Boletim do Coletivo dos Estudantes Processados da EFLCH/UNIFESP

Boletim do Coletivo dos Estudantes Processados da EFLCH/UNIFESP

O Jornal do movimento estudantil em luta

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*Esta carta foi lida e protocolada na reunião da Congregação, realizada no dia 04 de outubro:
 
 

Carta aberta aos estudantes, professores, funcionários e aos moradores de Guarulhos

Estamos sendo intimados um a um a prestar depoimento sobre o movimento em defesa da Unifesp de Guarulhos.

Começou uma nova fase da perseguição política contra os estudantes que foram presos.

O reitor e governo querem nos punir com a expulsão.

Estamos diante da criminalização da luta estudantil por uma causa justa.

Toda força à nossa campanha pelo fim dos processos e das perseguições!

Vocês sabem perfeitamente que lutamos por uma causa. Em nenhum momento da greve e da ocupação da Unifesp Guarulhos, estivemos movidos por interesses particulares deste ou aquele grupo, deste ou aquele setor da universidade. Pôr em pé o edifício do campus foi e é nossa causa.

Estamos certos que ninguém de sã consciência poderá dizer o contrário. Os estudantes que tiveram à frente do movimento assumiram com maior determinação a reivindicação junto ao reitor e ao governo federal. Por isso mesmo, somos mais de 100 estudantes processados pela Polícia Federal, juntando os dois processos. Uma parcela arca com dois deles, o que mostra que não era a repressão que os demoveria da causa e da justa luta.

Logo após o fim da longa greve o reitor e o governo anunciaram a verba e o projeto de construção. Somente diremos que foi uma conquista quando inaugurarmos o novo campus. Mas, sem dúvida, nosso movimento, nossa ocupação, a invasão policial e as prisões coletivas obrigaram que as autoridades dessem um passo adiante. Obrigaram que um grupos de professores encastelado na burocracia da instituição viesse à luz do dia dizer que a Unifesp no Bairro dos Pimentas é temerária, sem sentido acadêmico e afastada de seu projeto elitista. A greve, a ocupação e as manifestações exigiram um debate, que ganhou as páginas da grande imprensa. Os três setores que compõem a universidade foram obrigados a se pronunciarem. Os professores – a maior parte – se colocaram contra os estudantes.

Como se vê, não escondemos nada. Fomos transparentes em nossa reivindicação e firmes no uso do método coletivo de luta. Nosso movimento somente poderia ser assim porque lutamos por uma causa específica, que a da construção do prédio de Guarulhos e uma geral, que é a do ensino público e gratuito. Esse conteúdo e a movimentação coletiva explicam por que mais de 100 estudantes estão processados.

A criminalização que sofremos objetiva quebrar a determinação com que enfrentamos a intransigência e resistência das autoridades em reconhecer as reivindicações e em atendê-las. Trata-se de uma ação política da reitoria e do governo, com apoio de setores autoritários e reacionários da burocracia universitária.

Nós estudantes, selecionados para pagar por todo o movimento, somos vítimas da perseguição política. O processo que nos foi imposto é de ordem política. É escabrosa a imputação de “formação de quadrilha”. Deveria assombrar os professores que têm alguma ligação real com o ensino e a educação, que conservam alguma noção de verdade e que prezam pela política como força transformadora.

Nossas reuniões, assembléias, manifestações e ocupação estão consagradas pelos movimentos sociais. Taxá-las de formação de quadrilha, de ação predadora e de violência gratuita é usar a justiça como instrumento da mentira, da falsificação.

Viemos diante dos estudantes, dos professores, dos funcionários e da população defender nosso movimento e a sua causa. Fazemos uma campanha de denúncia contra esse processo judicial como criminalização política dos estudantes que ombrearam as forças contrárias às reivindicações e à nossa ação coletiva.

