À Congregação do Campus Unifesp Guarulhos-Pimentas

Esta carta tem a finalidade de “focar” na campanha lançada contra o movimento grevista e os participantes mais ativos desde o início da GREVE 2012.

Assim como em 2010, até o Colóquio Permanência, impressionam as intervenções de alguns docentes no-e-contra o movimento estudantil. Não são intervenções simples e desarticuladas, seria muita coincidência, mas, sim, intervenções com visível finalidade de criminalizar, isolar e fornecer elementos para contribuir com a expulsão de estudantes da Unifesp Pimentas.

Trata-se da mais odiosa e direcionada campanha, tanto no campo pessoal quanto coletivo estudantil, a exemplo de 2007/2008, tratando-os como pessoas radicais e violentas, sem nunca – em qualquer momento, dizer qual professor, estudante ou burocrata foi vítima de violência nesta greve, salvo os próprios integrantes do Comando de Greve e alguns estudantes favoráveis à greve que sofreram violência física, além de caluniosa campanha de fundo moral.

Vários foram os métodos aplicados: desde intervenções diretas até as mais sutis formas de desmoralizar o movimento e suas lideranças, inclusive em salas de aula, visando como finalidade última eliminar os “radicais violentos”, via expulsão da universidade. Numa clara demonstração de que a “democracia” destes docentes é falaciosa, servindo apenas até não serem contrariados.

Como exemplo, citamos algumas intervenções que certamente foram maquinadas maquiavelicamente para embasar a Reitoria e Diretoria Acadêmica na decisão de excluir os estudantes considerados “maus”, culminando na nova prisão ocorrida na sede da Polícia Federal e o falso depoimento articulado a partir dos fatos ocorridos no dia 14 de junho de 2012, tanto pelo Diretor Acadêmico, quanto pela Polícia Militar, ecoando “vozes e escritas” destes docentes.

Podemos citar vários factoides, mas vamos centrar nos depoimentos de alguns professores que incisivamente lutaram contra o movimento grevista, inclusive com ajuda dos contrários à greve, que ventilam “frases feitas” construídas por estes “mestres” e, agora, ficam nos cantinhos como se a queda do Reitor e do Diretor Acadêmico apagassem suas intervenções oportunistas.

i) Iniciemos pelo Professor Daniel Revah que desde o início, inclusive intervindo na assembleia dos estudantes, se colocou contra o movimento estudantil. Em segundo, os professores que ao tensionar o movimento estudantil, tentando cooptar os “fura-greve”, provocaram com “factoides”, a exemplo dos Professores Plínio, Raquel, Ana Nemi e Julio, construíram situações que tinham um objetivo.

ii) O Professor Plínio Smith, após articular apoio no Departamento de Filosofia, trouxe uma carta de repudio ao movimento estudantil, na clara tentativa de influenciar na defesa de sua posição contrária à greve dos docentes, como se todos não conhecessem suas praticas autoritárias contra estudantes.

iii) Na reunião da Congregação ocorrida em 24/04/2012, quando do apoio da congregação para uma sindicância e abertura de processo para o comitê de ética – FATO QUE DESENCANDEOU A PRIMEIRA OCUPAÇÃO DO CAMPUS – o Professor Markus Lasch, do Departamento de Letras, leu a “Nota do Departamento de Letras à comunidade acadêmica da Universidade Federal de São Paulo”, alegando “violência verbal por parte de estudantes”, e ainda alerta a congregação quando diz: “independente da postura adotada pela Congregação, o Departamento se reserva o direito de encaminhar eventuais ocorrências futuras aos órgãos competentes da universidade, para que seja aberta sindicância de apuração dos fatos”, referindo-se ao Sarau de duas horas realizado por alunos durante uma aula de Literatura Portuguesa que seria dada durante a greve.

Corroborando com o Professor Markus, a Professora Maria Rita, também cita o fato ocorrido a partir da retirada da bandeira cubana do Barracão Marighella.

iv) O Departamento de Educação, a exemplo de outras intervenções do Professor Daniel Revah, fez uma manifestação de repúdio aos atos ocorridos com a professora de letras e “outros fatos”.

vi) A Professora Wilma “lembrou-se dos acontecimentos anteriores” e, para fechar com “chave de ouro”, o Professor Markus Lasch “fala de uma minoria radicalizada e de uma maioria que se abstém”.

vii) No dia 08/05, logo após terminar a reunião entre comissão de estudantes e Reitoria, os alunos retornaram ao Pimentas e foram surpreendidos com o fechamento do campus, numa suposta acusação ao movimento de que haveria uma ocupação naquele dia e que o campus estaria protegido com os portões trancados, o que culminou com a grave acusação de agressão ao professor Glaydson por meio da utilização de uma barra de ferro por estudantes grevistas.

Eles atuaram de forma incisiva na tentativa de “desqualificar” a greve, a partir de frases como a do Professor Markus Lasch, quando diz “uma minoria radicalizada e de uma maioria que se abstém”. Estes docentes desconsideram as sucessivas assembleias, com ampla participação de estudantes que aprovaram a continuidade da greve, inclusive a segunda ocupação, quando da radicalização da Reitoria em não negociar com o movimento grevista.

Toda esta armação chegou ao ápice quando da aprovação da greve nacional das federais em maio de 2012, além da derrota na assembleia dos professores, quando da aprovação de adesão à greve nacional, insatisfeitos e ainda na clara tentativa de criminalizar o movimento estudantil, se manifestaram publicamente.

Esta nova aberração se deu quando enviaram uma carta a ombudsman da Folha de São Paulo, Suzana Singer, datada de 18/06/2012, apoiando e ainda defendendo a presença da PM no Campus, como método de represália ao movimento estudantil. Esta sim, uma verdadeira e real violência (contra os estudantes grevistas) ocorrida neste Campus. Frases como “o que os alunos faziam ali não era ato político pacífico, eles estavam cassando o direito de ir e vir dos professores e funcionários que eles acuaram na Diretoria Acadêmica”, evidencia esta afirmação.

