Eleições DCE Unifesp: As vozes dissonantes de um processo eleitoral relâmpago

Na reta final da última gestão do DCE-UNIFESP 2010/2011, a chapa “Em Luta” inicia a preparação do Congresso Estudantil precedido por minifóruns em cada campi e por um fórum estudantil, como espaços de articulação e debate político em torno de uma unidade programática para o Movimento Estudantil da Unifesp e sobre os aspectos organizacionais  e das entidades que o permeia. Também, objetivava a descentralização do DCE, para que este estivesse em todos os campi da Unifesp, junto à base estudantil, visando o fortalecimento da luta e conquista das reivindicações.

Contudo, o Congresso não foi realizado. Por um lado pela própria estrutura do DCE, que não permitiu tal mobilização, e, por outro, pela gestão, pois não conseguiu impulsionar a política proposta até as entidades de base. A partir de meados de 2011, o DCE ficou sem gestão e a discussão do Congresso passou a se dar no Conselho Representativo do DCE (CR-DCE), uma espécie de “Conselho dos Centros Acadêmicos”, previsto no Artigo 22 de seu estatuto, que acabou se tornando o último suspiro dessa estrutura burocratizada.

Assim como acontece com o CR-DCE, qualquer gestão que assumir nestas condições irá se deparar com uma entidade que precisa urgentemente de uma (re)construção. O argumento de que as pessoas ou representações não estão comparecendo não parece válido. O DCE, assim como tudo que é discutido nessa instância precisa ser repensado para conseguir chegar até os campi e vice-versa.

Um exemplo disso é da reunião realizada no mês agosto deste ano (período de greve em todos os campi), que contou com apenas 9 representantes, onde foi discutido os “rumos do DCE”. Contrariando a realização do Congresso, várias propostas foram aprovadas num mesmo “pacote”, como um minifórum, reformulação de estatuto,  “brainstorm”, aprovação de eleições e até uma Comissão Eleitoral foi nomeada. Em 28/10, um novo CR-DCE convocado por apenas 3 Centros Acadêmicos, aprova o estatuto e regimento eleitoral, sem  vez nem voz para 2 campus (Santos e Osasco) e das demais entidades de base da Unifesp, que somam cerca de 27, que acabaram sendo excluídas do processo. O DCE tem abrangência em 6 campi da Unifesp e mais de 9000 membros, todos alunos de cursos de graduação.

O atual processo eleitoral prevê apenas uma semana para debates, conforme definição da Comissão Eleitoral, num período de final de semestre, o que fatalmente provocará o esvaziamento das discussões. O calendário eleitoral em si traz um grave problema à próxima gestão eleita e ao DCE, pois a posse ocorrerá próximo ao início das férias, no início de dezembro, o que provocará outro esvaziamento, desta vez da entidade, que durará aproximadamente um 1 mês e meio até janeiro, quando retornam as aulas de acordo com calendário de reposição em alguns campi.

A defesa pela realização do Congresso Estudantil Intercampi, com a realização prévia fóruns ou minifóruns em cada campi, com a participação das bases estudantis dos diversos campi não é algo novo. Parte da concepção de que a (re)construção das entidades representativas devem se dar pelos estudantes, entidades e demais agentes e não por uma gestão, já que o Congresso possibilita justamente o contrário, que é a horizontalidade do processo e a participação de diversas vozes.

Veja mais:

Proposta de Congresso da última gestão do DCE. informativo_mini_forum

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5 respostas para Eleições DCE Unifesp: As vozes dissonantes de um processo eleitoral relâmpago

  1. Gostaria de saber de onde foi tirada a informação sobre os CR-DCE’s que ocorreram neste ano? Como sabem que vozes de dois campi não estavam presentes nos CR-DCE’s? Vozes é sinônimo de CA/DA? Significa que estudantes que não estão nestas entidades não participaram e/ou participam? Campus Santos? Eu não encontro nada sobre esse campus no site da UNIFESP, há um campus Baixada Santista numa região que comporta nove cidades! Seria interessante apresentar melhor de onde e como provêm essas informações, mas é só a minha opinião…

    • Alpha disse:

      Caro Carlos, certas informações não se tiram, principalmente quando não se conta com apoio algum, tal como essa chapa “Unifesp Livre” está fazendo, inventar e especular à vontade são tarefas mais fáceis.