Estamos sendo chamados um a um para prestar depoimento, como se a responsabilidade fosse individual. Assumimos a greve e a ocupação como um método coletivo de luta. Assumimos todos os conflitos que despertam. Mas como acontecimento social e político. A pecha de crime é uma arma do poder que nos oprime, contra o qual nos chocamos. Chamamos os estudantes e a todos que aceitem que há uma criminalização do movimento social a reforçarem nossa mobilização para derrubar o ataque ao direito de manifestação, tal qual expressou nossa greve e nossa ocupação.

Pelo fim dos processos!

Abaixo a criminalização das lutas!

Derrotemos a perseguição política da burocracia universitária e do governo federal!

Levantemos no alto a bandeira: construção já o campus de Guarulhos no Bairro dos Pimentas!

*Este boletim está sendo distribuído em todas as salas e no campus como parte da Campanha pelo fim dos processo administrativos e criminais na Unifesp.
Esse post foi publicado em Boletim Oficial do Movimento e marcado . Guardar link permanente.

2 respostas para Boletim do Coletivo dos Estudantes Processados da EFLCH/UNIFESP

  1. misaeljordao disse:

    Caríssim@s,

    Estudante ingressante em 2007, conhecedor do histórico de lutas do movimento estudantil da UNIFESP em geral e do campus Guarulhos em particular, militante, inclusive da ocupação de 2007 e das outras greves, e conhecido por muitos estudantes, professores e trabalhadores da EFLCH da UNIFESP, venho apoiar a reivindicação dos estudantes processados e comprovar que estes são tomados como objetos de exemplo público das punições a que são submetidos aqueles que ousam contestar os desmandos de qualquer instância da Ordem.
    Resultado da nossa resistência em institucionalizar o movimento, a despeito de recomendações de alguns professores, essa parcela de estudantes, apreendida pela força repressiva do estado, sofre as consequências dos atos de todos nós, os que participamos das mesmas lutas, mas que escapamos da apreensão, como é o meu próprio caso, assim como o é o de muitos colegas, inclusive já egressos.
    Ainda que não seja surpresa, nem tampouco novidade, não podemos aceitar passivamente a aplicação da disciplina corretiva sobre pessoas que lutam notadamente para o bem-estar de todos, queira uma parcela ou não.
    Conclamo os demais estudantes a, solidariamente ou por dever, reverter este quadro mediante a contestação do poder central desta instituição. Lutemos por igualdade de poder de decisão e ponhamos nós mesmos fim aos processos punitivos cujo caráter repressivo, na falta de uma pessoa jurídica, busca punir isoladamente estudantes, mediante sua descaracterização como tal, e que busca a justificação dessa punição em eventos propositalmente destacados do conjunto do movimento. Tudo isso com vistas a desviar o foco da real motivação e da real natureza das lutas por nós implemetadas, com os propósitos de criminalizar mais um dos movimentos sociais, que é o movimento estudantil, e de assegurar a velha Ordem na qual se refestelam os verdadeiros privilegiados. Se querem punir estudantes, punam-nos a todos! Mas se querem punir bandidos, o lugar não é este; talvez esteja mais próximo de onde emana o poder supremo e na diferença de cor dos colarinhos.

    Pelo governo tripartite, pela paridade e pelo fim das punições aos estudantes!

    Misael Bandeira Jordão Neto – Filosofia – Noturno – 46410

  2. João Tarr disse:

    oi, não falem nada sem a presença de um advogado, levem papel, lápis e caneta e anotem os nomes de todos os envolvidos, se possível levem cameras ou gravadores ( pode ser de celular mesmo,depois é possível masterizar para melhorar o aúdio, de preferência formato mp3, 4,5…)
    anotem dia horário, tempo de interrogatório, questões ditas, comentários e não assinem NADA.
    Essa história de piorar por não ser colaborativo é mentira, segundo a lei você não é obrigado a criar provas contra si mesmo, por isso, se quiser ficar calado é com você, até porque o escrivão vai deturpar tudo mesmo

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