NOTA DE REPÚDIO À AÇÃO DA DIRETORIA ACADÊMICA E DA POLÍCIA MILITAR NO CAMPUS GUARULHOS DA UNIFESP

Os Centros Acadêmicos da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, declaram total repúdio à ação truculenta da Polícia Militar do Estado de São Paulo no Campus Guarulhos da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), a pedido da Diretoria, no dia 14 de junho de 2012.

Diversos membros dos Centros Acadêmicos estiveram presentes no campus e puderam presenciar toda a violência e brutalidade presentes em mais uma desastrosa ação da Polícia Militar. Deste modo, repudiamos também qualquer versão que busque justificar o fato ocorrido.

O dia 14 de junho de 2012 foi marcado por violência e desespero e o Campus Guarulhos, da Universidade Federal de São Paulo, convertido em um verdadeiro cenário de guerra.

Naquele dia foi realizada uma Assembleia Estudantil Intercampi. Quando encerrada, os estudantes realizaram uma passeata pelo bairro, manifestação pacífica, que correu conforme previsto. Ao retornarem para o Campus, parte dos manifestantes continuou a ação em frente à Diretoria Acadêmica com palavras de ordem contra a atual gestão da EFLCH.

Com a chegada da PM, os manifestantes passaram a repetir palavras de ordem exigindo que esta se retirasse do espaço da Universidade. Quando, então, uma estudante foi sumariamente detida, sem justificativas, sendo tratada com grande violência. O que gerou um grande sentimento de revolta entre os estudantes. (Link para vídeo destes momentos http://noticias.uol.com.br/videos/assistir.htm?video=imagens-mostram-tumulto-entre-estudantes-da-unifesp-e-pm-04024E9C316AD8C12326&mediaId=12865199).

A partir daí, os policiais passaram a se utilizar de suas armas para afastar e coibir qualquer ação, de qualquer estudante.

Consideramos negligente a atitude tomada pelo diretor acadêmico, cujo dever é garantir a integridade da Comunidade Acadêmica e, deste modo, trazemos a público alguns fatos importantes:

1. A Polícia Militar foi acionada sem que os demais funcionários presentes no campus fossem devidamente comunicados. Havia muitos funcionários e alunos no campus que não participavam da manifestação e que utilizavam as dependências da cantina, biblioteca, laboratório de informática e administração.

2. Havia crianças no campus naquele momento; o Diretor do campus tinha plena ciência do fato, como mostra o áudio da ligação feita para a polícia, divulgado pela mídia. (Link: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2012/06/audio-mostra-que-unifesp-chamou-pm-para-manifestacao-de-alunos.html

3. Os estudantes foram detidos ao acaso, quando corriam em direção ao Restaurante Universitário onde, por fim, se viram encurralados pela polícia. Inclusive alunos que não participavam da manifestação foram presos. Entre eles estão um ex-aluno e uma estudante de outra instituição de ensino. Ambos figuram entre os vinte e dois injustamente processados.

4. Os alunos que conseguiram sair, mas que insistiram em acompanhar o desenrolar da situação posicionando-se à entrada do campus foram expulsos pela PM. Em seguida os portões foram trancados de forma a não permitir a visão do que se passava lá dentro.

5. Os estudantes, de ambos os sexos, detidos e algemados, foram submetidos à tortura física e psicológica e tornaram-se alvo de agressões com o uso de cassetetes, spray de pimenta e deflagração de explosivos próximo ao seu entorno.

6. A quase totalidade de policiais presentes naquela noite não portava identificação de qualquer natureza.

7. Os estudantes foram levados pela Polícia Militar em um ônibus municipal de Guarulhos.

Entendemos que todos esses fatos relatados até aqui são ainda mais inadmissíveis por compreendemos que a Polícia Militar é uma instituição despreparada para lidar com uma série de situações; sua atuação sempre envolve o uso de força desmedida com ações extremamente violentas, como ocorre cotidianamente nas regiões de periferia e nos mais variados atos e mobilização.

Dessa forma, quando a diretoria do campus se utiliza dessa instituição para recompor a ordem ela está sendo conivente com essas ações e está deliberadamente promovendo a violência.

Por isso repudiamos a postura do Diretor Acadêmico Prof. Dr. Marcos Cezar de Freitas em ser conivente as ações da Polícia Militar no Campus Guarulhos no dia 14 de junho de 2012.

Compreendendo que segurança é sinônimo de proteção e não de violência institucional, ou violência de Estado. Reafirmamos a recomendação da Comissão de Direitos Humanos da ONU que prevê o fim das Polícias Militares, que vem violando, sucessivamente, os direitos humanos do povo brasileiro.

Esclarecemos ainda que as entidades signatárias continuam defendendo o direito de luta e reivindicação, assim como defendem o diálogo e o debate como fundamentais à Universidade.

