Estudantes ocupam reitoria; UFMT emite nota de repúdio

Universitários protestam contra agressões sofridas durante confronto com a PM, na tarde de quarta-feira (6)

Estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) voltaram a trancar parte da avenida Fernando Corrêa da Costa, na região do Coxipó, em Cuiabá, na tarde desta quinta-feira (7), e depois ocuparam a reitoria da universidade.

Desta vez, a manifestação foi em protesto pela violência que marcou o confronto entre universitários e policiais militares ontem (6), depois que os alunos protestaram contra o fechamento de vagas em moradias estudantis, no bairro Boa Esperança. Vários estudantes ficaram feridos.

A mobilização começou por volta das 14h, quando os alunos passaram de sala em sala chamando os colegas para participar do manifesto. Aproximadamente 1.000 universitários saíram em marcha para a Avenida Fernando Corrêa, trancando o tráfego por cerca de quinze minutos.

Estudantes marcharam em volta da UFMT, em direção à reitoria

Em seguida, os manifestantes seguiram pela Rua 1 do Boa Esperança (na lateral da UFMT) e foram até a reitoria da instituição. Cerca de 300 estudantes permanecem no local e aguardam a chegada da reitoria Maria Lúcia Cavalli Neder, para a entrega de uma carta de repúdio pela agressão sofrida durante o manifesto e para pedir para a ampliação de vagas nas casas de estudantes.

Os universitários estudam, ainda, a possibilidade de dormir na sede da reitoria, caso achem necessário. Segundo o estudante de Educação Física da UFMT e membro do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Fábio Ramirez, a decisão final será tomada em assembleia geral, após o encontro com Neder.

“Dependendo da conversa que tivermos com a reitora e da disposição dos estudantes, iremos dormir aqui”, afirmou.

Outro lado

A pró-reitora de Assistência Estudantil, Míriam Serra, negou que a UFMT tenha acionado a Polícia Militar, na tarde de ontem (6), para reprimir o protesto dos estudantes.

“Em nenhum momento alguém da reitoria acionou a polícia. Se afirmarem o contrário, quero que o Ciosp [Centro Integrado de Operação de Segurança Pública] me prove, apresentando o registro do 190”, afirmou.

Míriam afirmou que a reitoria repudia todo o ato de violência e que entende como legítima a manifestação dos estudantes.

“Sempre houve diálogo com os estudantes e entendemos os anseios deles. Esse déficit entre estudantes e moradias sempre existiu. Mas a reivindicação deles é legítima. Eles têm esse direito”, disse.

A UFMT divulgou, por meio de assessoria, uma nota repúdio à ação de violência praticada pelos policiais e defendendo a execução de
melhorias nos programas de assistência aos estudantes.

Estudantes tomaram conta da Avenida Fernando Corrêa da Costa

Confira abaixo a íntegra da nota emitida pela UFMT:

“A reitoria da UFMT lamenta o ocorrido em relação à manifestação de seus estudantes na av. Fernando Correa, na tarde de ontem, dia 6 de março de 2013.

Repudia, com veemência, todos os atos de violência ali praticados, considerando o direito de manifestação em um país democrático.

Ao tomar conhecimento do ocorrido a reitora entrou em contato com o governador Silval Barbosa, para solicitar rigor nas apurações.

Em relação ao fato gerador do protesto estudantil, casa de estudante, a reitoria esclarece:

A UFMT terminou a construção de uma casa de estudante dentro do campus Cuiabá, com 64 novas vagas. Enquanto a casa estava sendo construída, a administração decidiu manter o aluguel das casas, para moradia de 44 estudantes.

Após o investimento de mais de R$ 3.000.000,00, em dezembro 2012, a UFMT iniciou a entrega da nova moradia aos estudantes dentro do campus da UFMT, com capacidade para 64 vagas.

Somadas as 36 vagas de outras duas casas existentes no bairro Jardim Itália, a UFMT conta atualmente com 110 vagas em Cuiabá. Assim, considerando a lisura com o uso do dinheiro público e as vagas disponíveis nas casas próprias da UFMT, não há mais justificativa neste momento para continuar com a manutenção dos atuais contratos de locação.

Compreendendo a necessidade de ampliação do apoio para moradia, a reitoria propôs ao Conselho Diretor a criação de um novo programa, que este ano prevê a concessão de auxílio no valor de R$ 360,00 mais um benefício para fim de semana, no valor de R$ 40,00, o que totaliza para moradia a soma de R$ 400,00.

O estudante de baixa renda da UFMT pode acumular esse valor de auxílio moradia de R$ 400,00 com a bolsa permanência, também no valor de R$ 400,00 e com o auxílio alimentação, no valor de R$ 100,00, podendo receber, portanto, R$ 900,00 de benefícios da assistência estudantil.

A atual gestão tem colocado a Assistência Estudantil como a sua principal prioridade, ampliando o investimento de R$ 4.400.000,00, em 2008, para R$ 22.000.000,00, em 2013, portanto quintuplicando seu valor. Essa ampliação tão significativa é possível com a somatória dos recursos do Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) e investimentos da UFMT.

O número de estudantes assistidos na UFMT, nos últimos quatro anos, saltou de menos de 7% para 50% em todos os seus programas.

Apesar de todos esses avanços, administração se organiza para ampliar ainda mais o número de vagas em Cuiabá e nos campi do interior, com uma proposta para o MEC de construção de novas casas para 2014”.

Fonte: http://www.midianews.com.br/conteudo.php?sid=3&cid=152277

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