferraram legal com a gente!!!!

    • Amnésia disse:

      Tudo por uma causa self-umbilical: um CU-RRÍCULO de revolucionário de merda. Falei, tá ligado. Quem num gostô, vem, pode vim tretar, que aqui num tem moleque não, mano!

      Pô, já ocuparam duas vezes – eu tava lá tb – já apareceram na mídia, no fatídico episódio das borrachada nas bundas… falta mais o quê? Morrê ou matar pela “causa”? Alguém se habilita pra isso?

      Agora chega! Vô vê minha Mari…

      … Marihuana!!! hahahah

    • Bispa Sonia Hernandes disse:

      Você também trabalha para no Campus?

  6. eu mesmo disse:

    alunos do m.e.r.d.a vao trabalhar bando de vagabundos

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