Moção de apoio da Apropuc

Crise e repressão na Unifesp-Guarulhos

APROPUC-SP 17.06.12

Editorial-APROPUC

Crise e repressão na Unifesp-Guarulhos

Os estudantes da Unifesp-G sustentam uma greve de 84 dias. Inúmeras manifestações de rua foram realizadas. Por duas vezes ocuparam as dependências da instituição. Em 6 de junho, a Polícia Federal e a força de choque da PM entraram no campus, prenderam os 46 estudantes. Soltos, o comando de greve voltou a organizar manifestações. No dia 14, os grevistas saíram às ruas em protesto contra a repressão e pelo atendimento das reivindicações. Voltaram à universidade. Quando realizavam um ato em frente à Diretoria Acadêmica, objetivando um pronunciamento do diretor Marcos Cezar quanto às exigências do movimento, a Polícia Federal e PM invadiram o local, dispersaram a manifestação com a conhecida violência e prenderam 26 estudantes.

A luta estudantil na Unifesp-G e a repressão coincidiram com a greve nacional das universidades federais. Hoje, 50 instituições estão paralisadas à espera de uma resposta do governo Dilma Rousseff. No estado de São Paulo, as seis unidades que compõem o complexo dos Institutos Federais assumiram a greve geral decretada pelo Andes. Como se vê, os acontecimentos da Unifesp-G se processam num quadro mais amplo do projeto REUNI.

O endurecimento governamental contra os estudantes da unidade deGuarulhos não é de agora. Logo na inauguração da Unifesp-G, em 2007, os estudantes se puseram em pé de guerra contra a caricatura de universidade que o governo do PT lhes oferecia. Não havia um prédio propriamente dito.

As instalações eram improvisadas. Os cursos, mal estruturados. Distante, dos centros urbanos, o transporte se impôs como barreira ao acesso. O que os estudantes passaram a exigir? Que o governo imediatamente providenciasse as soluções para que houvesse aulas e vida universitária normais.

Em 2008, eclodiu novo protesto. A firmeza dos grevistas e a sua radicalização nos métodos coletivos de luta perante a inflexibilidade do Reitor e do desconhecimento do governo Lula foram combatidos com repressão – primeiro da burocracia universitária e depois diretamente pelo governo. A luta de 2008 concluiu com inúmeras ações judiciais, que ainda tramitam e que podem levar a expulsões, como ocorreram e podem ainda ocorrer na USP.

Notamos que os conflitos nas universidades públicas vêm se proliferando e se agravando. A razão está em que o País passa por um processo de mercantilização do nível superior sem paralelo, mesmo o desenvolvido sob o regime militar. A exploração da educação como bom negócio se firmou a tal ponto que atraiu o interesse do capital estrangeiro. Há um inequívoco impulso concentrador, que se pode dizer que já se montou um poder monopolista que paira sobre a educação superior.

O Reuni foi apresentado pelo governo petista como bandeira de fortalecimento do sistema público. Porém, veio como complemento do ProUni, concebido para proteger os proprietários que expandiram as vagas além do que o mercado permitia e como auxiliar das universidades confessionais afundadas em dívidas. Nesse exato momento, a ministra da Casa Civil, Ideli Salvatti, acaba de passar por contrabando uma medida que anistia uma dívida de R$ 15 bilhões aos empresários e igrejas que há muito não pagam impostos, não recolhem INSS, etc. Em troca, serão “doadas” bolsas ProUni durante 15 anos. Um escândalo! O Reuni assim serviu de máscara para a orientação privatista.

As contradições, não obstante, que afligem o ensino superior são desintegradoras. Está aí por que o movimento estudantil se reergue no país em choque com o mercantilismo. A Unifesp de Guarulhos está na linha de frente desse embate. A repressão procura sufocá-lo antes que sirva de exemplo. Há razões de sobra para defendermos o fim das invasões policiais dos campi e das prisões. A luta pela autonomia universitária está em plena vigência. Que o governo Dilma deixe de reprimir os estudantes! Que ao invés da polícia, envie uma autoridade para discutir com os grevista uma solução! Todo nosso apoio à luta pelo ensino público e gratuito!

Diretoria da APROPUC-SP

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4 respostas para Moção de apoio da Apropuc

  1. Sérgio disse:

    A polícia, em algum momento da história, atuou em prol das populações mais carentes com o objetivo de garantir-lhes o mínimo de seus direitos de cidadania?

  2. Brog disse:

    E a tal Culetiva de Imprensa, como foi? Vamos cumando, atualiza este “brog”!

  3. Júlia Rosa disse:

    Então! Cade a coletiva mais esperada de todos os tempos!??!?! Disponibilizem na integra quantas horas de depoimento foram dadas! Hahahahahahahahahahahahahahaha!

  4. marcelo disse:

    só uma coisa!
    ideli salvati é ministra das relações institucionais..
    a chefe da casa civil é a gleisi hoffman.

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