Dossiê que retrata os problemas da Unifesp aprofunda crise e cria cisão na EFLCH

O dossiê “A crise da Escola de Humanidades da Unifesp e sua permanência no Pimentas”, protocolado pelo professor Juvenal Savian na reitoria e pró-reitorias, criou bastante repercussão e ampliou a crise na Unifesp. Além de ter sido discutido localmente, no âmbito da Congregação da EFLCH, órgão de governo do campus, o documento tem causado reverberações em outros conselhos da Universidade, como o Conselho Universitário (CONSU), órgão máximo da Universidade.

No dia 04, o professor Juvenal dirigiu-se ao Conselho Universitário confirmando que coordenou a elaboração do dossiê, até então de autoria desconhecida quando foi divulgado. No comunicado, esclarece que o dossiê surgiu dentro do Departamento de Filosofia, a pedido da própria Congregação, para que cada curso “refletisse sobre a atual crise e propusesse perspectivas de solução”. Também menciona os departamentos de Educação (Pedagogia), Filosofia, História, História da Arte, como colaboradores e incentivadores do dossiê, que conta com apoio de 60% de docentes, segundo o professor. Em resposta, o Departamento de Educação se posiciona surpreso, e solicita à Congregação que se discuta a manifestação do prof. Juvenal na reunião que será realizada hoje.

No dia 03/08, o segmento docente em assembleia esclarece que o dossiê não foi discutido por toda a categoria, embora a EFLCH se mobilize para discutir a questão da localização de seu campus. A solicitação da inclusão da discussão na pauta da Congregação do Campus do dia anterior foi enviada em 25/07, mesma data do dossiê, com assinaturas de 20 professores, que tem exercido forte pressão dentro da Universidade para que o campus da EFLCH saia do bairro dos Pimentas.

Uma comissão não-paritária foi aprovada na reunião do dia 02, composta por 12 docentes, 1 funcionário e 2 alunos (um da graduação e outro da pós), irá organizar um seminário/colóquio que discutirá a saída ou permanência da Unifesp nos Pimentas, a partir desta semana. Na tarde de ontem, o Conselho de Assuntos Estudantis se posicionou a respeito, onde foi aprovada por unanimidade uma moção pela permanência da Unifesp Guarulhos no Bairro dos Pimentas.

Documentos relacionados:

Carta Depto Educação sobre mensagem prof. Juvenal, 06/08

Moção pela permanência do campus Guarulhos da Unifesp no Bairro dos Pimentas, 06/08

Nota de Esclarecimento – Comunicado do segmento docente da Unifesp, 03/08

Solicitação à congregação, 25/07

Dossie sobre a crise da eflch unifesp e o bairro-dos-pimentas, 25/07

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4 respostas para Dossiê que retrata os problemas da Unifesp aprofunda crise e cria cisão na EFLCH

  1. joaonmartinez disse:

    O professor Juvenal fez alguns comentários realmente infelizes, porém me pergunto realmente sobre a resolução de nossos problemas com o atendimento de todos os pontos colocados por professores, funcionários e estudantes… Tudo ficará perfeitamente bem depois que conseguirmos tudo?

    Acredito que não. Para a maior parte da comunidade acadêmica a maior complicação resulta da distância entre o Pimentas e a Capital, visto que moramos, trabalhamos e (Também) curtimos o lazer na capital. Por melhores condições que tenhamos dentro da unifesp nunca realmente chegaremos a plenitude intelectual se continuarmos nessa tremenda luta que é viver se deslocando por enormes distâncias em sp.

    Não acho que devamos largar o Pimentas, já que temos responsabilidade social por sermos estudantes de universidade pública, mas tenho certeza que que fariamos melhor transformando nossa unidade em uma unidade de extensão universitária. Podem dizer oq quiserem, mas a evasão só se resolverá com a ida do campi a região central de guarulhos.

  2. Prezados mantenedores do blog. Fui alertado para a divulgação neste blog da infeliz carta escrita pelos coordenadores do departamento de educação da EFLCH. Essa carta foi por mim respondida oficialmente. Solicito a gentileza de a publicarem. Desde que tenho entrado na cena do debate pela permanência/saída da EFLCH do Bairro dos Pimentas, o movimento estudantil tem sido mais cordato do que muitos de meus colegas docentes. Solicito que, em continuidade com essa postura de diálogo, vocês publiquem a carta. Cordialmente, Juvenal Savian Filho.

    “Em atenção à carta enviada hoje pelo Depto. de Educação à Reitoria, ao CONSU e aos
    membros da Congregação da EFLCH, envio este e-mail aos senhores, em regime de urgência,
    esclarecendo que protocolarei esta mensagem sob a forma de ofício, amanhã, junto à
    Reitoria. Dada, porém, a gravidade do caso, convinha que eu me posicionasse de imediato.
    Infelizmente somente agora tomei conhecimento da referida carta; do contrário, ter-me-ia
    pronunciado antes. Serei o mais conciso possível e solicito especial atenção dos senhores.

    Em primeiro lugar, devo lembrar que a carta por mim enviada ao CONSU justificava-se pelo
    fato de a imprensa ter divulgado o dossiê sobre a crise da EFLCH-Unifesp (por mim
    protocolado junto às instâncias de governo da Unifesp), com afirmações não exatamente
    errôneas, mas nem sempre integralmente correspondentes aos meus pronunciamentos. Por
    exemplo, nunca afirmei que a Unifesp não faz nada especificamente pela população do
    Bairro dos Pimentas. Falei claramente aos repórteres sobre o hospital da EPM no bairro e
    do trabalho de docentes e alunos da EFLCH em escolas e grupos culturais de Guarulhos. O
    que eu disse exatamente é que a EFLCH é uma escola universitária, aberta a qualquer
    público, estando organizada em função de seu Projeto Acadêmico e não especificamente de
    um bairro, seja ele de periferia ou de centro. Visando pôr o órgão máximo de governo da
    universidade a par desses vaivéns é que enviei a carta com o dossiê.