Assinam essa moção:

Centro Acadêmico de Pedagogia Cecília Meireles – CAPED
Centro Acadêmico de História da Arte – CAHARTE
Centro Acadêmico de História – CAHIS
Centro Acadêmico de Letras – CAEL
Comissão Pró-CACS
Comissão Pró-CAFIL

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6 respostas para NOTA DE REPÚDIO À AÇÃO DA DIRETORIA ACADÊMICA E DA POLÍCIA MILITAR NO CAMPUS GUARULHOS DA UNIFESP

  1. Fora PM. FORA MC. FORA ALBERTONI e seus lacaios. disse:

    70% das federais já adotam paridade para as eleições para Reitor. Esse acordo Unifesp/PM e a tentativa de isolar os grupos mais participativos na luta durante todo o período de greve, revela a vontade de setores ligados ao poder de calar a boca da maioria dos que compõe a universidade: OS ESTUDANTES.

    Chegou a vez dos estudantes. A voz de todos os estudantes será ouvida. PARIDADE JÁ NOS CONSELHOS! PARIDADE JÁ NAS ELEIÇÕES PARA REITOR! Derrubemos as paredes que estruturam toda essa corja de corruptos. Quebremos a estrutura anti-democrática da UNIFESP para reerguermos uma outra possibilidade.

    AMANHÃ VAI SER MAIOR!!!

    • Michele disse:

      A voz de todos os estudantes será ouvida?
      OUÇAM VOCÊS A VOZ DOS ESTUDANTES!
      NINGUÉM QUER ESSA MERDA DE GREVE!!!!!

      • Anti-greve sim! E daí? disse:

        É isso aí!

      • Grevistas de pijama, uma turma bem legal disse:

        Não foi o que vimos em todas as assembléias 😉 Se por esses tempos a manifestação da base está beeem apática, não quer dizer que o apoio não mais existe. A própria conjuntura (greve nacional de TODOS os setores) provoca desinteresse e, obviamente, dispersão. 1/2 dúzia de pessoas que ficam comentando aqui no blog com nomes estranhos sempre variáveis, não constituem a maioria dos estudantes. É um puta desrespeito tornar o posicionamento de todos que não se manifestam como o seu próprio — anti-grevistas reclamam bastante exatamente disto, mesmo aceitando representatividade… curioso!!!

        • Michele disse:

          De novo: q diferença faz o “nome” que a pessoa usa aqui? Pq insistir nisso?
          E como você pode me provar q a maioria é a favor da greve?
          Se é desrespeito meu, é desrespeito de vocês também. Vocês não sabem o posicionamento de todos! Não sabem e não estão se importando em saber!
          Prove-me que você está certo! Mostre o 50% + 1.
          Vocês estão ferrando com a vida de um monte de gente e nem sabem se concordam ou não com o q vocês fazem!
          Acha mesmo q o pessoal está feliz em perder o ano?

          • As armaduras dos stormtroopers são de plástico disse:

            Sei lá que diferença faz o nome da pessoa aqui, como não sei que diferença faz o que as pessoas dizem aqui. Este é um local para publicações do comando de greve com espaço aberto para opiniões dos visitantes, e só! É um local para pessoas externas ao comando colherem informações, opinarem e trollarem. Não tem como medir aceitação da greve por aqui, muito menos deliberar aqui: A GREVE É NA UNIFESP.

            A maioria é a favor porque a maioria escolheu pelo início e manteneção, na UNIFESP, em TODOS os pleitos que foram realizados. Simples assim! Os que não votaram, não tem como sabermos se são contrários ou favoráveis, e pouco importa: ABDICARAM O VOTO. Os que contestam a forma greco-romana, de votar levantando a mão, ao lado do adversário, olhando na cara dos representantes, com resultado instantâneo, honestamente, contestam TUDO porque não aceitam perder, estão desesperados para protegerem à si passando por cima de todos, como um GNU em um estouro de manada… não dá pra ficar dando muita bola…

            Concordo que uma parte dos que estudam na UNIFESP por interesses menores e conseguem não usam simplesmente nada no campus, que não o chão e o critério brando de avaliação dos excelentes professores. não estão nada felizes por não terem escolha em ceder 1/160 avos de uma vida longeva à todos… eles que se buuuuum 🙂

            Ps.: Só perderemos O ANO (e muitos a vida acadêmica) se formos burros! A greve perdura por todo esse tempo e está hoje incorporada em um cenário maior, como uma ação de vanguarda em meio a todos que compõe o teatro: a conquista das pautas nunca esteve tão palpável! duvido que alguém seja idiota pra cair em retórica de astutos com interesses mesquinhos e ajude derrubar a greve.

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