SOLICITAÇÃO DE MEMBROS DA CONGREGAÇÃO À DIRETORIA ACADÊMICA DA EFLCH

Contra o desrespeito à Congregação da EFLCH e ao uso da violência

A Congregação da EFLCH reuniu-se na última segunda-feira, 12.11.2012, para debater e deliberar sobre o modo como será  feita uma consulta à comunidade universitária a respeito da permanência ou não da EFLCH no Bairro dos Pimentas, em Guarulhos. A própria Congregação havia decidido, anteriormente, fazer essa consulta; só restava definir o formato. Depois de horas de tensão,  chegou-se, por voto aberto, ao formato de uma consulta aos três segmentos que compõem o campus: docentes, estudantes e técnico-administrativos; em regime de proporcionalidade segundo práticas da própria Unifesp: 70% para docentes, 15% para estudantes e 15% para funcionários. A consulta não tem natureza nem valor de plebiscito. É uma forma de conhecer concretamente o pensamento dos membros do campus.

Apesar da tensão, todo o processo de debate e deliberação transcorreu na legalidade e legitimidade. Todavia, o comportamento dos representantes discentes e dos estudantes que assistiram à reunião foi deletério: insultos, ofensas, gritos e deboches correram à solta. Alguns alunos olhavam na face dos professores e gritavam frases prontas, além de termos depreciativos de desqualificação moral.

O pior fato ocorreu no final da reunião, quando, diante da derrota das propostas estudantis
(consulta por paridade ou proporcionalidade em que os docentes seriam minoritários), o vereador Rômulo Ornelas, do PT de Guarulhos, coordenador do Cursinho Popular dos Pimentas, começou a gritar, fazendo gesto de “banana” e dizendo palavras de baixo calão, ofendendo os membros da Congregação. O cúmulo foi sua ameaça ao atual diretor pro-tempore do campus e presidente da Congregação, Prof. Glaydson José da Silva, dizendo para ele se cuidar e não andar sozinho pelas ruas do bairro. E tão grave quanto a ameaça foi o fato de que os estudantes presentes, inclusive os representantes estudantis, aplaudiram e ovacionaram o vereador agressor, acrescentando gritos e pulos de protesto contra a Congregação. A reunião teve de ser encerrada, porque se extrapolou todo princípio de respeito humano, decoro institucional e boa convivência.

A extrema gravidade de toda essa situação é evidente. Os docentes  da EFLCH, não apenas os pertencentes à Congregação, têm o dever de reagir a essa violência contra a institucionalidade do órgão que representa a comunidade universitária, principalmente contra o grupo absolutamente minoritário que compõe a direção do movimento estudantil.

A maior porcentagem dos estudantes, por sua vez, embora tema o enfrentamento desse grupo, também tem o dever de manifestar-se, para não ser representada pela inércia nem ser responsabilizada por omissão.

A crise vivida atualmente não é  da EFLCH, e sim da Unifesp. Ela não se reduz a saber onde vai ficar o campus da EFLCH. Ela se agravou profundamente, porque suas instituições não apenas são expostas ao descrédito, mas também são ameaçadas.  O problema central é, além do desrespeito, a recusa ao diálogo, a que se ouça ponderações e argumentos, o que é incompatível com nossas concepções de sociedade e de universidade.

Solicitamos, como membros da Congregação, que a Direção Acadêmica do Campus Guarulhos, com respaldo da Procuradoria da Unifesp, comunique à Câmara Municipal de Guarulhos a atitude violenta do vereador Rômulo Ornelas e solicite a punição cabível; que também repreenda os representantes estudantis e requeira deles a insistência com os outros estudantes que estavam presentes à reunião da Congregação para que contribuam para o bom transcurso das próximas reuniões e não para o seu tumulto.

Se a vida universitária  –  espaço de liberdade  –  for decidida pela força do grito, do terror ou das falas autoritárias, será o seu fim. Não se pode ceder ao medo diante da força bruta.

Guarulhos, 15 de novembro de 2012.

Cynthia Andersen Sarti
Daniel Revah
Gabriela Nunes
Juvenal Savian Filho
Lygia Ferreira
Marcelo Carvalho
Maria Fernanda Lombardi Fernandes
Marina Soler

solicitacao de membros da congregacao para a diretoria academica

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4 respostas para SOLICITAÇÃO DE MEMBROS DA CONGREGAÇÃO À DIRETORIA ACADÊMICA DA EFLCH

  1. Prezados responsáveis pelo Blog do Movimento Estudantil da Unifesp,
    Deixo aqui este comentário, pois tentei contato com vocês, enviando e-mails, mas não obtive resposta. Talvez vocês não os tenham recebido. Gostaria de solicitar a gentileza de que vocês tirem do ar a solicitação acima, pois ela não tem nenhum valor oficial. Na verdade, ela sequer deveria ter sido enviada aos membros da Congregação, pois encontra-se ainda em fase de redação, com profundas divergências entre os autores, docentes novos que a assinam, docentes que pediram para que seus nomes sejam retirados etc. Falando em termos oficiais (e mesmo oficiosos), nenhum dos nomes que aparecem na solicitação é realmente um signatário, pois esse documento não tem nenhum valor perante o corpo docente, nem perante a Congregação da EFLCH, nem perante qualquer outro órgão da vida universitária. Como sou um dos envolvidos na redação – e em discordância explícita com a versão divulgada -, e como vocês já atenderam a um pedido meu no passado (publicando um documento com cujo teor vocês certamente discordavam), pensei que vocês poderiam compreender este meu pedido e decidi pedir-lhes a gentileza de tirar a referida solicitação do ar. Ao mesmo tempo, assumo o compromisso público de, quando ela se tornar oficial, enviar uma cópia diretamente ao Blog. Entre as dificuldades que temos tido no campus, não precisamos de mais essa para aumentar animosidades, conflitos e desconfianças. Ao contrário, ganharíamos todos se investíssemos nas estratégias políticas que fortaleçam o diálogo e a compreensão mútua, o respeito incondicional e um saudável embate de ideias e opiniões. Mutíssimo obrigado. Juvenal Savian Filho (Filosofia – EFLCH).

  2. Pingback: Esclarecimento à Comunidade da EFLCH | Greve Unifesp 2012

  3. Alpha disse:

    Pode ser desconhecimento de minha parte, mas o que está acontecendo em relação a esses nomes terem sido indevidamente colocados nessa carta não se enquadra no que está descrito abaixo?

    Falsidade ideológica

    Art. 299 – Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante:

  4. Pingback: CONVOCAÇÃO CONGREGAÇÃO ORDINÁRIA EFLCH – 05 DE FEVEREIRO | Greve Unifesp 2012

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