Assembleia Geral, 11/09 – terça, 18hs.

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Uma resposta para Assembleia Geral, 11/09 – terça, 18hs.

  1. UNIFESP PIMENTAS: A CRISE E A MAIORIA SILENCIOSA

    Juraci Baena Garcia*

    Escrever sobre a crise da Unifesp é um desafio a ser enfrentado por todos os sujeitos desta história, principalmente pela prática intervencionista por parte da burocracia e docentes que lutaram intensamente para frear o movimento estudantil, única categoria que comprovadamente luta desde 2007 contra a precarização do Campus Guarulhos-Pimentas, portanto, única alternativa que poderá transformar esta universidade.

    A sutileza contra os estudantes imposta por parcela significativa dos docentes nas salas de aulas, prática que se repete pelo Brasil afora, reforça ainda mais que poucos escaparão de servirem como mão-de-obra barata em escolas públicas e privadas, extrapolou as salas de aulas, despontando de forma violenta durante o período da recente greve estudantil.

    Este fato se agrava na medida em que os docentes que se colocam no chamado “campo progressista”, salvo em raríssimas oportunidades, sabidamente se omitiram não lançando uma nota sequer quando da repressão aos estudantes, sustentada pelo reitor, diretor acadêmico e docentes reacionários, principalmente na monumental violência da Policia Militar do Estado de São Paulo, ocorrida no dia 14 de junho de 2012.

    Ainda de forma desesperada alguns docentes tentaram mais uma manobra conservadora, elaborando a toque de caixa um colóquio que visava discutir a permanência do Campus Pimentas. Evento construído dentro de uma concepção anti-democrática e contrária a participação da população do entorno; claramente tendencioso na sua concepção e composição, mas derrotado pela participação crítica de dezenas de estudantes e, ainda, a visivel ausência da comunidade acadêmica.

    Indo mais longe: ainda no campo de tentar institucionalizar a crise da Unifesp o Governo Federal e outros setores conservadores da universidade, certamente inibiram qualquer iniciativa de re-eleição do atual Reitor ou ainda permanencia do Diretor Acadêmico no Campus Pimentas, abrem-se as eleições para “novos candidatos” ao cargo de Reitor e Vice-Reitor da Unifesp e ainda a sucessão no Campus Pimentas – outra “caixa de pandora”.

    Sabe-se que os estatutos da Unifesp escondem uma forte tendência conservadora do tipo “me engana que eu gosto”, alardeando uma falsa democracia que desembocam em eleições em todas as instâncias, inclusive para a reitoria, outra farsa em que a maioria da comunidade acadêmica é “apenas consultada”, restando ao CONSU e Presidência da República definir a futura Reitoria e, pior, mesmo que algum “progressista seja eleita ou eleito”, vale o conceito de “governo” e “regime” e quem manda efetivamente é o governo federal.

    As amarras ditatoriais do estatuto da Unifesp falsamente apelidado de “democrático”, segue diretrizes da LDB (70% docentes, 15% estudantes e 15% técnicos), derrubada por diversas universidades federais que na sua base tiveram a coragem de avançar na luta pela verdadeira autonomia universitária, democratizando as instâncias de governo da universidade, única forma de combater o conservadorismo imposto por setores atrasados da educação.

    Não vamos ter ilusão: da pauta enviada ao Reitor, alguns avanços estão prometidos na parte material, porém sem garantias. Quanto à luta contra a repressão e a democracia na Unifesp, itens da mesma pauta aprovada nas assembléias dos cursos, sequer foram consideradas e, juntando-se os fatos ocorridos na última reunião da Congregação, demonstram que “cabeças vão rolar”, uma vez que um setor atrasado que luta para se manter no poder (a partir da Congregação) e se benefícia dos vacilos do movimento estudantil resiste contra os ventos da democracia; se utilizam da repressão e ainda são contrários a uma universidade pública, gratuita, universal e de boa qualidade “para todos e na periferia”.

    A partir dos novos fatos, como a furada da licitação, novamente na terça-feira, dia 11 de setembro de 2012, às 18h00min., os estudantes estarão reunidos em assembléia geral: de um lado uma parcela certamente decidida vai propor a ação direta contra este estado de coisa (principalmente a pauta de reivindicações) e do outro lado, a parte contrária a qualquer tipo de mobilização, sempre com o velho jargão de que “existem outras altenativas” e “estou ofendido por ser violentamente chamado de pelego”.

    Estas duas posições são conhecidas – a grande questão é antecipar como deverá agir a chamada “maioria silenciosa”, ausentes no dia-a-dia da greve (e do colóquio) e que tem em suas mãos a responsabilidade de indicar qual o caminho para as efetivas ações transformadoras que podem mudar o rumo desta universidade e que valerá para além de uma vida – e não servir precariamente apenas ao umbigo de cada um, produto desta sociedade conservadora, individualista e formadora de reservas de “mão-de-obra-barata”.

    *Graduando em Filosofia
    Unifesp – Campus Pimentas
    Guarulhos/SP

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