      Não sei de que campus você é, mas se sondar alguns alunos de Guarulhos, provavelmente verá que a maior parte dirá não ser simpática a essa chapa. Veja você que até o blog do “Movimento Estudantil” está sendo usado para a promoção dessa chapa, tamanho o descrédito deles.

  2. ESTUDANTES,

    Seria oportuno analisar com um “agudo olhar sociológico”, principalmente no Campus de Humanas, o que significa o ALPHA sair na defesa deste processo eleitoral.

  3. Por um Congresso para fortalecer a luta estudantil e (re)construir o Diretório Central dos Estudantes (D.C.E.)

    Carta aberta da Chapa Unifesp Livre aos Estudantes da Unifesp e à Chapa Vez da Voz.

    O DCE da Unifesp há anos mantém uma estrutura que comprovadamente não serviu para organizar e fortalecer o movimento estudantil, haja vista que está sem direção há mais de dois anos. Desde 2011 ocorreram várias reuniões na tentativa de organizar um Congresso dos Estudantes e, fomos surpreendidos com uma convocação de eleições que, entre o edital, inscrições e eleições, foram reservadas pouco menos de duas semanas e, ainda, das 27 organizações de base existentes, apenas uma parcela pequena fez parte.

    Portanto, realizar as eleições nas condições dadas significa na prática fortalecer as posições da burocracia reformista que visa INSTITUCIONALIZAR A LUTA DOS ESTUDANTES e desta forma, cria-se e dá-se o que ela não tem: uma base social no ME que participará de um processo meramente eleitoral, formalista e despolitizado.

    A contradição é que essa eleição do DCE no formato proposto e lançado a toque de caixa – com apenas duas semanas, não será apenas despolitizada e oportunista, mas servirá de legalização e referendo para a institucionalização do processo reformista – que até fará algumas concessões, mas garantindo-se como direção do processo para manter o controle burocrático da Unifesp e do próprio Movimento Estudantil.

    Entendemos que este processo eleitoral, caracterizado por um método burocrático de realizar as eleições, contraria a proposta inicial de realização de um Congresso dos Estudantes, portanto não se construirá uma alternativa de direção para o ME, como ainda criará as condições sociais para que a burocracia reformista se recomponha, inclusive aquelas que tem demonstrado posições claramente autoritárias.

    Sem organização de base e entidades de fato democráticas, a representação paritária e até mesmo proporcional nos organismos, não passa de uma mera formalidade da “democracia burocrática”!

    Neste sentido, a CHAPA UNIFESP LIVRE propõe o cancelamento da eleição do DCE 2012 e a realização imediata do Congresso dos Estudantes, construído a partir dos diversos Campi com o seguinte eixo inicial, que poderá ser acrescido ou suprimido:

    1. Autonomia do movimento estudantil frente à burocracia universitária;
    2. Liberdade para que estudantes independentes ou organizados em grupos ou partidos políticos possam trazer suas teses para debate;
    3. Processo eleitoral a serviço da organização de base;
    4. Prover o ME com um programa que integre a luta pelo atendimento das necessidades básicas apontadas nas PAUTAS DOS DIVERSOS CAMPI;
    5. Fundamentar a construção de entidades de base e do DCE como ferramentas de luta e representação de fato democrática dos estudantes;
    6. Fim dos processos e criminalização do movimento estudantil;
    7. Luta pela democratização da Unifesp;
    8. Construção curricular de uma universidade a serviço da sociedade e não das demandas do capital, conforme consta em Estatuto e Regimento Geral da Unifesp;
    9. Apoio e integração com as lutas gerais dos trabalhadores;
    10. Eleições do DCE e representações de base.

    Defendemos a realização de um Congresso Estudantil Intercampi, democrático e organizado pela base que anteceda qualquer gestão, partindo, portanto, de concepções, reflexões, propostas e demandas de toda a comunidade discente e constituindo-se, assim, em um DCE que de fato seja capaz de representar, organizar e mobilizar os estudantes de forma autônoma e independente, a serviço da construção de uma universidade livre, democrática e comprometida com os interesses dos trabalhadores.

  4. Interessante é que um site teoricamente construído por todo o movimento estudantil deixe de cumprir sua função de divulgar o que têm feito todos aqueles que sempre estiveram presentes nas mobilizações.

    Minha organização é a que mais possui moções de apoio à greve publicadas aqui, mas estão deixando de publicar o endereço da chapa que construímos por pura picuinha sectária.

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