    Na carta, porém, não falo em nome do Departamento de Educação nem afirmo em momento algum que tal departamento discutiu o dossiê ou o tema da permanência da EFLCH no Bairro dos
    Pimentas; menos ainda que os colegas desse departamento chegaram a alguma posição. A
    carta é pública e está à disposição de quem desejar conferir a redação original. Eu disse
    textualmente que os colegas docentes do curso de Pedagogia (Educação) mostram-se
    majoritariamente contrários ao dossiê. Há grande diferença entre dizer que os colegas
    MOSTRAM-SE e que os colegas DELIBERARAM. A base para dizer que os colegas mostram-se são
    as manifestações que recebi. Meu objetivo era dar um exemplo das diferentes reações ao
    dossiê; nada mais. Não direi que fui infeliz com o exemplo porque, a menos que as pessoas
    mudem de opinião, os fatos podem comprová-lo.

    Em seguida, propus uma hipótese de compreensão dessa reação. Apenas isso! Não foi à toa
    que eu disse textualmente ser COMPREENSÍVEL; não fiz afirmações categóricas. Para tanto,
    baseei-me no contato que tenho com colegas do Depto. de Educação e nas pesquisas dos
    membros desse departamento (aliás, de projeção e reconhecimento nacional no tocante a
    alguns colegas). Pode ser o caso de a minha hipótese estar equivocada, mas certamente não
    é o caso de dizer que pus na boca dos colegas qualquer tipo de afirmação, menos ainda que
    usei argumentos para desqualificar o projeto acadêmico do curso de Pedagogia.
    Definitivamente isso não está em minha carta!

    A respeito da porcentagem por mim indicada, ela se baseia na consulta que fiz por e-mail.
    Aliás, não há dúvida de que, se me sentisse à vontade, seria o primeiro a divulgar aos
    quatro cantos da universidade os autores das mensagens que recebi. Desafortunadamente me
    vejo impedido, porque não poucos colegas exigiram sigilo por JÁ sofrerem represálias não
    de estudantes ditos radicais, mas de colegas de departamento! Em vários casos, colegas
    mencionam coerção moral da parte da coordenação de curso!

    Quanto aos técnico-administrativos, de fato e para minha surpresa, foi lida uma carta na
    última reunião da Congregação, falando que a unanimidade deles posicionava-se contra o
    dossiê e a saída da EFLCH do Bairro dos Pimentas. Mas essa carta não era assinada por
    todos. E posso assegurar aos senhores que mais de uma dezena dos técnico-administrativos
    disseram-me abertamente o contrário.

    Tendo dito isso, gostaria de pedir desculpas abertamente aos colegas do Departamento de
    Educação por um eventual mal-entendido. Asseguro-lhes que não quis pôr em momento algum
    seu projeto acadêmico em questão. Quem sou eu para fazê-lo? Mas solicito-lhes, com toda
    franqueza e humildade, que reanalisem o teor da carta por mim enviada ao CONSU; é
    impossível deduzir objetivamente dela o que foi afirmado pelos colegas coordenadores.

    Gostaria também de solicitar aos colegas coordenadores, autores do documento protocolado
    junto à Reitoria, que reflitam sobre seu vocabulário moralista e taxativo, o qual pode
    ser não apenas sintomático, mas denunciador de sugestões que poderiam dar azo a
    contestação formal. Foram empregadas expressões como ‘perplexidade’, ‘coletivo’ entre
    aspas (o que sugere falsidade de informação do dossiê), ‘argumentações vagas e
    falaciosas’, ‘justificativa imaginada’, ‘pernicioso’, ‘imaginar justificativas’,
    ‘insinua’, ‘dizer o que nós pensamos’. Os coordenadores propõem ainda que se duvide do
    apoio dos docentes ao dossiê, dada a ausência de signatários, mas esquecem que o
    documento foi oficialmente assinado pelos redatores. Objetivamente falando, a ausência de
    assinaturas não pode permitir nenhuma conclusão, nem para o bem nem para o mal. O dossiê
    não é acusação; não cabe a seus redatores e apoiadores nenhum ônus da prova.

    Os coordenadores do Depto. de Educação desrespeitaram a formalidade necessária ao trato
    profissional. Ao empregar um vocabulário judicativo, não deixam espaço para o
    interlocutor. Lamentavelmente, não manifestam nenhuma consideração de colega para com
    minha pessoa, pois teriam podido contactar-me antes de enviar uma carta tão polêmica e
    imprecisa às instâncias de governo da Unifesp. Prefiro crer que foi o calor da hora o
    responsável por essa atitude. Mas usaram uma bala de canhão para matar um pernilongo!

    Ilustríssimos senhores, perdõem-me por este e-mail tão longo. Estejam, porém, certos de
    minha consideração, respeito e estima institucional.

    Juvenal Savian Filho
    Filosofia – EFLCH – Guarulhos

    P.S.: solicito formalmente aqui aos coordenadores do Depto. de Educação que repassem essa
    mensagem aos docentes do departamento.

  3. Pingback: Resposta do Prof. Juvenal Savian à carta do Depto. de Educação | Greve Unifesp 2012

  4. Pingback: Comissão da Verdade da Unifesp e a Luta dos Estudantes! | Jornal Unifesp Livre!

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