Carta aberta do Comando de Greve UFPR

Carta aberta à reitoria e à comunidade acadêmica

Os estudantes da UFPR, diante da precarização das condições de aprendizado, deflagraram greve no dia 29 de maio com diversas reivindicações que visam à melhoria na qualidade do ensino, dentre elas assistência estudantil, estrutura e contra privatizações.

Neste período realizamos seis assembleias gerais, nas quais definimos nossas reivindicações com base nas pautas levantadas em assembleias locais de curso e uma comissão de negociação, além de tomar outras decisões relativas à greve local e nacional, acompanhando as movimentações das demais categorias e buscando articulação com as mesmas.

Após cinco reuniões de negociação, nas quais a Reitoria não sinalizou respostas satisfatórias às nossas reivindicações, os estudantes, em nossa última assembleia (VI), no dia 3 de julho, decidiram ocupar a reitoria, exercendo assim pressão política no sentido do avanço das negociações para a conquista de nossas reivindicações por meio da paralisação de serviços e trâmites que ocorrem no prédio.

Apesar de entender que a paralisação das atividades que ocorrem no prédio ocupado é importante para exercer pressão para a conquista de nossas reivindicações, os estudantes estão abertos a negociar com a Reitoria, através da comissão de ética da ocupação que se dispõe a analisar pedidos para a liberação de alguns documentos e objetos considerados emergenciais.

Entretanto a Reitoria se coloca de forma inflexível, se omitindo de suas responsabilidades, utilizando-se politicamente de forma vil dos serviços que ocorrem dentro do prédio para desmobilizar a ocupação e o movimento estudantil, negando-se a negociar e exigindo a desocupação para a liberação dos mesmos, buscando por meio disso colocar a comunidade universitária contra a ocupação e colocando nela – e não a ausência de negociação – a culpa pela não liberação de ônibus para encontros estudantis e bolsas, por exemplo.

Apesar de historicamente a Reitoria utilizar esse tipo de medida para desgastar a ocupação, como ocorreu em 2007 com o fechamento dos RU`s, o que expomos aqui é que estamos dispostos negociar a execução de determinados serviços, e que também historicamente fazemos essas concessões, como quando os estudantes liberaram a contratação de professores sem desocupar o prédio também em 2007.

Este ano a Reitoria está utilizando a necessidade de repatriamento de intercambistas para isso, preferindo que esses estudantes fiquem sem assistência estudantil e liberação de documentos, totalmente desassistidos em um país estrangeiro, do que negociar reivindicações que visam à melhoria da educação, mascarando a política nacional do governo e das reitorias de alongar a greve, desgastar o movimento e fazer o menor número de concessões possível.

Reiteramos que os pedidos de liberação de documentos e outros devem ser enviados por escrito à ocupação, para serem encaminhado à comissão de ética para análise e apreciação.  Pedimos também que os estudantes que tiverem esse tipo de demanda procurem a comissão de ética para que nos organizemos de forma unificada contra a reitoria – e não contra a ocupação – para que se reabram as negociações, as pautas sejam atendidas e possamos desocupar o prédio.

Fonte: Blog do Comando de Greve UFPR

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