Mas esta monstruosa mentira não parou por aí, vejam outra frase citada neste mesmo documento: “Quando a polícia chegou, eles já haviam vandalizado o prédio, quebrando vidros e pichando as paredes que estavam sendo recuperados dos atos de vandalismos cometidos por eles durantes os dias em que ocuparam o campus na semana anterior”. Mentira já desconstruída com o segundo vídeo, apresentado recentemente.

Oportuno registrar que esta carta Folha de São Paulo é assinada pelos professores Rita Paiva, Maria Lombardi, André Medina, Maria Luiza, Plínio Smith, Bruno Konder, Rafael Ruiz, Mirhiane Mendes, Ligia Ferreira, Wilma Peres e Gabriela Nunes.

Existem outros documentos que circularam internamente, além de alguns docentes “anônimos” via “pseudônimo” faziam suas intervenções no Blog da Greve.

Repassemos alguns trechos do conhecido “dossiê” escrito pelo Professor Juvenal e endossado, segundo declaração do mesmo, por outros docentes. Sem entrar no conteúdo fortemente elitista deste documento, focamos em algumas partes que entoam a mesma campanha de isolar e criminalizar o movimento estudantil, a saber:

1.1. Por “crise da EFLCH” entende-se aqui não apenas “(ii) o conjunto de atos violentos vividos no campus em função da prática de parte do movimento estudantil e da intervenção policial”.

6. “Depois da violência vivida nos últimos meses…” – “É um dado inequívoco que parcela considerável dos docentes, alunos e funcionários não se encontra com condições subjetivas para voltar ao campus: somam-se às condições estruturais inadequadas as condições psicológicas de medo, falta de confiança, trauma e desânimo”.

E continua:

“Considere-se que a “cultura da violência” e o desaparecimento do respeito aos professores, colegas e funcionários, tragicamente rotineira nas escolas públicas, começa a atingir a Universidade: professores, funcionários e estudantes ameaçados, acuados e intimidados pela “cultura do medo”, com ameaças físicas e por escrito a professores em desacordo com essas práticas. A violência no tratamento institucional presente nas escolas públicas parece não tardar em dominar nosso campus”.

32. “Já há registros de docentes pessoalmente ameaçados por estudantes da EFLCH. Sabe-se que os membros da Diretoria Acadêmica também estão sob ameaça. Há registros de que o crime organizado interveio nas ações dos estudantes quando a presença da PM no bairro começou a se tornar mais frequente.”

Mas as agressões não param no dossiê, vejam documento enviado à Congregação, como parte integrante do Colóquio Permanência. Este documento “supostamente” lido quando da realização do Colóquio Permanência.

Dizemos, “supostamente”, porque, apesar de não constar nome dos estudantes que participaram no Colóquio Permanência no site da Unifesp, inclusive da coordenação do Painel 3 – não ocorreu a leitura de parte da página 6 do referido documento, onde a Professora Wilma, fazendo coro com a insidiosa campanha contra os estudantes, na clara tentativa de criminalizar e isolar o movimento estudantil, diz com todas as letras:

“É necessário, ainda, mencionar aquele que talvez venha sendo o mais grave aspecto produzido pela dificuldade de acesso ao campus: o poder extremado de um pequeno grupo de estudantes (?) radicais que se incrustou no espaço público do campus desde 2007 que tem sido responsável pela escalada de intolerância e de violência entre estudantes e entre estes e professores” e, continua: “Não se poder cobrar deles que compareçam ao campus para votar em assembleias manipuladas, onde são expostos a todo tipo de violência moral e às vezes explicita”.

Não vamos nem entrar no mérito da outra posição elitista maniqueísta do Professor Juvenal, quando diz que os estudantes da Unifesp Guarulhos Pimentas são “semianalfabetos” ou ainda de “”falar espaço cultural nas periferias”. Fica para outro momento.

Este discurso apenas localiza alguns fatos amplamente conhecidos, mas que, ao serem alinhados, demonstram claramente a intenção de um pequeno grupo de docentes – a maioria instalado nas chefias de departamentos da Unifesp – que, ao fazer valer sua leitura de mundo pequeno-burguesa e reacionária, se posicionando como porta-vozes autorizados da academia promovem através circulação de ideias e do discurso enviesado, totalmente contrárias ao movimento estudantil que luta desde 2007, portanto, contra uma Universidade Pública, DEMOCRÁTICA, de boa qualidade e na Periferia, alguns deste seleto grupo, demonstram claramente outro intento: tirar a Unifesp da periferia.

Finalizamos, fazendo um movimento contrário das palavras do próprio professor Juvenal, quando disse em seu dossiê: “30. Isso não significa que todos os alunos da EFLCH residentes no Bairro dos Pimentas apresentem essa mesma visão ou nutra o mesmo tipo de relação.”, podemos dizer o mesmo quanto ao conteúdo e nomes citados neste documento:

“NÃO SIGNIFICAM QUE TODOS OS DOCENTES E DISCENTES DA EFLCH APRESENTEM ESSA MESMA VISÃO OU NUTRAM O MESMO TIPO DE RELAÇÃO”, pelo contrário – na nossa leitura – parte “também são vitimas”.

Coletivo dos Estudantes Processados da Unifesp Guarulhos-Pimentas

Esse post foi publicado em Boletim Oficial do Movimento, Cartas, Informes e marcado , . Guardar link permanente.

Uma resposta para À Congregação do Campus Unifesp Guarulhos-Pimentas

  1. Alpha disse:

    Caíram no descrédito hein!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s