UNIFÉSPARRY – A UNIVERSIDADE DE DEUS

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Carta aberta à embaixada da França;

Excelentíssimo senhor embaixador da República Francesa. Território sagrado, inviolável, posto defendido à luz da razão e das armas. Essas últimas, toda vez que se fizeram necessárias.

Em nome de muitos colegas (mas não de todos!), tomo a licença de dirigir-me a vossa excelência no intuito de expor o problema por nós vivido e não solucionado, a saber, a situação enfrentada por nosso Espaço do Conhecimento. Conhecimento postergado até o momento em função do que se segue na presente missiva.

Senhor, ainda que possas parecer surpreso com o aqui exposto, uma vez ser o problema da alçada do chefe da nação de minha pátria, mesmo assim, sei que na condição de berço da civilização moderna, a França não poderá ficar indiferente ao que aqui se passa.

Assim como bem sabe o senhor, nossa querida Instituição não tem tido dias melhores. Tomada pelo barbarismo, ela corre perigo. Almas apimentadas querem sua destruição!

Senhor, desde sua fundação as ocupações têm sido uma constante. E já há mesmo quem diga que ali se produziu (à revelia dos guardiões do conhecimento), toda uma Cultura de Ocupação. Corrobora o caos descrito a insinuação de que tal fato já mereceria um melhor acolhimento da própria Instituição. Dessa forma, ao falar de si mesma a Academia abriria a possibilidade da Filosofia, enfim, realizar-se em nossas terras.

Essa tese de mau gosto afirma que nossa Instituição, ao falar dela própria, faria da reflexão o ato do próprio pensamento voltar-se para si mesmo. Veja aonde chegamos. Agora corremos o risco de nos debruçar sobre um trabalho científico ou um projeto de mestrado de tal natureza. Que horror!  Isso senhor, jamais!

Aflitos, nos sentimos como anjos errantes enviados pelo Senhor à Cidade dos Homens, mas que, ignaros, sem lá ter chegado, perdemo-nos no retorno à Cidade de Deus.

Senhor perdoe o que este outrora menino humilde, hoje homem de letras, escreve. Perdoe se ele dá às palavras o tom das súplicas, quando sabe que o verbo deveria ser apenas para cantar belezas Encarnadas. Mas é que a vida, mais que resignação, hoje, exige ação.

Senhor, desde 2007, com a criação do REUNI, a expansão universitária é uma realidade entre nós.

A localização onde tais universidades seriam estabelecidas atenderia, segundo seus idealizadores, um projeto maior, aproximando a produção do conhecimento ao grosso do objeto pesquisado: o material humano desfavorecido de nossa sociedade. Sonhando alto, muitos de meus colegas não se continham. Por essa época a Teoria Crítica arvorava-se toda…

Senhor, como eu já desconfiava, o projeto não vingou. E digo isso sem concluir que a proposta carecesse de investimento e infra-estrutura adequada, como acusam os detratores do projeto.

Não senhor, o problema era bem outro, eu o sabia. Ele, desde seu início, era de natureza geográfica. Era a localização da Instituição Acadêmica o grande problema e causa de nossos dissabores futuros.

Senhor, a história comprovou que fé e razão não são excludentes.  Prova disso foi a pouca eficiência do Verbo tornado carne peregrinar pela periferia sem muito sucesso no amolecer do coração de pedra daqueles homens rudes do passado. Mas, uma vez adentrado à Cidade dos Homens, o rebanho em todos os cantos do mundo não parou de crescer.

Senhor perdoe-me pela digressão, porém, a sorte está lançada e por isso rogo-lhe, em meu nome e no de meus pares para que interceda por nós e venha nos socorrer.

O senhor pode pensar que nada há a se fazer. Ledo engano meu senhor, pois, como sabemos, toda embaixada é território inviolável, isento de ocupações. Os bárbaros ali não podem adentrar. Os bárbaros, ali, não passarão!

Em nome de todos novamente eu imploro, ajude-nos! Conceda-nos um pedacinho de vossas terras. Nelas, com a proteção de vossas armas da razão e da razão de vossas armas, almejamos construir nosso Puxadinho. Nele, nossa UNIFÉSPARRY – a Universidade de Deus. Divina em sua arquitetura, ela dispensará todo excesso periférico. Imaculada, será ela um centro do conhecimento alimentado por ele mesmo. Um centro sem extremos!

Com a UNIFÉSPARRY ganha a sociedade brasileira ao separar o joio do trigo: bárbaros de um lado, civilizados do outro. Ganha a República Francesa por ver triunfar nessas terras seus mais nobres ideais e sua razão de ser no mundo moderno.

No aguardo, mas sempre esperançoso, vosso fiel servidor e vassalo,

Doutor Juvenoir – especialista em Causas Incausadas Médias

Bairro apimentado de Guarulhos – SP em seu segundo semestre de MMXII.

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