CARTA DOS ESTUDANTES DA PUC-SP

Em 13 de novembro, véspera de um feriado de seis dias, o grão-chanceler, Dom Odilo Pedro Scherer, que tem a prerrogativa de escolher, em uma lista tríplice, dentre os candidatos mais votados pela comunidade da universidade em eleição direta e paritária (estudantes, funcionários e professores representados na mesma proporção), anunciou a nomeação da candidata Anna Cintra ao cargo de reitora da PUC-SP. A professora foi a menos votada dentre os candidatos que concorriam ao pleito.

Destaca-se que é a primeira vez em que não é nomeado o candidato mais votado pela comunidade. As eleições diretas e paritárias são uma vitória das árduas lutas dos segmentos que compõem a universidade desde a ditadura militar, tendo sido a Pontifícia Universidade Católica pioneira nessa conquista dentre as universidades do Brasil, de forma que a primeira eleição direta também foi um marco histórico por ter levado uma mulher pela primeira vez ao cargo de reitora – selando, assim, um ambiente que primava, acima de tudo, pela liberdade em meio ao regime autoritário vigente à época.

No entanto, em evidente contradição ao referido histórico de nossa universidade, desde 2006, a Igreja Católica, intermediada pela Fundação São Paulo, mantenedora da PUC-SP, tem adotado medidas antidemocráticas que remontam ao regime autocrático, antes tão combatido. O redesenho institucional e a reforma do estatuto da universidade criaram o Conselho Administrativo, CONSAD, órgão deliberativo composto por dois padres secretários da FUNDASP e o reitor. Esta instância possui a competência de decidir sobre todas as pautas que versem sobre questões financeiras e administrativas. Suplanta-se, portanto, a representação da comunidade, antes materializada no Conselho Universitário, CONSUN, composto por funcionários, professores e estudantes.

Posto isso, a recente nomeação da candidata menos votada caracteriza o ponto culminante de um processo que se estende através dos últimos anos contra a democracia e os direitos da comunidade. Deste modo, legitima-se a ação direta, decidida em assembléia geral, que contou com mais de quatro mil estudantes, de ocupar a reitoria e declarar a greve geral, por intermédio de um movimento autônomo, pacífico e apartidário.

É importante ressaltar que esta mobilização conta com todos os setores da universidade que se colocam em repúdio a essa evidente e inesperada usurpação da democracia na PUC.

A candidata nomeada, Anna Maria Cintra, representa todos os interesses da Fundação São Paulo, sendo, portanto, sua nomeação, uma evidente arbitrariedade direcionada unicamente para atender as finalidades obscuras da Fundação.

Cumpre salientar que a nomeada reitora assinou documento comprometendo-se a não assumir o posto, caso não fosse a mais votada pela comunidade universitária, ainda que o Cardeal a nomeasse. Anna Cintra atuou de forma controversa e antiética, visto que mentiu para toda a comunidade e traiu a sua própria palavra.

A comunidade da PUC-SP não aceita, em hipótese alguma, o empossamento da candidata nomeada pelo cardeal. Em razão disso, exigimos a posse imediata do candidato mais votado, neste caso Dirceu de Mello.

Lutamos pela existência de uma real democracia. Não nos iludimos diante de uma pseudodemocracia imposta e forjada à nossa universidade. Este projeto de universidade pelo qual a Fundação São Paulo responde se coloca diametralmente oposto ao projeto de educação que os estudantes mobilizados reivindicam: uma universidade livre, gratuita, pública, laica e de qualidade.

Defendemos que se trata de necessidade inegável e inadiável a reforma do estatuto da universidade, com o objetivo de extinguir as medidas antidemocráticas que vem nos sendo impostas, as quais são possibilitas pelo CONSAD e outros institutos previstos no atual estatuto.

Demandamos, junto aos professores e funcionários, um espaço para que haja o esclarecimento público do Cardeal sobre as motivações aparentemente repudiosas que o levaram a escolher a candidata menos votada.

Por todas essas razões nos colocamos como sujeitos políticos que defendem a democracia na PUC, de forma que não aceitaremos imposições autoritárias. Em nome do nosso passado, resistimos no presente, porque acreditamos em um futuro melhor para a nossa universidade.

Anna Cintra não nos representa e nunca nos representará. Resistiremos!

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Uma resposta para CARTA DOS ESTUDANTES DA PUC-SP

  1. spirituarise disse:

    É espantoso como as escolas brasileiras (Tanto públicas quanto privadas, desde que o estado esteja ditando o currículo) conseguem produzir gente retardada, que acha que toda instituição é um coletivo comunista.

    Manifesto minha incondicional solidariedade ao Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo e A Senhora Doutora Anna Cintra.

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