Unifesp, A miragem!

Boletim açãofap – edição 25 – setembro de 2009

Não é de hoje que se fala em uma universidade integrada a comunidade e que cumpra um papel social no PIMENTAS. Embora muitos docentes ainda debatam a importância da universidade na região e muitos alunos insistam em dizer que esse jargão “universidade para a comunidade!” é populista, coisa do comando de greve e etc, a própria direção da universidade se orgulhava em exibir um projeto incrível de integração da universidade com a comunidade desde inicio da implantação do campus. Basta ler esse informativo da FAP que traz o nosso ilustríssimo diretor explicando todas as maravilhas que deveriam ser implantadas em nosso campus.

No curso de pedagogia, a promessa de um projeto inovador de residência pedagógica que segue um modelo de qualidade internacional, mas que na prática funciona de forma bastante conflituosa pela falta de planejamento de todo o projeto. Ao deixar de fora a realidade dos estudantes que frequentam o curso (sobretudo no noturno), desde sua implantação vem gerando conflitos com os estudantes, levando os estudantes a perderem emprego, terem de desistir do curso e tantas outros problemas tão conhecidos dos alunos.

O prometido museu citado no texto, que nunca deu o ar da graça – sua ausência provavelmente é atribuída a burocracia – reforça a falta de planejamento que se estende pelos outros cursos, que em sua graduação não podem ter acesso a laboratórios e locais de aplicação prática de toda teoria desenvolvida nas salas de aula, mesmo após 3 anos.

E lamentavelmente, sabemos que não fica por ai. Embora não citado no boletim, conhecemos os projetos dos tão sonhados laboratórios de linguas no curso de letras, ou mesmo os laboratórios para o desenvolvimento das práticas pedagógicas na área da educação. Isso tudo sem mencionar as dificuldades para se fazer as leituras obrigatórias (falta de livros, de xerox adequada, de laboratório), as condições para se assistir aulas (falta de sala, falta de condições para alimentação) e até mesmo a dificuldade para CHEGAR na universidade. O básico do básico para se TER uma formação adequada.

E repetir tudo isso a essa altura da greve estudantil parece tão cansativo. Quem daqui nunca ouviu falar dessas promessas, ou não conhece tudo que temos reivindicado? Bem sabemos de cada problema aqui citado. Mas o que tem me preocupado de fato – e isso me move a escrever essa carta – é que muitos se acostumaram com o vazio que nos é oferecido, tratando o sonho da universidade como uma ilusória miragem. Sei que é tão insano esse pensamento, mas não consigo pensar de forma diferente. Embora tenhamos entrado em uma universidade considerada uma das melhores do Brasil, descobrimos que o melhor do Brasil é apenas uma visão do paraíso em meio a um deserto de promessas.

E diante disso, inicia-se um processo. A primeira reação ao nos vermos em meio ao vazio da nossa universidade é questionar todas as promessas e o projeto de universidade que a nos foi apresentado. Os estudantes se mobilizam e então da direção surgem as desculpas. Empurram-nos a burocracia que nos faz acreditar que a miragem é máximo que vamos ter e que os problemas são complexos demais para serem resolvidos em poucos anos.

Tudo se torna tão desesperador que começamos a aceitar a nossa realidade. Nos acostumamos a não ter a miragem e sonhamos todos os dias com ela. E sonhar começa a nos bastar, pelo menos enquanto há paz no deserto. O problema é que em meio a tanta morte intelectual (atribuída a crescente evasão dos estudantes no campus) sempre surge um grupo dissidente, que cansado de tanta ilusão, se rebela contra sua sorte.

E aí acaba-se a paz. Nos restando apenas um…

NADA.

Nem universidade,

Nem Projeto,

Nem campus,

Nem paz.

É esse o processo no qual estamos imersos e não sabemos como dele sair.

Assim, quando alguém propõe a saída do campus do pimentas, isso começa a nos parecer uma boa ideia. Afinal, é a burocracia, a cidade, a pobreza, a comunidade, o comando de greve (de preferência expulsem eles enquanto há tempo)… Tudo vira a causa do nosso deserto e para sair dele, topamos qualquer coisa.

Ilusão. E mais uma vez, tudo acaba na ilusão. Porque se achamos que tirar o campus do pimentas resolverá nossos problemas é porque ainda não compreendemos a causa deles. E essa falta de compreensão que nos trouxe até aqui, nos acompanhará por onde quer que estejamos instalados, com ou sem burocracia, com ou sem comunidade. Pelo menos até o dia que entendermos esse cruel processo, os interesses por trás de nossa formação e as raízes do caos que nos rodeia.

Por isso fica meu desabafo:

Até quando viveremos de ilusão?

Jess, pedagogia, 7º termo (ou seria 8º?).

Esse post foi publicado em Acontece na UNIFESP, Cartas e marcado , , , . Guardar link permanente.

2 respostas para Unifesp, A miragem!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s