Repressão ao movimento estudantil na Unifesp

É moda nas sociedades contemporâneas e especialmente no Brasil reprimir legítimos movimentos sociais. A obsessão do Estado moderno em exercer o controle social sobre o seu povo ultrapassa a esfera do cerceamento à liberdade de expressão. Tornou-se corriqueiro mascarar o propósito do controle sobre as pessoas para “bem governar” e para garantir a livre manifestação do poder dos burocratas sobre os seus governados. Mas o que isso tem a ver com a Unifesp e com o movimento estudantil? Explicaremos melhor.

Atualmente, o Estado brasileiro e a Unifesp criminalizam legítimos movimentos sociais em luta. Os 48 estudantes da Unifesp processados em 2008 por formação de quadrilha (pasmem!)somados aos 46 estudantes processados por realizarem uma ocupação da diretoria acadêmica do campus Guarulhos dessa universidade e ainda os 25 presos após manifestação em frente a essa mesma diretoria, bastam para evidenciar o conluio entre os Estado burguês brasileiro e a universidade no Brasil de forma geral: sim, porque essa realidade de repressão na universidade e pela universidade não se restringe apenas à Unifesp, como se sabe.

A medíocre estratégia dessas instâncias de poder e gestão mencionadas é a repressão em favor da ordem. No caso do chamado “Estado (burguês) democrático de direito” no Brasil, a repressão em favor da “ordem” e do “progresso” _ diga-se de passagem, nunca atingidos_ é moda desde 1889, com a proclamação da república oligárquica que temos até os dias de hoje: esse projeto social levado a efeito no fim do século XIX no Brasil, mas rascunhado por nossas elites históricas muito antes, é o mesmo que nos oprime até agora. No caso da Unifesp, a palavra muito encarecida pelos burocratas chama-se “excelência”.

É sabido que a pauta de reivindicações estabelecida pelos estudantes em greve no campus Guarulhos é antiga e praticamente a mesma, desde que o campus foi criado, e isso apesar de várias greves estudantis de lá pra cá. A atual greve que se estende sem o atendimento preciso de sua pauta exige além das questões de infra-estrutura e permanência, que não haja repressão como processos criminais e sindicâncias, o que tem havido!

A luta por justiça social no país mais desigual sócio-economicamente da América Latina e contra o ensino público precarizado não deve ser punida.

A greve estudantil em curso no campus Guarulhos não pode ceder à repressão nem aos repressores. Aceitar empreender a luta admitindo os processos criminais e as sindicâncias é aceitar punições ao que não está errado nem merece castigo. No mais, estamos cansados de sermos enrolados pela reitoria e pelo diretor acadêmico.

O retorno às aulas no campus Guarulhos fragmentará a luta, pois dificultará a mobilização dos estudantes diante das obrigações, compromissos e trabalhos acadêmicos e deixará todos os que lutaram por uma educação de qualidade enfrentarem individualmente a punição que os burocratas planejam para os mesmos até para deslegitimar os mecanismos políticos de luta como a greve, os atos e as ocupações, por exemplo. Por isso chamamos a todos e todas para a permanência na luta e pela continuidade da greve, em vista do descaso dos burocratas frente ao atendimento preciso da pauta de reivindicações e contra a repressão e criminalização do nosso movimento estudantil.

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Uma resposta para Repressão ao movimento estudantil na Unifesp

  1. spirituarise disse:

    Father, why are all the women weeping?
    why are all the men there weeping?
    Father, why are all the children weeping?

    This is a weeping song,
    A song in which to weep.

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