Antigo prédio da PF vira novo campus da Unifesp

Universidade obteve a concessão do imóvel para implantar a sede de seu primeiro curso de direito

Mari Cavalcante
Especial para o DIÁRIO

O Edifício Wilton Paes de Almeida, antiga sede da Polícia Federal, no Centro de São Paulo, será transformado no primeiro Instituto de Ciências Jurídicas da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), que terá cursos de graduação e pós-graduação, além de um setor de pesquisas.

Em maio deste ano, a instituição de ensino conseguiu da Secretaria do Patrimônio da União, detentora do imóvel, a posse do prédio, que estava com seus 23 andares fechados havia nove anos. O objetivo da universidade é dar continuidade  ao processo de expansão que visa oferecer disciplinas em todas as áreas de conhecimento. A abertura está prevista para 2014.

O imóvel, localizado na esquina da Avenida Rio Branco com a Rua Antônio de Godói, foi ocupado pela Polícia Federal no início da década 1980. A instituição ficou ali  até 2003. Depois, o INSS  criou uma unidade no local, mas apenas na área térrea, enquanto os 23 andares continuavam desocupados.

O prédio fechou definitivamente em 2009, após a Previdência devolvê-lo por problemas de infestação de mosquitos da dengue. O imóvel sofreu, então, com a invasão de moradores de rua e furto de equipamentos. A fachada chegou a ser reforçada com placas de madeira e portas de ferro. “Levaram fiação, cano e até privada”, conta a vendedora Rosana Moreira de Lima, que trabalha em frente ao edifício.

A Secretaria do Patrimônio União tentou dar um destino para a construção em 2009. O espaço seria transformado em um centro cultural por meio do Momento Monumento, um projeto elaborado por arquitetos de Paris. Mas não foi viabilizado devido ao alto valor das reformas, cerca de R$ 20 milhões.

Estrutura/ O imóvel apresenta problemas em sua estrutura e tem afetado o condomínio vizinho, o Edifício Caracu. O síndico Aparecido Guimarães Dias, de 70 anos, entregou um documento à Subprefeitura da Sé, em maio deste ano, para relatar as infiltrações recorrentes e o descolamento das pastilhas que revestem a parede externa, mas até sexta-feira não tinha obtido resposta. “Esse prédio está cedendo há um bom tempo. Tem uns 18 centímetros de diferença entre os dois condomínios”, conta.

Depois de parte das pastilhas quase atingir o seu gato de estimação na varanda do apartamento, o morador Alexandre Seiti Higa, 33 anos, aguarda uma solução. “Tenho medo de que aconteça novamente”, conta.

No início de 2011 houve um vazamento de água no Edifício Wilton que atingiu o subsolo do Caracu e do laboratório fotográfico que faz parte do prédio. “Perdemos equipamentos, foi um prejuízo grande. A água ficou mais de 15 dias parada, não tinha como tirar”, diz o funcionário do laboratório Fernando Borges. A inundação chegou a quase dois metros.

‘Não há irregularidades’
A Secretaria do Patrimônio da União desmentiu a informação dos moradores de que o prédio está cedendo. Segundo a pasta, a afirmação dos  vizinhos do Edifício Wilton “é precipitada e sem embasamento técnico”. No primeiro semestre de 2011 o imóvel foi vistoriado por um engenheiro e na ocasião não foi detectado  indícios de dano estrutural irreversível que comprometa a estabilidade, diz a nota.

Prédio está mal conservado
Já a Subprefeitura da Sé informou que o local foi fiscalizado em maio deste ano e foi constatada a má conservação do prédio. O órgão vai notificar a Secretaria do Patrimônio da União nos próximos dias para promover a manutenção da fachada e apresentar o  AVS (Auto de Verificação de Segurança).

Raio-x: Edifício Wilton Paes de Almeida

Construção: 1962
Área construída:  11.083 m²
Área de terreno: 660 m²
Localização:  esquina da Avenida Rio Branco com a Rua Antônio de Godói, no Centro de São Paulo

1980
O imóvel se torna sede da Polícia Federal de São Paulo.
2003
A PF desocupa o prédio e muda  para a Lapa, numa construção própria. Os 23 andares ficam desocupados.
2009
O INSS, que ocupava apenas o piso térreo, devolveu o imóvel devido a uma inundação no subsolo, que causou infestação de mosquitos da dengue.  No mesmo ano,  a Secretaria  do Patrimônio da União, proprietária do imóvel,  ficou de ceder o prédio por 20 anos para o Momento Monumento, projeto de arquitetos de Paris que transformaria o local  em um centro cultural. Por falta de recursos financeiros, as obras não foram iniciadas.
2010
O imóvel está abandonado. Moradores de rua invadem o edifício e furtam equipamentos.
2011
A estrutura do prédio passa a comprometer o prédio vizinho, segundo moradores. Eles reclamam de infiltrações e descolamento da parede.

Fonte: Rede Bom Dia

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